Pesquisa analisa taxa de câmbio em 34 países e propõe novo modelo econômico

A taxa de câmbio é um dos preços macroeconômicos mais estratégicos, influenciando diretamente o comércio exterior, o poder aquisitivo da população e a competitividade das empresas. No entanto, sua determinação ainda é objeto de debate entre economistas. O artigo de Luiz Carlos Bresser-Pereira, da FGV EAESP, Carmem Feijó e Eliana Araújo propõe um novo modelo para compreender os fatores que determinam a taxa de câmbio real, diferenciando o curto e o longo prazo.

Os pesquisadores desenvolveram um modelo teórico e o testaram empiricamente em um estudo abrangendo 34 países emergentes e do G7, no período de 1998 a 2017. Assim, os pesquisadores realizaram testes econométricos para verificar a relevância das variáveis propostas e sua capacidade preditiva em relação à taxa de câmbio. A revista Structural Change and Economic Dynamics publicou o estudo completo.

O modelo parte da premissa de que a taxa de câmbio gira em torno do Valor da Moeda Estrangeira (VME), que reflete o valor dos bens e serviços que uma moeda pode adquirir em outro país. Portanto, diferente da tradicional Paridade do Poder de Compra (PPA), o VME considera a dinâmica de mercado e os fluxos de capital.

Além disso, quatro variáveis são essenciais para a determinação da taxa de câmbio de longo prazo:
  1. Termos de troca: Alterações nos preços relativos entre exportações e importações influenciam diretamente a taxa cambial.
  2. Saldo da conta corrente: Déficits recorrentes tendem a supervalorizar a moeda, enquanto superávits a depreciam.
  3. Diferencial de taxas de juros: Juros mais altos atraem capital estrangeiro, levando à valorização da moeda.
  4. VME: Define um centro de gravidade para a taxa de câmbio, garantindo competitividade às empresas que utilizam tecnologia de ponta.

Os resultados empíricos mostraram que o saldo da conta corrente é a variável mais influente na determinação da taxa cambial. Quando um país mantém déficits recorrentes, sua moeda tende a ser artificialmente valorizada, enquanto superávits sustentados favorecem uma taxa de câmbio competitiva. O estudo também identificou que a influência do custo unitário do trabalho é relevante para a competitividade externa, podendo exigir ajustes cambiais para compensar perdas.

A pesquisa contribui para o debate sobre política cambial ao sugerir que países com déficits recorrentes em conta corrente tendem a manter uma moeda supervalorizada. Isso prejudicaria a competitividade industrial. Ao propor a substituição da PPA pelo conceito de VME, os autores oferecem uma abordagem mais realista para entender o comportamento da taxa de câmbio. O modelo proposto pode servir como uma ferramenta útil para formuladores de políticas econômicas que buscam garantir um equilíbrio sustentável na taxa de câmbio. Por fim, isso também promoveria crescimento econômico de longo prazo.

Leia o artigo na integra.

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