Projeto desenvolvido pelo FGVces recebe prêmio Projetos de Impacto

O rompimento da barragem de minérios de Fundão, operada pela empresa Samarco Mineração, Vale S. A. e BHP Billiton, ocorrido em 2015 em Mariana (MG), representa o maior desastre socioambiental envolvendo mineração no mundo quando se considera a extensão territorial e volume de população atingida, o que exige um processo de reparação de alta complexidade técnica e de governança. O Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV (FGVces) contribuiu para munir o Ministério Público Federal (MPF) de informações para tal e garantir que a população atingida tivesse participação nesse contexto.

Por sua dimensão e impactos, este projeto agora foi reconhecido com o prêmio Projetos de Impacto, criado pela EAESP FGV (leia mais abaixo). 

Intitulado “Avaliação dos impactos e valoração dos danos socioeconômicos causados para as comunidades atingidas pelo rompimento da barragem de Fundão - Projeto Rio Doce”, o projeto integrava uma iniciativa ampla de identificação e valoração dos danos socioeconômicos decorrentes do rompimento da barragem. 

Esse grande projeto envolveu distintos centros de estudos, docentes e pesquisadoras/es da Fundação Getulio Vargas (acesse o site do projeto e saiba mais). O FGVces coordenou especificamente a frente de trabalho de Sustentabilidade (leia mais aqui), que atuou na construção coletiva para a identificação e qualificação dos danos sofridos pelas pessoas atingidas, proporcionando a participação dessas pessoas em todo o processo de diagnóstico realizado pela FGV e promovendo distintos espaços de diálogo e discussão (as fotos em destaque ilustram alguns desses momentos). 

Essa frente de trabalho ocorreu entre 2018 e 2022 e envolveu diálogos com diferentes partes interessadas, entre as quais: 

  • Grupos sociais em 45 municípios atingidos, entre eles populações indígenas, quilombolas, ribeirinhas; 
  • Ministério Público Federal, Estadual e Defensorias Públicas de MG e ES;
  • Empresas responsáveis pelo desastre: Samarco, Vale e BHP Billiton;
  • Poder público municipal e estadual das regiões atingidas.

 

Entre os impactos práticos alcançados, destacam-se:  

  • Criação de matrizes indenizatórias de danos para cada região, subsidiando o MPF nas negociações visando à reparação dos danos causados; 
  • Geração de um banco de dados de cerca de 10 mil narrativas das pessoas atingidas que contam a história do desastre e os danos sofridos; 
  • Fortalecimento das populações pela escuta e espaços compartilhados de discussão.

 

Em termos de inovações metodológicas, o projeto se destacou com o aporte inter e transdisciplinar em um contexto de enorme extensão territorial, com complexidade política, diversidade populacional e incidência pandêmica. A centralidade da participação social em processos de reparação de desastres foi outra importante contribuição nesse sentido, bem como o uso da ciência no subsídio a instituições de justiça e na busca pelo aprofundamento dos efeitos e reparação de desastres. 

A metodologia criada foi replicada nos municípios atingidos, está registrada em documento de síntese metodológica e seus resultados compõem um banco de dados. Cada relatório produzido descreve o passo a passo utilizado. Além disso, a metodologia pode ser replicada para outros processos de desastre , como o rompimento da barragem da empresa Vale S.A em Brumadinho e as enchentes no Rio Grande do Sul. 

Os professores Mario Monzoni e André Pereira de Carvalho eram os responsáveis pelo projeto dentro da EAESP. Ao longo dos quatro anos de execução do projeto, também integraram a equipe na frente de trabalho coordenada pelo FGVces: 

  • Adriana de Paula Cavalcante Fraga
  • Ana Carolina Araújo Fernandes
  • Ana Clara Candido Costa
  • Bruno Neris Basto
  • Carolina Ribeiro Araújo
  • Carolina Ximenes de Macedo
  • Carina Sernaglia Gomes
  • Cintia Messias Dall’Agnol
  • Daniel Rondinelli Roquetti
  • Doraci Cabanilha de Souza
  • Fernanda Pinheiro da Silva
  • Graziela Donário de Azevedo
  • Haydée da Cunha Frota
  • Isabella Cruvinel Santiago
  • Jaqueline de Oliveira e Silva
  • José Agnello Alves Dias de Andrade
  • José Del Ben Neto
  • Léa Lameirinhas Malina
  • Leticia Ferraro Artuso
  • Luísa Valentini
  • Luís Pedro Silva Moreira
  • Marcela Elena Varconte
  • Marcos Dal Fabbro
  • Maria Letícia de Alvarenga Carvalho
  • Maria Patrícia da Silva
  • Mariana Luiza Fiocco Machini
  • Marina Borges dos Santos
  • Miria Rodrigues Alvarenga da Silva
  • Natalia Lutti Hummel Wicher
  • Rafael Mantarro de Carvalho
  • Roseli Bueno de Andrade
  • Taís Helena da Silva Teodoro 

 

Confira o vídeo de Mario Monzoni e Mariana Machini sobre o projeto:

Sobre o prêmio 

A avaliação do Prêmio Projetos de Impacto foi feita por uma comissão formada por membros do Comitê de Pesquisa e professores/a convidados/a: Edgard Barki, Gilberto Sarfati, Elize Massard da Fonseca, Eduardo José Grin, Ricardo Corrêa Gomes e Thomaz Wood Jr. como secretário.
A comissão utilizou os seguintes critérios de avaliação: relevância do tema, relação com objetivos de desenvolvimento sustentável (ONU), envolvimento de stakeholders externos, impacto atingido, grau de inovação e grau de replicabilidade.

Foram premiados:

  • Avaliação dos impactos e valoração dos danos socioeconômicos causados para as comunidades atingidas pelo rompimento da Barragem de Fundão – Projeto Rio Doce, de Mario Monzoni e André Pereira de Carvalho;
  • Impacto da pandemia nos profissionais da linha de frente dos serviços públicos, de Gabriela Lotta (líder), Michelle Fernandez, Marcela Correa, Giordano Magri e Cláudio Aliberti;
  • Waterproofing Data ++, de Maria Alexandra Viegas Cortez da Cunha. 

 

Receberam menção honrosa:

  • Aprendizagens sobre arranjos multiatores e inclusão produtiva rural, de Zilma Borges de Souza;
  • Características da resposta subnacional à mudança climática: iniciativas e políticas públicas em metrópoles brasileiras, de Luis Paulo Bresciani e Laura Chein Portela;
  • Cripto Ativos para Desenvolvimento (CA4D), de Eduardo Henrique Diniz
  • Educação financeira na aldeia Kamakã, de Claudia Emiko Yoshinaga;
  • Gender Supplier Diversity in Brazilian Buying Companies: A multicase study, de Priscila Laczynski de Souza Miguel e Maria José Tonelli;
  • Engaja S/A: primeiro índice de engajamento dos profissionais brasileiros, de Paul Ferreira;
  • Programa Brasileiro GHG Protocol, de Mario Monzoni;
  • Promovendo governança e transparência na região da BR-319, de Mário Monzoni;
  • Seleção e formação de diretores: mapeamento de práticas em estados e capitais brasileiros, de Lara Simielli;
  • Ruas Compartilhadas, de Ciro Biderman.

 

Saiba mais em: https://www.impacto.blog.br/noticias-internas/premio-projetos-de-impacto/ 
 

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