Seminário na FGV EAESP debate empreendedorismo popular e políticas públicas
Evento reuniu pesquisadores, representantes de organizações e especialistas para discutir transformações no mundo do trabalho, perspectivas dos empreendedores e políticas de inclusão produtiva
O empreendedorismo popular foi tema de debate na FGV EAESP no início de setembro, durante o seminário "Empreendedorismo Popular e Políticas Públicas". Promovido pelo Centro de Estudos em Administração Pública e Governo (CEAPG) e pelo Centro de Estudos de Microfinanças e Inclusão (FGVcemif), o evento reuniu pesquisadores, especialistas, representantes de organizações e empreendedores para discutir a trajetória recente do fenômeno no Brasil e os desafios para a formulação de políticas públicas voltadas ao setor.
Realizado em formato híbrido no Salão Nobre da FGV EAESP e no YouTube, o seminário foi aberto ao público geral e contou também com a participação de estudantes de graduação, mestrado e doutorado. Ao longo do dia, as discussões abordaram aspectos sociológicos do empreendedorismo popular, a perspectiva dos próprios empreendedores e as políticas públicas relacionadas ao tema.
Na abertura, os professores e coordenadores do encontro Lauro Gonzalez, Luís Paulo Bresciani e Daniel Pereira Andrade destacaram a importância de ampliar o debate sobre o empreendedorismo popular e compreender suas diferentes dimensões.
Empreendedorismo e transformações no mundo do trabalho
A primeira mesa discutiu os aspectos sociológicos do empreendedorismo popular. Jacob Carlos Lima, professor da UFSCar, apresentou um panorama histórico do tema e destacou como a informalidade e o empreendedorismo passaram por diferentes interpretações nas últimas décadas. Segundo ele, o fenômeno também se relaciona às transformações do mercado de trabalho e à expansão de novas formas de atividade, incluindo aquelas mediadas por plataformas digitais.
Maria Carla Corrochano, também professora da UFSCar, apresentou reflexões a partir de pesquisas com jovens e suas relações com o trabalho. Entre os pontos discutidos esteve a percepção sobre as diferentes formas de inserção profissional e a busca por autonomia, renda e condições de trabalho.
Henrique Costa, professor da UFBA e pesquisador do CEBRAP, abordou a relação entre juventude, periferia e empreendedorismo. A discussão considerou como a ideia de geração de renda está presente na trajetória de jovens de diferentes contextos sociais e os desafios associados às condições de trabalho.
A perspectiva dos empreendedores
A segunda mesa reuniu Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva; Matheus Toledo, coordenador no Núcleo de Opinião Pública, Pesquisas e Estudos da Fundação Perseu Abramo; Edgard Barki, coordenador do Centro de Empreendedorismo da FGV EAESP; e Maurício de Almeida Prado, diretor executivo da Plano CDE.
Renato Meirelles apresentou dados sobre as aspirações dos brasileiros em relação ao empreendedorismo e destacou a importância de compreender as motivações de quem escolhe essa trajetória profissional. Para ele, aspectos como autonomia, renda e possibilidade de administrar o próprio tempo têm ganhado espaço na percepção sobre o trabalho.
Maurício de Almeida Prado discutiu a relação entre empreendedorismo e emprego formal e destacou o crescimento do empreendedorismo nos últimos anos. Segundo ele, diferentes formas de trabalho podem coexistir e as escolhas profissionais são influenciadas por fatores como oportunidades, escolaridade, digitalização, flexibilidade e mudanças nas expectativas dos trabalhadores.
Matheus Toledo trouxe para o debate a experiência de trabalhadores em atividades com condições consideradas pouco atrativas, enquanto Edgard Barki chamou atenção para a diversidade de significados associados ao termo "empreendedorismo" e para a necessidade de considerar as diferenças entre empreender em distintos contextos sociais.
Políticas públicas e inclusão produtiva
Na terceira mesa, o debate se concentrou nas políticas públicas para o empreendedorismo popular. Participaram Ana Cristina Costa, do BNDES; Mariana Giroto, do Instituto Paul Singer; e Luís Paulo Bresciani, professor da FGV EAESP.
Mariana Giroto abordou as transformações no mundo do trabalho, além de temas como saúde mental, regulamentação e economia solidária. Ela também apresentou o histórico de políticas relacionadas à economia solidária e iniciativas mais recentes voltadas à economia popular.
Bresciani destacou a diversidade do empreendedorismo popular e a necessidade de políticas públicas capazes de considerar diferentes perfis, interesses e tipos de atividade. Entre as possibilidades discutidas estiveram iniciativas de capacitação, acesso ao crédito, compras públicas e medidas de infraestrutura e apoio para trabalhadores que atuam no espaço urbano.
Ana Cristina Costa apresentou iniciativas do BNDES voltadas às periferias, incluindo a criação de espaços coletivos para geração de trabalho e renda. A discussão também abordou desafios relacionados à institucionalização dessas iniciativas e à construção de cidades mais inclusivas, com investimentos em gestão, saúde, educação, mobilidade urbana e adaptação.
Ao reunir diferentes perspectivas acadêmicas, institucionais e de organizações que atuam diretamente com o tema, o seminário buscou contribuir para a compreensão do empreendedorismo popular no Brasil e para o debate sobre caminhos de inclusão produtiva e redução das desigualdades.
