Projeto prepara pequenas e médias empresas para a adoção de práticas de economia circular
Iniciativa realizada pelo FGVces em parceria com as câmaras de comércio espanholas envolveu PMEs das cadeias de valor da Telefônica-Vivo e Neoenergia. Resultados e impactos foram apresentados no evento de encerramento
Ao longo de 20 meses de trabalho, o projeto "Ancorando Cadeias de Valor Sustentáveis no Brasil" promoveu a gestão para sustentabilidade e a adoção de práticas de economia circular entre pequenas e médias empresas brasileiras conectadas às cadeias de valor de duas grandes empresas-âncora no país: Telefônica-Vivo e Neoenergia.
Em um evento realizado na EAESP FGV com a participação de mais de 80 pessoas, a equipe de pesquisa e os parceiros realizadores do projeto fizeram um balanço dos resultados e impactos da iniciativa, além de promover rodas de conversa sobre o futuro da economia circular no Brasil.
A abertura do encontro foi feita por Ana Coelho, pesquisadora e coordenadora de projetos do FGVces; Pilar Blanco-Rodríguez, Especialista em Projetos da Delegação da União Europeia no Brasil; Luis Rodriguez, Diretor Adjunto do Departamento Internacional da Câmara de Comércio da Espanha; e Alejandro Gómez Gil, Diretor Executivo da Câmara Oficial Espanhola de Comércio no Brasil.
Resultados gerados
Beatriz Brandão, pesquisadora e gestora do projeto pelo FGVces , foi a responsável por apresentar as atividades e impactos gerados, além de relembrar as frentes de atuação da iniciativa:
- Desenvolvimento de capacidades
- Produção de conhecimento
- Redes e intercâmbio
- Integração e divulgação
Entre outros dados, foram destacados os seguintes impactos diretos (dados referentes a uma amostra de 27 micro, pequenas e médias empresas - MPME):
24 tiveram melhoria na gestão ambiental, com a adoção de práticas de preservação ambiental, economia circular, logística reversa, redução de emissões de GEE, reaproveitamento de água, dentre outras.
24 viram melhoria na gestão social, com a adoção de práticas de gestão de riscos relacionados a direitos humanos, desenvolvimento da comunidade local, promoção de direitos do trabalho, políticas de diversidade, inclusão e equidade, dentre outras.
23 tiveram melhoria na governança corporativa, com fortalecimento de ações já existentes, realização de auditorias, análise de materialidade, relatórios de sustentabilidade, criação de conselhos, dentre outras.
27 se consideram mais conscientes sobre economia circular.
22 implementaram / estão implementando ações e programas de economia circular, como reutilização de materiais, reciclagem, logística reversa, educação ambiental, gestão de resíduos, dentre outras.
4 buscaram / estão buscando certificação de sustentabilidade, como 4C, ISO 14001, GHG Protocol Brasil etc.
20 identificaram potenciais parcerias, oportunidades comerciais ou de investimento.
8 tiveram aumento na receita.
A experiência das empresas participantes
Tanto as empresas-âncora como as PMEs também tiveram a oportunidade de compartilhar suas experiências com o projeto.
Marsuri Romero, da Telefônica-Vivo, destacou que a iniciativa trouxe reflexões sobre a importância de trabalhar cadeias de valor dentro do processo produtivo, expandindo o olhar às PMEs. “Vocês vieram nos sinalizar da possibilidade e dessa importância de olhar para as pequenas e médias empresas. Nós percebemos que tínhamos um desafio, mas também uma oportunidade de trabalhar com outras parceiras”, afirmou.
Já Adriana Nascentes, da âncora Neoenergia, ressaltou que o projeto possibilitou não só a melhora, mas o reconhecimento de práticas sustentáveis já realizadas. A especialista em sustentabilidade também destacou a qualidade dos temas abordados nas oficinas. “Os conteúdos foram extremamente assertivos e relevantes”, declarou. A jornada formativa abordou temáticas ligadas à materialidade, importância dos reports, transparência, economia circular, inventário de GEE (gases do efeito estufa) e direitos humanos.
Jonathan Muniz, Coordenador de Sistema de Gestão Integrado da PSI Energy, Luiz Rezende, Diretor Administrativo da ADM Engenharia, e Fabiana Silva, Gerente de Controle, Auditoria e Compliance da Fibrasil, foram os convidados para representar as PMEs. Com depoimentos complementares, enfatizaram a importância de ter uma empresa-âncora incentivando esse processo de transição na cadeia de valor e comentaram a importância da jornada formativa e de seus impactos na cultura e nas práticas das empresas (leia outros depoimentos aqui).
Ao longo do evento, ficaram evidentes as conexões criadas e a rede de empresas e organizações interessadas na promoção e implementação da economia circular nas cadeias de valor.
World Café
Antes do encerramento, ocorreu o World Café, dinâmica na qual as pessoas participantes do evento se dividiram em grupos e debateram caminhos para avançar a economia circular no Brasil. Os convidados e temas dos grupos foram:
Na dinâmica, se destacaram a partilha de conhecimento na resolução de problemas por parte dos próprios representantes das empresas, ressaltando a importância do trabalho de redes e intercâmbio salientada no programa.
Sobre o projeto
O projeto Ancorando Cadeias de Valor Sustentáveis no Brasil visa apoiar a transição para uma economia circular e de baixo carbono, com base no fortalecimento da gestão para a sustentabilidade em pequenas e médias empresas inseridas em cadeias de valor de grandes empresas no país.
A iniciativa integra o programa AL-INVEST Verde, financiado pela União Europeia, e é realizada pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade da EAESP FGV em parceria com a Câmara de Comércio da Espanha e a Câmara Oficial Espanhola de Comércio no Brasil.
Saiba mais em: https://eaesp.fgv.br/centros/centro-estudos-sustentabilidade/projetos/ancorando-cadeias-valor-sustentaveis-brasil
