COVID-19: A importância da atividade de logística em situações de crise extrema

Por Ely Laureano Paiva e Priscila Laczynski de Souza Miguel, professores da FGV.

Em uma situação de crise extrema como a que o mundo vivencia com o COVID-19, o papel fundamental da logística se torna ainda mais evidente. A logística, como as artérias que transportam o oxigênio pelo corpo, permite à sociedade continuar minimamente funcionando sem entrar em colapso total, já que é responsável pelo fluxo de mercadorias entre produtores e fabricantes até o consumidor final.

Em recentes situações extremas como o furacão Katrina ou o tsunami na Ásia, a logística foi o ponto central para manutenção das condições mínimas de funcionamento das áreas atingidas, evitando a instalação de um ambiente de caos completo pela falta de alimentos e medicamentos.

No início da pandemia do COVID-19 na China, este papel chave da logística esteve presente. Em cidades como Whuan, a atividade permitia que os habitantes recebessem alimentos e medicamentos, ao mesmo que havia a restrição máxima da circulação de pessoas e mercadorias entre as regiões afetadas e as demais regiões do país.

No Brasil, situação similar está ocorrendo agora com a chegada da pandemia. Nas cidades, a circulação de mercadorias, principalmente de alimentos e remédios, só acontece pela capilaridade da logística em centros urbanos. No país como um todo, o desafio é manter as entregas de produtos em um ambiente de restrição de circulação de pessoas. Este fluxo de produtos é imprescindível para não deixar a economia entrar em colapso total em meio a um ambiente de imensa incerteza. Recentemente, o Ministro da Saúde Mandetta ressaltou nos principais jornais do país que a vacina contra a gripe, importantíssima neste momento para reforço da imunidade da população à gripe, enfrentava uma situação drástica pela combinação dos problemas presentes na logística interna e a alta demanda existente.

Podemos exemplificar a atuação oculta, mas fundamental, do profissional de Logística e as complexidades do seu trabalho em tempos turbulentos. O primeiro exemplo refere-se ao abastecimento de hospitais com equipamentos para o atendimento das pessoas infectadas pelo COVID-19. Máscaras, respiradores, equipamentos hospitalares e medicamentos precisam estar rapidamente disponíveis para a equipe médica frente ao aumento de casos nos últimos dias. Muitos destes produtos não foram planejados e nem produzidos para atender à demanda atual, já que o contágio tem ocorrido de forma exponencial. Muitos destes itens são produzidos fora do país e os fabricantes não têm conseguido atender a demanda global presente. Isso tem resultado na escassez de produtos em todo o mundo.

Estes produtos precisam ainda ser transportados a seu destino e isto implica em processos de importação/exportação. Com a recomendação de isolamento social, as alfândegas e as empresas de transporte (rodoviário, aéreo ou marítimo) também foram obrigadas a diminuir o número de funcionários trabalhando em horário regular, o que resultou em um tempo maior de trânsito. Vários portos e aeroportos estão operando com controles sanitários rigorosos para evitar a disseminação ainda maior do vírus. Vale mencionar também as restrições a vôos, à atracação de navios e bloqueios de estrada, que não permitem muitas vezes que uma mercadoria seja descarregada no seu destino. Mais uma vez, o tempo de entrega é prolongado e o atendimento é penalizado. Neste contexto, várias profissionais que atuam na área têm trabalhado de forma intensa para vencer estes obstáculos e manter a operação. Por isso, para que os hospitais estejam preparados de forma adequada para o atendimento à população, a logística é fundamental para disponibilização rápida de materiais e equipamentos.

Outro exemplo da relevância da área durante a crise são os dois hospitais de campanha previstos pelo governo de São Paulo, um no estádio de Pacaembu e outro no Complexo do Anhembi. Novamente, a logística desempenha um papel chave para a montagem destes hospitais provisórios, tanto no abastecimento e na movimentação de materiais para a sua construção como no suprimento de equipamentos. Apenas com a disponibilização do material, o carregamento dos veículos e a entrega no horário adequado haverá o atendimento das pessoas necessitadas no período previsto.

Por fim, problemas de logística estiveram diretamente presentes em dois acontecimentos que mudaram a história ocidental: a derrota dos exércitos napoleônico e nazista na Rússia. Novamente, estamos em um momento de grande mudanças em um nível global com a pandemia do COVID-19. Entretanto, a vida cotidiana, com boa parte da população em isolamento nas suas casas, apenas não entrará em colapso total porque os processos logísticos garantem a chegada de alimentos, remédios e serviços de saúde ao seu destino final.

Últimas postagens

imagem do professor em frente a faixada da EAESP
Notícias internas

Professor da FGV EAESP recebe nota máxima do CNPq e conquista única Bolsa Nível A em Administração

O professor Ely Laureano Paiva, da FGV EAESP, recebeu a nota máxima da área de Administração na avaliação de bolsas…
Influenciadora digital apresenta opções de maquiagem acessível e compara produtos de beleza nas redes sociais
Administração de empresas Estratégia de marketing

Como influenciadoras digitais impulsionam a maquiagem acessível no Brasil

O mercado da beleza movimenta bilhões e influencia hábitos de consumo em todo o mundo. Porém, para muitas pessoas,…
Representação de como melhorar serviços de tecnologia nas empresas por meio da estrutura com várias filiais interligadas.
Administração de empresas

Como melhorar serviços de tecnologia nas empresas: o que a estrutura do cliente revela

Saber como melhorar serviços de tecnologia nas empresas é uma preocupação crescente em um cenário cada vez mais…
foto de celular simulando conversa
Administração de empresas Administração pública

SAIU NA MÍDIA

Confira os professores da FGV EAESP que ganharam destaque na mídia na última semana, com pesquisas, entrevistas e…