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Agricultura urbana nas cidades brasileiras: formação para lideranças políticas

Fortalecendo agendas municipais de agricultura urbana e periurbana (AUP) nas cidades.

                                                                                                                                                                                                                                                                                        

 No Brasil cerca de 85% da população vive em áreas urbanas, as cidades se tornaram espaços centrais tanto para o consumo de alimentos quanto para o enfrentamento de problemas como insegurança alimentar, desigualdades sociais e os impactos da crise climática. 

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Na busca por garantir direitos fundamentais e enfrentar desafios sociais estruturais, o Governo Federal, por meio do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), tem desenvolvido estratégias voltadas à promoção de sistemas alimentares mais justos e sustentáveis.  

Nesse contexto, a agricultura urbana e periurbana (AUP) tem se consolidado como uma agenda estratégica para o desenvolvimento urbano sustentável. A partir de pesquisas e projetos desenvolvidos pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas (FGVces), como o Guia para agendas municipais de Agricultura Urbana e Periurbana, pesquisas e estudos realizados em diferentes cidades brasileiras, a agricultura urbana tem sido compreendida não apenas como prática produtiva, mas como política pública capaz de integrar inclusão social, desenvolvimento econômico local e sustentabilidade ambiental. 

Ao ampliar o acesso a alimentos frescos e saudáveis, fortalecer econmias locais, promover educação alimentar, gerar renda e mobilizar comunidades, a AUP contribui diretamente para a melhoria da qualidade de vida nas cidades. Além disso, desempenha um papel relevante na adaptação climática, na recuperação de áreas degradadas, na qualificação do ambiente urbano e na integração entre natureza e planejamento das cidades. 

No Brasil, essa agenda tem avançado com forte protagonismo municipal, apoiada por marcos institucionais nacionais, como o Programa Nacional de Agricultura Urbana e Periurbana, e por um reconhecimento crescente do papel das cidades no enfrentamento da fome e das mudanças climáticas. Trata-se, portanto, de uma agenda contemporânea e indispensável para o futuro urbano. 

Formação em Agricultura Urbana para Lideranças Políticas

A partir da compreensão de que não é possível enfrentar a fome sem considerar os territórios urbanos, foi desenvolvida pelo FGVces a Formação em Agricultura Urbana para Lideranças Políticas. Essa iniciativa integra as ações do MDS no âmbito da Estratégia Alimenta Cidades, que reconhece que os governos municipais desempenham um papel central na implementação de políticas públicas voltadas à promoção de sistemas alimentares sustentáveis. 

A formação busca fortalecer a capacidade de atuação de gestores públicos e lideranças da sociedade civil para ampliar a produção, o acesso, a disponibilidade e o consumo de alimentos adequados e saudáveis, com atenção especial aos territórios periféricos urbanos e às populações em situação de vulnerabilidade social. 

Forma de atuação

A formação foi estruturada a partir da combinação de encontros virtuais e presenciais. Essa abordagem permite articular aprofundamento conceitual e momentos de imersão voltados à troca de experiências entre os municípios participantes. 

Um dos eixos centrais da formação é o desenvolvimento de projetos piloto municipais. Os projetos piloto funcionam como espaços de experimentação e aprendizagem prática, permitindo que conceitos, ferramentas e estratégias discutidos ao longo da formação sejam aplicados diretamente a desafios reais enfrentados pelos municípios. Delegações de cada cidade são convidadas a elaborar uma proposta de  iniciativa local de agricultura urbana durante o processo formativo. 

Objetivos

A iniciativa busca contribuir para o desenvolvimento institucional de agendas de agricultura urbana e periurbana, fortalecendo a atuação de lideranças da gestão pública e da sociedade civil como agentes de transformação local. Para isso, a formação se orienta pelos objetivos específicos: 

  • Promover o nivelamento conceitual sobre agricultura urbana e periurbana e seus instrumentos de política pública; 
  • Sensibilizar gestores e gestoras municipais quanto à importância da AUP para o planejamento urbano sustentável; 
  • Estimular o diálogo intersetorial dentro da gestão pública municipal; 
  • Incentivar a participação da sociedade civil na formulação, implementação e monitoramento de políticas locais de AUP; 
  • Apoiar a estruturação de agendas municipais de agricultura urbana alinhadas aos desafios sociais, ambientais e alimentares das cidades

Ciclos da formação

A formação é realizada em 2 ciclos anuais (2025 e 2026), organizados em módulos virtuais e presenciais e estruturados em torno do desenvolvimento de projetos piloto municipais. 

Módulo virtual

Eencontros online voltados à construção de bases conceituais, apresentação de experiências e estudos de caso, e trocas entre especialistas, gestores públicos e representantes da sociedade civil sobre o tema de agricultura urbana. 

Módulo presencial

Eencontros realizados em 6 cidades que anfitriam as atividades imersivas, visitas às iniciativas de agricultura urbana e do entorno das cidades. 

Projetos-piloto,

Cada delegação municipal elabora um projeto a partir dos desafios e das janelas de oportunidade identificados por gestores públicos e representantes da sociedade civil. As propostas articulam os conceitos e instrumentos de política pública abordados ao longo do percurso formativo e preveem estratégias de implementação voltadas a enfrentar desafios concretos dos territórios. 

1º ciclo – 2025

Realizado entre maio e outubro de 2025, o primeiro ciclo reuniu 20 municípios brasileiros interessados em fortalecer agendas locais de agricultura urbana e periurbana. Ao longo da formação, gestores públicos e representantes da sociedade civil participaram de encontros virtuais, atividades presenciais e desenvolveram projetos piloto voltados à implementação de iniciativas de AUP em seus territórios. 

2º ciclo – 2026

O segundo ciclo da formação ocorre entre maio e novembro de 2026, ampliando o alcance da iniciativa com a participação de mais 24 municípios brasileiros. A nova etapa dá continuidade à metodologia desenvolvida no primeiro ciclo, fortalecendo a rede de aprendizagem entre cidades comprometidas com o desenvolvimento de agendas municipais de agricultura urbana e periurbana. 

Parceiros

A formação conta com a colaboração de organizações que atuam no fortalecimento de sistemas alimentares em direção a um futuro mais justo, saudável e sustentável. 

Financiadores