Pegada hídrica, reúso e gestão corporativa da água: temas são debatidos em evento com representes do setor privado e especialistas

Webinário realizado pelo FGVces apresentou resultados do ciclo 2023-2025 da iniciativa El Água nos Une, ressaltando a importância da gestão consciente e da economia circular da água 

A iniciativa El Agua nos Une, executada no Brasil pelo FGVces em parceria com a COSUDE (Agência Suíça para Desenvolvimento e Cooperação), vem desde 2010 trabalhando na construção de uma agenda de governança em água na América Latina, usando a pegada hídrica como ferramenta de gestão no setor privado. Na última quinta-feira (05) foi realizado um encontro, com empresas e outros representantes, a fim de apresentar os resultados do último ciclo de trabalho e discutir os próximos passos. 

O webinário se iniciou com a fala de Kenneth Peralta, representante da COSUDE, que contou um pouco sobre a história do projeto e ressaltou a importância do Brasil e das empresas brasileiras como aliados importantes na otimização do uso de água na América Latina. Kenneth celebrou os resultados positivos, mas ressaltou que o processo é longo e que o objetivo é que cada vez mais empresas se unam à iniciativa. 

Os resultados do ciclo (2023-2025) do projeto foram apresentados pelos representantes das empresas Amanco Wavin, Aquapolo, CBA (Companhia Brasileira de Alumínio) e SSA (São Salvador Alimentos). Foram trazidas as experiências e motivações das organizações dentro do tema, seguidas pelos resultados de pegada hídrica e soluções propostas dentro da agenda de governança em água trazida pelo projeto. 

As empresas apresentaram os respectivos estudos e estratégias aplicados para mitigar e reduzir o impacto ambiental e o consumo de água associado às suas atividades produtivas, tendo o reúso da água e otimização do uso dos recursos hídricos como base.  

Também foi apresentado o painel Reúso de água no Brasil: panorama atual e estratégias para sua expansão, que contou com as participações de Anderson Bezerra, do MMA (Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima), Eduardo Mazzolenis, da CETESB (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), Maria Castello Branco, da CNI (Confederação Nacional da Indústria). A mediação foi feita por Layla Lambiasi, pesquisadora do FGVces.  

 

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No painel, foram discutidas estratégias e dificuldades na implantação da prática de reúso de água de forma ampla e, em particular, no contexto de uma economia circular da água. Também foram apresentadas iniciativas já realizadas hoje em diferentes municípios e cidades do Brasil. As principais pautas trazidas por Anderson e Eduardo foram a necessidade de políticas públicas que promovam a implementação de estratégias eficientes no reúso e melhor aproveitamento de água. 

"Esse tema (reúso) é um tema de adaptação ao que a gente tem enfrentado, das mudanças climáticas, a questão das secas prolongadas (...) a gente tá passando por recordes e recordes de secas na Amazônia”, afirmou Anderson Bezerra, do Ministério do Meio Ambiente e Clima.  

A necessidade de uma regulação a nível nacional sobre o assunto também foi levantada por Anderson na defesa dos mananciais. "A gente já tem estudos recentes, da USP inclusive, que apontam que vários rios importantes no Brasil estão perdendo água para os aquíferos, por causa dessa sobre-exploração dos aquíferos em períodos de escassez hídrica”, completa Anderson sobre a necessidade de usos alternativos da água. Além disso, foram destacados avanços recentes e importantes para a prática de reúso no país, como a articulação entre o Conselho Nacional de Recursos Hídricos e o CONAMA para consolidar parâmetros de qualidade para a reutilização de água em âmbito nacional. 

Eduardo Mazzolenis, da CETESB, destacou a necessidade de diretrizes nacionais para a efetivação dos projetos de reúso da água, junto da articulação dos diversos agentes para a governança sustentável dos recursos hídricos. Outros dados importantes trazido pelo engenheiro são a perda de cerca de 40% da água distribuída nos centros urbanos, além do aproveitamento de menos de 1% da água disponível para reúso. Também se falou sobre a necessidade de focar em medidas de reúso nos locais onde há coleta e tratamento de esgoto, em vista da quantidade de regiões do país que não contam com esses serviços. 

Maria Castello Branco comentou sobre como a crise hídrica em São Paulo foi importante para a conscientização da indústria e de serviços a respeito da insegurança hídrica cada vez mais latente e sobre como esses setores veem na água de reúso a garantia da continuidade de suas operações. 

A especialista em políticas e indústria ainda destacou a importância de políticas que auxiliem as empresas, principalmente as pequenas, a cumprirem as diretrizes e metas nacionais, além de ajudar no financiamento para a realização de projetos que promovam o desenvolvimento sustentável. A exemplo do município de Fortaleza (CE), que conta com sistemas de dessalinização por parte de comércios à beira-mar, Maria disse que "o que nós observamos, em todo o território nacional, é o reúso sendo praticado e não regulamentado”. 

“Já há muitas iniciativas de reúso no Brasil, há o conhecimento das tecnologias. Está dada a cultura e o momento para dar essa virada de chave e colocar essa agenda de governança (hídrica) a partir dos conselhos nacionais”, comentou Eduardo Mazzolenis, da CETESB. 

Outros temas também foram alvo de debates, como a busca por maneiras de tornar a coleta de fontes de água alternativa mais atraente para o setor industrial e serviços, a necessidade em ajudar pequenas e médias empresas no planejamento para a adequação a novos sistemas de captação de água e políticas mais consistentes na fiscalização, capacitação e financiamento. O encontro completo você confere abaixo. 

Por último, foi aberta a chamada a novas empresas que se interessem em participar do programa no novo ciclo que se inicia em 2025. 

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