Conversas que Transformam com Éverton Cruz

Homen negro com barba, ex-aluno

Conversas que Transformam é uma série de entrevistas conduzida pelas alumnas Rosa Souza Lima (CGAE 2012 / CMAE 2016) e Stephanie Crispino (CGAE 2013), que reúne histórias, reflexões e trajetórias inspiradoras da comunidade FGV EAESP. 

Nesta edição, as alumnas conversam com Éverton Cruz, administrador público (CGAP 2020) e mestrando em Competitividade e Sustentabilidade. Com experiência em gestão de pessoas, impacto social e relações governamentais, Éverton compartilha os caminhos que ajudaram a construir sua visão sobre desenvolvimento humano, liderança e carreira. 

Qual a verdade sobre você mesmo o seu eu do passado ainda não enxergava? 

Descobri que a minha facilidade em conectar pessoas era, na verdade, o meu propósito. Essa habilidade nasceu na infância, dividindo a mesa com a família e amigos, alimentando uma curiosidade natural sobre histórias das mais diversas naturezas, personalidades, formas de enxergar o mundo - normalmente, no lugar de ouvinte. No entanto, foi nos últimos cinco anos que compreendi o impacto disso: o que me move é unir pessoas diferentes em espaços seguros para desafiar o status quo e desenhar soluções criativas para desafios complexos de times, organizações e o Brasil, mas agora tomando papel ativo em costurar essas dinâmicas e relações. Por essência, contínuo curioso. Por escolha, sou facilitador de encontros. 

A gente queria muito começar entendendo mais sobre quem você é a partir de uma história curta da sua vida que acredita que ilustra o porquê de você estar hoje onde você está;  

Dos 9 aos 12 anos, toquei violino no Projeto Guri, uma política pública estadual voltada ao desenvolvimento musical de crianças e adolescentes. Foi ali que aprendi, ainda muito jovem, três grandes lições: a importância da técnica como exercício de rigor e excelência; a sensibilidade artística como lente para ler o mundo; e o poder que diferentes naipes podem ter para fazer a magia de uma orquestra.  Minhas melhores memórias são das apresentações de final de ano. Eu me arrepiava ao perceber toda a orquestra operando em perfeita sincronia, tocando canções que emocionaram o público, despertando memórias, alegrias e esperança. Esses momentos eram sublimes. Essa vivência explica muito a minha escolha por construir uma carreira executiva focada em desenvolver pessoas e suas competências: para mim, não há nada mais potente do que liderar e orquestrar talentos e habilidades diversas na construção de uma melodia de alto impacto. 

Você é uma pessoa que trabalha com grande responsabilidade que é a carreira de outras pessoas. Qual foi uma grande lição que você aprendeu na sua trajetória até hoje?  

Aos 26 anos, vindo do programa de Trainee Global da Ambev, fui desafiado a assumir como Gerente de Gente e Gestão, liderando o desenvolvimento de mais de 100 profissionais. Ter essa responsabilidade tão nova me trouxe três aprendizados fundamentais. Primeiro, a gestão pode ser padronizada, mas o olhar sobre o indivíduo deve ser humanizado. O pessoal e o profissional se coagulam na vivência do sujeito dentro e fora do espaço de trabalho — como bem me ensinou minha gestora na época, Melissa Teles. 

Depois, uma cultura de alta performance nasce exatamente desse respeito às singularidades. Existe uma causalidade direta aqui: é o fortalecimento desse modelo cultural que dita a escolha e o trânsito dos talentos no mercado, especialmente naquelas organizações que se destacam pelo real impacto no negócio. 

Por último, o time de Gente e lideranças diretas devem garantir o agenciamento do colaborador sobre a própria trajetória. A carreira não se resume a cargos, mas ao amadurecimento de competências alinhadas ao momento do time e da organização. Quando o profissional assume as rédeas de sua jornada, a carreira deixa de ser apenas uma meta e passa a ser um processo de evolução constante. 

O que você acredita que precisamos renegociar no pensamento sobre o trabalho hoje? 

Precisamos renegociar a falsa dicotomia entre o que é humano e o que é financeiro: cultura tem impacto direto no EBITDA para empresas; na qualidade de serviços públicos para governos e na geração de impacto para organizações sociais. Uma cultura baseada na confiança mútua não apenas potencializa os negócios, mas blinda os relacionamentos institucionais. Por outro lado, culturas disfuncionais — muitas vezes mascaradas por posicionamentos de marca vistosos ou estratégias superficiais de eficiência — são muito mais transparentes para o mercado do que se imagina. Elas sabotam a própria sustentabilidade da organização a longo prazo, pois afastam os talentos e inovadores que realmente sustentariam sua vantagem competitiva. Cultura não é perfumaria; é o ativo mais valioso e negligenciado das organizações hoje. 

O que ficou para nós:  
  

Rosa S Lima

Rosa Souza Lima: realizar e ler a entrevista com Éverton me toca, para usar também um termo próximo à música, na lembrança de que a arte nos desperta para caminhos individuais e trajetórias únicas dentro de nossa vida e carreira.  

 

 

 

 

Stephanie Crispino: ouvir o Éverton nos lembrando do valor que existe naquilo que é intangível e pouco se fala sobre foi reconfortante. Lembrar que a nossa habilidade de criar espaços seguros, orquestrar algo capaz de comover pessoas e criar uma cultura que sustenta as relações e o negócio, são o tipo de provocação que acredito que precisamos ver cada vez mais presentes, também, nas organizações. Não esquecer que negócios e impacto são feitos por e com as pessoas e que, cuidar do invisível que se faz muito presente - como a confiança, a criatividade, a sensibilidade - é o que nos move a questionar e inovar.

 

 

Deu vontade de conversar e trocar histórias? 

Então entra em contato com a gente nos e-mails aqui embaixo, porque estaremos por aqui todos os meses criando pontes para nos conectarmos como rede! E-mails para se voluntariar para uma entrevista: rosa.souzalima@gmail.com e svcrispino@gmail.com 
 

 

 

 

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