Mestrado em Sustentabilidade: "Entrei para estudar carbono e encontrei um propósito na justiça social"

Mestrado em Sustentabilidade

Jornalista com quase três décadas de carreira, Cindy Correa encontrou no Mestrado Profissional em Gestão para Competitividade, linha de Sustentabilidade, da FGV EAESP, não apenas conhecimento para avançar na carreira executiva, mas uma nova forma de enxergar o mundo e de gerar impacto por meio da pesquisa.

Quando decidiu fazer um mestrado, Cindy Correa não buscava apenas um diploma. Depois de quase 30 anos de carreira no jornalismo, com passagens por veículos como Valor Econômico e Gazeta Mercantil, e já consolidada como gerente de Comunicação Institucional da Indústria Brasileira de Árvores (IBÁ), ela queria aprofundar seus conhecimentos e dar o próximo passo na trajetória profissional. 

A escolha pelo Mestrado Profissional em Gestão para Competitividade (MPGC), linha de Sustentabilidade, da FGV EAESP, veio de forma quase unânime. "Quando comecei a comentar que queria fazer mestrado, perguntei para pessoas que trabalham com mercado de carbono. Todo mundo dizia: o melhor curso de sustentabilidade do país fica na FGV”. 

Naquele momento, o foco parecia traçado. A sustentabilidade já fazia parte da rotina profissional havia quase uma década, principalmente em temas ligados ao clima, à bioeconomia e ao mercado de carbono. Ao mesmo tempo, ela também enxergava no curso uma oportunidade de ampliar seu horizonte de atuação. "Eu tenho objetivo de carreira executiva. Quero virar diretora, vice-presidente, quem sabe até CEO. Analisando o mercado, percebi que a sustentabilidade poderia ser esse caminho." 

Mas o percurso mudou. Ao longo do mestrado, Cindy percebeu que a experiência ia muito além do conhecimento técnico. "O truque é que os professores são tão bons que você nem percebe o quanto está aprendendo. Mas o salto de conhecimento é muito grande." Mais do que aprender sobre mudanças climáticas e sustentabilidade corporativa, ela passou por um intenso processo de autodescoberta.  

Essa transformação ganhou força especialmente em uma das disciplinas que mais a marcaram: o FIS - Formação Integrada para Sustentabilidade. "O objetivo é mostrar que não dá para falar de sustentabilidade e de mudar o mundo sem mudar as nossas percepções. A disciplina literalmente desconstrói percepções para construir novas formas de enxergar o mundo."  

Segundo Cindy, foi justamente essa mudança de perspectiva que redefiniu completamente o rumo de sua pesquisa. “Já no primeiro semestre decidi estudar gênero, descobri que a dimensão social era onde eu realmente queria atuar." 

  

Sustentabilidade também é social 

  

Primeiro, ela cogitou estudar os desafios enfrentados por mulheres nas organizações. Porém, ao revisar a literatura acadêmica, percebeu que havia décadas de pesquisas consolidadas sobre o assunto. Foi então que encontrou uma lacuna. "Descobri uma outra área ainda pouco explorada, que são os gêneros diversos. Pessoas trans, pessoas não binárias e travestis, tudo muito conectado com gestão." 

Durante a pesquisa, Cindy também percebeu como conceitos debatidos em sala de aula ajudavam a compreender a própria realidade. "Enquanto estudava a realidade dessas pessoas nas empresas, fui entendendo o quanto somos colonizados por lentes cisnormativas. Hoje eu não consigo pensar em feminismo que não inclua toda essa pauta. Para mim, igualdade de gênero é justiça social." 

Já com a dissertação em mãos, o trabalho de Cindy não acabou. Incomodada com o caráter muitas vezes solitário da pesquisa acadêmica, ela buscou aproximar seu trabalho das pessoas diretamente impactadas pelo tema. Participou de encontros do movimento de inclusão trans, conversou com ativistas e estabeleceu parcerias que deram uma dimensão prática ao estudo. 

O resultado foi a criação de um zine em formato de história em quadrinhos, que traduz os principais achados da pesquisa em uma linguagem acessível para empresas e profissionais de Recursos Humanos. "É como um manual de aplicação do meu mestrado." Hoje, ela apresenta esse material em organizações interessadas em promover ambientes mais inclusivos. 

Além disso, a pesquisa revelou um dado que continua despertando novas perguntas. "Mesmo relatando altos níveis de preconceito e dificuldades para expressar sua identidade de gênero, a maioria das pessoas participantes apresentavam desempenho altíssimo no trabalho. Isso me faz querer pesquisar como podemos remover essas barreiras para que elas possam brilhar ainda mais." 

  

O impacto que permanece 

 

Além do conhecimento acadêmico, Cindy destaca outros aspectos que tornaram a experiência marcante: a proximidade dos professores, a troca constante com os colegas e oportunidades únicas vividas durante o curso, como acompanhar o período da COP30 no Brasil. 

"Os professores são muito acessíveis. Existe uma disposição enorme para ajudar. E os colegas se tornaram amigos, parceiros e uma rede que permanece." Ao olhar para trás, ela percebe o quanto seus objetivos mudaram ao longo da jornada. "Esse caminho era um caminho que eu não imaginava seguir no começo do mestrado. E essa é a graça dele." 

Hoje, quando fala sobre sustentabilidade, Cindy já não pensa apenas em carbono ou mudanças climáticas. "Entrei falando de carbono e estou saindo com justiça social. Tudo é importante, mas, se a gente não começar a tratar o ser humano direito, também não vai adiantar nada." 

Mais do que ampliar competências ou abrir portas na carreira, o mestrado ajudou Cindy a encontrar um propósito. "Eu realmente acredito que encontrei um assunto no qual consigo fazer a diferença. Isso importa. E eu tenho um papel nisso." 

 

Conheça mais do Mestrado Profissional em Sustentabilidade aqui

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