"Frete do desespero": Brasil colhe safra de 356 mi de toneladas, mas armazena apenas 59,2% — custo de frete sobe até 30% no pico da colheita
Com safra projetada em 356 milhões de toneladas e capacidade estática de apenas 231 milhões (59,2% — menor patamar histórico, segundo a Conab), o agronegócio brasileiro é forçado ao escoamento imediato, sobrecarregando rodovias e portos e elevando o frete rodoviário em até 30% no pico da colheita, fenômeno já chamado de "frete do desespero", com filas quilométricas em terminais portuários e perda de poder de barganha dos produtores. O contraste com os EUA — que mantêm capacidade de armazenamento equivalente a 150% da produção anual, permitindo o "carry" estratégico — dimensiona o custo competitivo do gargalo brasileiro, que transfere margens do campo para outros elos da cadeia. A solução estrutural depende do avanço da industrialização interna (etanol de milho, óleos vegetais, farelos) e da diversificação modal via ferrovias e hidrovias — atualmente responsáveis por apenas 22% e 9% do escoamento de grãos, respectivamente.
Fonte: Globo Rural
