Alumni impactando o mundo - Tese Premiada Pablo Leão
Por João Paulo Vergueiro (CDNAPG 2026)
Neste espaço, contamos histórias de transformação e impacto protagonizadas por gente da nossa rede. Essa é uma forma da comunidade conhecer outros membros, e ao mesmo tempo, divulgar trabalhos que merecem os holofotes.
O alumnus Pablo Leão (CMDAE 2019) concluiu seu doutorado na FGV com excelência, tendo recebido um prêmio de melhor tese apresentada em 2022. No momento Pablo está cursando o segundo doutorado na Copenhagen Business School e também atua como pesquisador externo associado ao Centro de Estudos em Competitividade Internacional da Fundação Getulio Vargas. Ele conversou com a gente sobre o impacto que a FGV teve em sua carreira acadêmica e profissional.
Confira a seguir como foi a conversa:
Alumni: Qual era o objeto do trabalho desenvolvido por você, que resultou na premiação?
Pablo: O projeto como um todo buscou compreender melhor o papel e as capacidades dos gestores que influenciam processos de mudanças organizacionais - mais especificamente a transformação digital. A importância da transformação digital para as organizações tem sido um tópico recorrente em pesquisas acadêmicas, relatórios de consultorias e pautas de políticas públicas. Ou seja, é um assunto importante e as empresas que buscam se manter competitivas precisam se ajustar aos avanços tecnológicos, alinhados aos seus processos e estrutura. Esses aspectos já foram discutidos em inúmeros trabalhos, porém poucos trabalhos têm focado no papel dos gestores nesse processo. Com o intuito de preencher essa lacuna e compreender esse fenômeno com maior profundidade, o meu projeto como um todo buscou responder: como os gerentes apoiam e influenciam o processo de transformação digital nas organizações. Essa pergunta é bem ampla, então para respondê-la eu desenvolvi três artigos que focam em aspectos específicos nesse processo de transformação.
No primeiro artigo, eu integrei a literatura de diferentes perspectivas em mudanças organizacionais para mapear os principais aspectos gerenciais que emergem e influenciam processos de mudanças nas organizações. No segundo artigo, conduzi um estudo de casos múltiplos com empresas brasileiras que estão passando por processos de transformação digital e apresentam sinais de bons resultados. O objetivo era compreender como os gestores desenvolvem capacidades que apoiam a transformação digital das suas organizações. Por fim, no terceiro artigo, eu realizei um estudo quantitativo. Nesse estudo eu apresento o conceito MAD, managerial attention to digital. Esse construto busca capturar, com o passar do tempo, o nível de atenção dos gerentes a questões relacionadas à transformação digital - como tecnologias digitais, processos guiados por dados e processos digitais.
Alumni: Ter recebido o reconhecimento influenciou ou tem influenciado sua atuação profissional ou acadêmica pós-FGV?
Pablo: Absolutamente, melhor que a validação externa, premiações como essas nos ajudam a confiar no processo e nos mostram que estamos no caminho certo. Fazer pesquisa impõe vários desafios e são muitas as incertezas. O processo de publicação, geralmente o maior sinal de validação para um pesquisador, é extremamente demorado e muito competitivo. Nesse contexto, prêmios como esses se tornam ainda mais importantes.
Alumni: Como foi o período na FGV? Como a Escola contribuiu com o seu desenvolvimento acadêmico?
Boa parte da minha jornada acadêmica foi na FGV. Comecei o mestrado e no mesmo ano que finalizei o mestrado entrei no doutorado. Foram quase seis anos na FGV EAESP e durante esse período fui exposto a diferentes experiências que me ajudaram a chegar aonde cheguei. Existem muitas oportunidades na EAESP, mas o processo dentro da escola exige uma abordagem empreendedora. É preciso explorar as oportunidades nos diferentes departamentos e centros de pesquisa. Sempre digo que é importante ver e ser visto para que possa aproveitar ao máximo essas oportunidades. É inegável que a FGV possui um dos melhores aparatos de pesquisa em negócios se comparada com outras escolas no Brasil, mas tem desafios também que são reflexo de uma estrutura institucional maior. É necessário estar ciente disso e a melhor forma de lidar com esses desafios é contar com o apoio das pessoas. Meu ponto é, não é uma jornada solitária, e não deve ser. Temos acesso a ótimos professores, muitos reconhecidos internacionalmente, com boas redes de contato, temos acesso a diferentes centros de pesquisa que nos possibilita participar de projetos em diferentes tópicos. E o mais importante, é um lugar onde comunidades podem ser construídas e acredito que essa foi uma das melhores heranças que tenho da FGV. Encontrei pessoas que se tornaram grandes amigas(os) e parceiras(os) de pesquisa. Foi sem dúvida uma jornada de muito aprendizado e autoconhecimento – mais com muito trabalho.
Alumni: Qual sua atuação profissional no momento?
Pablo: Eu dei um passo um pouco atípico. Ao invés de ir para o mercado de trabalho tradicional que seria fazer um pós-doc ou seguir para uma vaga de professor assistente, eu tive a oportunidade de começar um segundo doutorado na Copenhagen Business School (CBS). Considerando as diferenças entre o doutorado no Brasil e o doutorado na Dinamarca, essa opção me pareceu interessante e mais atraente que um pós doc. Diferente do Brasil, doutorandos na Dinamarca são contratados pelas escolas e fazem parte do “faculty”. Em outras palavras, além de fazer cursos e conduzir pesquisa também damos aulas e orientamos projetos de tese e TCC. O trabalho é mais intenso, mas o treinamento foca em outras capacidades que me pareceram complementares aquelas que recebi enquanto na EAESP. Com essa mudança também tive a oportunidade de criar uma rede de pesquisa internacional, me expor a um outro ambiente de ensino e pesquisa e explorar outros campos de interesse.
Alumni: Você teria algum conselho especial para dar à comunidade Alumni da FGV, para quem estiver pensando em iniciar um mestrado ou doutorado na escola?
Pablo: Acredito que o principal aspecto para seguir nessa carreira é ser resiliente. É um processo longo e com muitos obstáculos, especialmente no Brasil onde os recursos são limitados. Na minha perspective a EAESP oferece uma das melhores condições considerando os desafios do país. Mesmo assim, e aí não importa se no Brasil ou no exterior, é necessário ser empreendedor, como empreender em um negócio o processo pode ser extenuante, mas gratificante se conseguir encontrar o equilíbrio. Quando digo empreender, me refiro a ideia de explorar as mais diversas oportunidades, ser criativa(o), tentar, errar, aprender e repetir esse ciclo algumas vezes. Como em qualquer profissão é necessário gerenciar expectativas e saber lidar com as frustrações. Como disse no início, o principal mecanismo de validação imposto pelo mercado tende a demorar (ex. publicação em bons periódicos), mas é possível alcançar satisfação profissional através do ensino e da pesquisa aplicada, por exemplo. De qualquer forma, não é uma carreira de ascensão rápida, é preciso ter paciência e conseguir aproveitar a jornada. Sendo criativa(o) – e resiliente – é possível explorar diferentes caminhos que um mestrado / doutorado podem abrir e gerar impacto social. E eu acho que esse aspecto possa ser um dos mais instigantes dessa profissão.
Para facilitar o processo eu sugiro que conversem com outras pessoas que já passaram por essa experiência. Adote um papel mais ativo em contatar pessoas via LinkedIn e outras redes sociais. De modo geral, acadêmicos estão dispostos a compartilhar suas experiências e ajudar quem está no início. Contudo, é essencial compreender que as experiências são extremamente individuais, porém essas conversas oferecem perspectivas diferentes para que uma decisão mais informada seja tomada. Outro ponto importante é compreender que esse processo pode ser solitário, mas existem formas de reduzir essa solidão. Novamente, seja empreendedora, e aqui isso também está relacionado na busca de apoio, e especialmente na construção de uma rede. Busque por mentoras e mentores para compreender melhor os diferentes caminhos e te auxiliar nesse processo. Não precisa ser a orientadora, pode ser até mesmo antes de entrar em um programa – aconselho fortemente que seja antes. Um conselho especialmente para quem é minoria política social– o percurso é obviamente mais difícil para nós, de toda forma, não é impossível. Nesse caso, ter uma rede de apoio se torna ainda mais relevante. O lado positivo é que tem havido mais discussões e programas para facilitar o acesso aos programas da pós.
Entrevista conduzida pelo João Paulo Vergueiro. Graduado, mestre em administração pública e doutorando na FGV EAESP, e bacharel em direito na USP. Professor e coordenador do Fundo de Bolsas e do Alumni na Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado - FECAP e diretor para a América Latina e Caribe da organização GivingTuesday
