Bancos comunitários e moedas sociais: destaque para Eduardo Diniz no Jornal da Fapesp
Em entrevista concedida para a FAPESP, o professor Eduardo Diniz, do Centro de Estudos em Microfinanças e Inclusão Financeira da Fundação Getulio Vargas (FGVcemif) comentou que os bancos comunitários desempenham um papel crucial no fortalecimento da economia solidária em regiões marginalizadas do Brasil. A experiência pioneira do Banco Palmas, fundado em 1998 no Ceará, inspirou a criação de outras 167 iniciativas semelhantes em todo o país, promovendo inclusão financeira e o desenvolvimento local por meio de moedas sociais pareadas ao real.
Diniz é um dos principais pesquisadores do tema no Brasil e há 20 anos investiga o impacto dessas iniciativas. Ele destaca seu potencial na geração de trabalho e renda, além dos desafios regulatórios enfrentados pelo setor. Em julho de 2024, o professor organizou um seminário na FGV reunindo especialistas nacionais e internacionais para debater o tema.
Um dos casos de maior destaque é a moeda social mumbuca, implementada pela Prefeitura de Maricá (RJ) para o pagamento de benefícios sociais. Segundo Diniz, essa iniciativa fortaleceu o comércio local e contribuiu para um aumento significativo no número de negócios no município. Apesar do sucesso, ele ressalta a importância de estudos contínuos para avaliar a relação de causalidade entre o uso da moeda social e a melhoria das condições econômicas da cidade.
O avanço da digitalização também tem transformado o funcionamento das moedas sociais. Desde 2015, plataformas como o E-dinheiro Brasil permitem transações digitais, facilitando o uso desses recursos e ampliando sua aceitação nos comércios locais. No entanto, a ausência de regulamentação específica ainda limita a expansão dessas iniciativas. O Projeto de Lei nº 4.476/2023, atualmente em tramitação na Câmara dos Deputados, propõe estabelecer diretrizes para a emissão e uso das moedas sociais no Brasil, o que pode impulsionar novas experiências.
Além do Brasil, diversos países têm adotado modelos de moedas sociais para enfrentar desafios econômicos. Na Europa, por exemplo, cidades como Viladecans, na Espanha, utilizam essas moedas para incentivar a transição energética sustentável e o fortalecimento do comércio local.
Com a recente recriação da Secretaria Nacional de Economia Popular e Solidária, espera-se um novo fôlego para os bancos comunitários no Brasil. O governo federal estuda formas de integrar essas iniciativas a políticas públicas de transferência de renda, ampliando seu alcance e impacto. O FGVcemif seguirá acompanhando esses desdobramentos, contribuindo com pesquisas e análises sobre esse modelo inovador de inclusão financeira.
A reportagem completa pode ser acessada no link no final da página.
