5 tendências da "nova economia" para empreendedores
Conheça atitudes que transformam negócios em grandes sucessos
Nos últimos anos, uma série de empresas surgiu defendendo conceitos impensáveis em outros tempos. Quem poderia imaginar que o maior negócio de turismo do mundo não teria nenhuma propriedade? Ou que uma grande empresa de entrega de comida não teria motoristas cadastrados?
A Airbnb e o iFood inovaram cada uma na sua área de atuação, uma no ramo de turismo e a outra na forma como está estruturada a entrega de alimentação via aplicativo, por isso essas empresas exemplificam tipos de negócios da chamada “nova economia”, movimento influenciado por diversos avanços em business, e que, por essa razão, traz uma nova perspectiva para negócios de natureza distinta do funcionamento de empresas tradicionais. Ao trazerem inovações, esses modelos de negócio se tornaram grandes sucessos.
Nesta terça-feira (4/4), startups brasileiras, que encabeçam o movimento da “Nova Economia”, participaram do seminário “Empreendendo na Nova Economia”, evento realizado na Fundação Getulio Vargas (FGV), em São Paulo.
Integraram a conversa os empreendedores Rodolfo Fiori, da Muove Brasil, empresa que ajuda gestores do poder público a tomar melhores decisões para suas cidades; Frederico Rizzo, da Kria, um fundo de “investimento coletivo” de startups; Freddy Evangelista, da Vianuvem, especializada na gestão online de documentos e processos; e Eduardo Baer, da Dog Hero, plataforma que conecta donos de cães dispostos a hospedar os animais. A conversa foi mediada por Celina Ramalho, professora da FGV.
Durante o seminário, os participantes falaram sobre algumas tendências da “Nova Economia”. Apresentaram novidades e pontos-chave no funcionamento de negócios que diferem de conceitos tradicionalmente difundidos no mundo corporativo. Conheça as tendências apresentadas:
1. A volta da confiança entre as pessoas
O Dog Hero é um exemplo, assim como o Airbnb e o Uber, da economia do compartilhamento. São empresas que intermediam a troca de bens entre pessoas físicas.
De acordo com Baer, esse conceito resgata a confiança entre as pessoas, algo perdido nos últimos tempos. “No começo da civilização, as relações entre as pessoas eram baseadas na confiança, no olho no olho, mas perdemos isso. Começamos a confiar mais nas marcas. Por exemplo, as pessoas confiam na Coca-Cola porque sabem que seu sabor será o mesmo todas as vezes. Agora, estamos ajudando as pessoas a negociarem entre si e estamos trazendo de volta as relações baseadas na confiança”, conta.
2. Consciência social
Fiori nasceu em São Joaquim da Barra, pequena cidade do interior paulista. Começou a carreira trabalhando em empresas que ficavam bem longe de casa. Anos depois, formado em engenharia e pós-graduado em gestão pública, quis voltar para sua cidade com o objetivo de contribuir no desenvolvimento do lugar em que nasceu.
A princípio, colocou-se à disposição da prefeitura como um voluntário, disposto a ajudar no que fosse necessário. Posteriormente, percebeu que poderia ganhar dinheiro como consultor voltado ao poder público. Nascia ali a Muove Brasil. “A vontade de retribuir me fez empreender”, diz o empreendedor.
De acordo com Fiori, no entanto, a consciência social não pode ser um artifício para ganhar dinheiro. “É importante ganhar dinheiro com o empreendedorismo, claro, mas estamos vendo negócios de tecnologia envolvidos em escândalos que ocorreram porque quiseram lucrar acima de tudo. Temos que ‘mudar a chave’ e realmente querer o bem da sociedade”, afirma.
3. O governo como aliado
A história de Fiori mostra que o governo também pode ser um aliado do empreendedor, ao contrário das expectativas do senso comum, que sempre coloca o poder público como o inimigo. É possível, inclusive, ter o governo como cliente. “Nós percebemos que falta preparação para os governantes e para os servidores melhorarem a cidade em que estão. Vimos que poderíamos nos aliar a eles e promover a mudança”, afirma.
4. Vaquinha dos investimentos
A empresa de Frederico Rizzo é pioneira do mercado de Equity Crowdfunding no país. Na Kria, negócio lançado por Frederico, qualquer um pode, junto com um grupo de pessoas, financiar uma empresa. Assim como ocorre com aportes tradicionais, únicos, quem aposta na “vaquinha do investimento” pode lucrar caso a startup apoiada cresça bastante.
Para Rizzo, sua empresa propõe uma maior democratização dos investimentos. “O mercado de capital de risco é muito fechado, parece um clube restrito. Queremos que a captação de investimento seja mais fácil – e que mais pessoas possam contribuir para o sucesso das empresas”, revela.
5. Diversidade
Outro movimento, de acordo com Rizzo, é o de facilitar o acesso das minorias ao empreendedorismo. “Há entidades e empresas surgindo com o objetivo de permitir que mais mulheres, negros e gays, entre muitos outros grupos, façam mais sucesso no mundo dos negócios”, afirma o empreendedor.
Segundo ele, um exemplo bem-sucedido de “empresa empoderadora” é o Republic, um Equity Crowdfunding Norte-americano em que os projetos são liderados exclusivamente por empreendedores com projeto voltado para as minorias.
