Entre dois diplomas e um novo jeito de ver o mundo

A decisão de cruzar o oceano não veio por acaso. Para Marina Binetti, aluna do programa de duplo diploma entre a FGV EAESP e a Università Bocconi, estudar no Brasil não era apenas uma possibilidade acadêmica, era o fator decisivo. "Eu não teria escolhido esse mestrado se não fosse pela oportunidade de vir para o Brasil", conta. Entre todas as opções, a América Latina apareceu como um território ainda desconhecido, mas carregado de histórias que a instigavam. E foi justamente essa combinação entre curiosidade e propósito que a trouxe ao Mestrado Profissional em Gestão e Políticas Públicas da FGV EAESP.  

Sem nenhuma vivência fora da Europa até então, Marina enxergou na experiência internacional uma chance de ampliar horizontes. "Eu sempre fui muito dedicada aos estudos, mas queria também viver algo completamente diferente do que estava acostumada". A escolha por um ano inteiro, e não apenas um semestre, também foi estratégica. "Seis meses passam rápido demais. Quando você começa a se adaptar, já está indo embora". 

Ao chegar, as expectativas não apenas se confirmaram, mas foram superadas. "Eu nunca vi um suporte tão grande quanto o da FGV. É algo muito humano, muito próximo". Em um contexto em que viver fora do próprio continente pode trazer inseguranças, esse acolhimento fez diferença. "Você tem medo, dúvidas, coisas inesperadas acontecem. E saber que existe uma equipe que responde em minutos te dá uma sensação enorme de segurança". 

Essa rede de apoio vai além do administrativo. Marina destaca a proximidade com professores e a estrutura oferecida aos alunos. "Os professores são muito disponíveis, existe uma relação verdadeira, não é distante". Para ela, esse ambiente cria condições reais para o desenvolvimento acadêmico e pessoal. 

Dentro e fora da sala de aula, a experiência também surpreendeu. Disciplinas como teoria política e desenvolvimento sustentável trouxeram abordagens pouco convencionais. "Em algumas aulas, aprendíamos fora da sala, em atividades práticas. Foi uma forma muito diferente e interessante de aprender". As atividades extracurriculares e o ambiente dinâmico da escola também contribuíram para essa imersão. 

Mas talvez o maior aprendizado tenha vindo do lado de fora dos muros da universidade. Em São Paulo, Marina encontrou uma cidade vibrante, diversa e cheia de contrastes. "O que mais me impressiona é como a arte e a cultura são usadas como ferramentas de desenvolvimento social". Ela se encantou com iniciativas em comunidades que utilizam cinema, teatro e fotografia para promover inclusão. "Na Europa, muitas vezes a cultura é restrita a poucos. Aqui, ela é um instrumento de transformação". 

Essa vivência despertou novas ambições. "Eu gostaria de trabalhar com desenvolvimento humano e arte, em diferentes países". A experiência no Brasil ajudou a transformar um interesse difuso em um caminho possível. Ao mesmo tempo, o contato com diferentes realidades trouxe reflexões profundas. "Eu me tornei mais humilde, redefini minhas prioridades. Coisas que pareciam distantes agora estão na minha frente. É transformador". O idioma também entrou nessa equação. Aprender português, segundo ela, é um diferencial competitivo. "Na Europa, quase ninguém estuda português. Isso te coloca um passo à frente, especialmente em contextos de negócios com países que falam essa língua". 

A vivência internacional também se estende às conexões humanas. "Você encontra pessoas muito parecidas com você, que também decidiram sair da zona de conforto". Entre colegas e brasileiros, Marina construiu uma rede diversa, curiosa e aberta ao diálogo. "Eu gosto de conversar com todo mundo, entender as histórias, as origens. É como se eu estivesse sempre entrevistando as pessoas". E há, claro, o Brasil que se vive intensamente. "Tudo aqui é uma oportunidade para estar junto, celebrar, compartilhar". 

Para quem ainda está em dúvida sobre dar esse passo, Marina dá o recado. "É uma das últimas chances que você tem, antes da vida profissional, de viver algo completamente novo". Mais do que um diferencial no currículo, ela enxerga a experiência como um processo de autoconhecimento. "Você descobre quem você é, o que quer, onde quer estar. É algo que muda sua forma de ver o mundo". 

No fim, o que começa como uma escolha acadêmica se transforma em algo muito maior. Uma jornada que atravessa fronteiras geográficas, culturais e pessoais. E que, para muitos, redefine não apenas a carreira, mas o próprio sentido de futuro.  

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