VOTO A VOTO | Prefeito aliado vale um Pix
Joyce Luz e George Avelino analisam como alianças partidárias entre deputados e prefeitos se relacionam à distribuição de emendas parlamentares e discutem seus possíveis efeitos eleitorais.
Qual é o papel dos prefeitos nas estratégias eleitorais dos deputados? E como o crescimento das emendas Pix pode afetar essa relação?
Na nova coluna da série Voto a Voto, parceria entre o Cepesp e a Folha de S.Paulo, Joyce Luz, pesquisadora de pós-doutorado do Cepesp, e George Avelino, professor da FGV EAESP e coordenador do Cepesp, analisam a relação entre alianças partidárias nos municípios e a distribuição de emendas parlamentares.
Os autores retomam estudo publicado em 2012 por Avelino, Ciro Biderman e Leonardo Barone, que mostrou que eleger um prefeito do mesmo partido aumenta de 3 a 5 pontos percentuais a votação dos candidatos a deputado da legenda na eleição seguinte.
A nova análise mostra que municípios governados por prefeitos do mesmo partido do deputado têm de 1,8 a 2,4 vezes mais chance de receber emendas daquele parlamentar. Quando recebem esses recursos, o valor por transferência é, em média, 17% maior. O padrão aparece nos dados de 2018, 2022 e do mandato atual.
O artigo também chama atenção para o crescimento das emendas individuais. Em 2018, um deputado federal que buscava a reeleição executava, em média, R$ 19 milhões por mandato. Em 2022, o valor chegou a R$ 46,9 milhões e, no mandato atual, ultrapassa R$ 102,9 milhões. Criadas em 2020, as emendas Pix já respondem por mais de um terço das emendas no mandato atual.
A partir desses dados, Joyce e George discutem como a expansão das emendas Pix pode estar fortalecendo uma dinâmica eleitoral já existente entre deputados e prefeitos aliados. Os autores também chamam atenção para as dificuldades de fiscalização e de avaliação dos resultados da aplicação desses recursos.
