Marketplace no Brasil: Pesquisa de mestrado mostra como serão as plataformas em 2032

A tecnologia no ambiente digital vem evoluindo rapidamente no mercado de marketplace de e-commerce. Foi pensando nisso que Fabio Davidovici, ex-aluno do Mestrado Profissional em Administração (MPA) da Escola de Administração de Empresas de São Paulo (FGV EAESP) e CFO da Aramis, uma das líderes brasileiras de varejo moda, se debruçou sob como serão as plataformas de marketplace de e-commerce no Brasil em um horizonte de 10 anos,

A maioria dos estudos neste campo assume o modelo de negócio atual dos marketplaces e não leva em consideração como as futuras tecnologias e mudanças de hábitos de consumo poderão impactar radicalmente a dinâmica desta indústria nos próximos anos.

A pesquisa é de natureza qualitativa, e a coleta de dados contou com fontes secundárias e informações provenientes de entrevistas com grupos sociais relevantes. Como resultado foi desenvolvida uma matriz 2x2 indicando cenários futuros e cinco respectivas tecnologias em prática, que poderão moldar o futuro da indústria de marketplace.

Fabio destacou a ótima vivência no curso unindo a teoria a prática e as novas experiências acadêmicas proporcionadas pelo MPA. “Minha experiência foi muito legal no MPA e acho que o grande ponto dali é a prática com a academia. Sempre gostei de entender a força dos artigos e dos estudos, queria trazer isso para a prática e tinha muita vontade de ter a experiência de escrever artigos acadêmicos”, disse ele.

Confira abaixo a entrevista completa com Fabio Davidovici.

Qual o seu objeto de pesquisa?

O estudo oferece cenários futuros para os marketplaces à luz das inovações tecnológicas, estratégias e competição no ecossistema de comércio eletrônico. Para isso foi feita uma revisão da evolução do comércio eletrônico e identificação dos principais drivers de mudança, a partir da avaliação das dimensões políticas, econômicas, tecnológicas, sociais e ambientais.

Qual a relevância do tema para a sociedade?

A contribuição para ciência administrativa é articular a abordagem multinível, teoria de cenários e a jornada de consumo no campo de estudos do futuro das plataformas de marketplace.

Para a prática empresarial, a colaboração por sua vez, é estudar tendências tecnológicas futuras no ambiente de consumo digital para possível obtenção de vantagem competitiva das principais plataformas de marketplace, bem como apresentar sugestões e implicações para os principais agentes.

Você possui alguma ligação profissional com o tema?

Sim, sou CFO da Aramis, uma das líderes brasileiras de varejo moda. Refletimos muito sobre futuro do varejo e marketplace.

Como se configura o cenário atual do marketplace no Brasil?

Atualmente o comércio eletrônico representa mais de 11,5% de todo o varejo no Brasil, e os dados de 2023 são impactantes: faturamento de R$254,4 bilhões e mais de 108,4 milhões de compradores ativos. Um dos catalisadores deste crescimento foi a pandemia Covid-19, que compeliu milhões de pessoas a fazerem suas primeiras compras remotas. A competição na oferta também aumentou, chegando próximo a 2 milhões de lojas virtuais e acarretando a necessidade de novos modelos de negócio, como as plataformas de marketplace “3P”4, como Mercado Livre, Americanas, Shopee, Amazon Brasil e Magazine Luiza. Além do espantoso crescimento em número de agentes, compradores, transações e faturamento, os próprios modelos de negócio evoluíram e se consolidaram no mercado nacional.

Como você enxerga o crescimento desse mercado?

Há 10 anos as vendas online representavam menos de 2,6% do varejo no país, com faturamento de R$35,8 bilhões e quase 38 milhões de compradores ativos, tendo seu crescimento e abrangência limitados por diversos fatores, como capacidade de logística e entrega, acesso e confiabilidade dos meios de pagamento, serviços financeiros restritos etc. Modelos de venda sem intermediários (1P) eram comuns e potencializados por sites de busca e comparação de preços, como o Buscapé e Google Product Search.

Como se dá a atuação das plataformas de marketplace no Brasil na prática?

As plataformas de marketplace ampliaram seu escopo de atuação para além da aproximação entre compradores e vendedores, oferecendo serviços complementares de logística, entrega, pagamento, crédito, precificação, tecnologia, importação e outros. Na prática, este movimento acarretou mudanças significativas no complexo ecossistema de e-commerce, seus agentes e relações.

Por qual motivo você decidiu cursar o mestrado?

Amo estudar, um dos meus hobbies favoritos. Adoro potencializar a prática com a academia. A minha motivação é entender de que forma o ecossistema de comércio eletrônico sofreu uma revolução na última década no Brasil.

Como foi a sua experiência no MPA? Teve algum ponto que você gostaria de destacar sobre a Escola?

Minha experiência foi muito legal no MPA e acho que o grande ponto dali é a prática com a academia. Sempre gostei de entender a força dos artigos e dos estudos, queria trazer isso para a prática e tinha muita vontade de ter a experiência de escrever artigos acadêmicos. A instituição tem um prestígio muito grande e esse foi um dos motivos pelos quais eu escolhi, além de ser próximo da minha casa. A junção de aulas online com presencial também ajudou. Outro ponto relevante são os professores e os colegas junto com a visão de futuro que o curso proporciona.

Quais as perspectivas futuras para a área?

A transformação da indústria poderá ser profunda e abrangente, acarretando importantes implicações para os agentes econômicos, conforme sintetizado na figura abaixo.

 

Imagem removida.

Se em uma década vivenciamos profundas transformações neste ecossistema, o que podemos esperar nos próximos 10 anos? Quais seriam os drivers mais relevantes para a emergência de cenários inovadores? Como as novas gerações de nativos digitais se converterão em futuros consumidores online? Estas e outras questões guiaram a minha dissertação de mestrado profissional na FGV EAESP.

Essa matéria faz parte da série Ideias que Transformam

Leia também: 

Para saber mais sobre o Mestrado Profissional em Administração (MPA) da FGV EAESP, acesse o site.

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