Estudo investiga empreendedorismo tecnológico em comunidades de baixa renda no Brasil

Nos últimos anos, projetos internacionais de desenvolvimento têm buscado estimular o empreendedorismo tecnológico em comunidades de baixa renda como forma de aliviar a pobreza. No Brasil, um hub tecnológico conhecido como Porto Digital desenvolveu o projeto “Ressignifica”, voltado para fornecer treinamento a empreendedores da economia criativa em comunidades carentes. Os pesquisadores Ely Laureano Paiva (FGV EAESP) e Marcos Primo (UFPE) investigaram como esses recursos de treinamento podem impactar o desenvolvimento de negócios nessas comunidades, destacando os desafios e as conquistas de tal iniciativa.

A pesquisa, publicada na revista Technological Forecasting and Social Change, estuda o caso do projeto Ressignifica em quatro comunidades de baixa renda no Brasil. Assim, os pesquisadores utilizaram como metodologia observação participante, entrevistas com líderes de equipe e coordenadores do projeto, além de análise de documentos. O objetivo foi entender como os recursos de um hub tecnológico poderiam fomentar o empreendedorismo em comunidades de baixa renda.

Desse modo, o fator-chave que determinou o sucesso de alguns grupos foi a alfabetização tecnológica. Outros grupos, especialmente aqueles sem habilidades básicas de negócios e tecnologia, enfrentaram dificuldades adicionais. Durante as três fases do projeto — conscientização empreendedora, estágio inicial e incubação — os participantes precisaram não apenas de acesso a recursos, mas também de apoio para usá-los de maneira eficaz.

Os pesquisadores destacam a etapa de conscientização empreendedora como um recurso chave. Ela visa aumentar a autoestima e a confiança dos participantes e é essencial para o engajamento nas atividades do hub. Além disso, grupos que já possuíam algum grau de alfabetização tecnológica conseguiram avançar mais rapidamente, demonstrando que a formação prévia tem impacto direto nos resultados.

Outro ponto relevante foi a constatação de que o trabalho em equipe foi um dos principais mecanismos para os participantes desenvolverem suas ideias empreendedoras. Portanto, a colaboração entre os membros das comunidades permitiu a identificação de oportunidades e o desenvolvimento de startups durante o processo de incubação.

Em conclusão, o estudo destaca que, para alcançar sucesso em iniciativas de empreendedorismo tecnológico em comunidades de baixa renda, é necessário um conjunto de ações estruturadas ao longo do tempo. Isso inclui capacitação gradual, suporte contínuo e uma adaptação dos recursos às necessidades específicas dos empreendedores em diferentes fases do projeto.

Para ler o artigo na íntegra, acesse o site.

Últimas postagens

Marketing inclusivo: pesquisa mostra por que algumas empresas transformam seus produtos e serviços para incluir mais consumidores.
Administração de empresas

Por que algumas empresas promovem inclusão de verdade e outras ficam apenas no discurso?

A diversidade ganhou espaço nas campanhas publicitárias e nas estratégias das empresas nos últimos anos. No entanto…
Moedas digitais locais sendo utilizadas em um pagamento por celular em um comércio de bairro.
Administração pública

Moedas digitais locais podem fortalecer programas de renda básica, aponta pesquisa

Programas de renda básica ganharam ainda mais importância durante a pandemia, quando governos precisaram encontrar…
foto do autor com o nome dele
Blog Gestão e Negócios

Estratégia é Prática: Ela Não Acontece no PowerPoint

Alessandra Chemello, Diretora de Marketing e Operações do Bernoulli Educação e Doutoranda da FGV EAESPExiste um…
Equipe analisa dados para fortalecer a economia circular em uma indústria por meio de tecnologias digitais e colaboração.
Administração de empresas Gestão de operações e logística

Economia circular: por que a tecnologia sozinha não basta?

A economia circular vem ganhando espaço nas empresas por propor um modelo que reduz desperdícios, reaproveita…