Resultados do primeiro ciclo do projeto Cinturão+Verde são apresentados na Escola de Agroecologia de Parelheiros

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Resultados do primeiro ciclo do projeto Cinturão+Verde são apresentados na Escola de Agroecologia de Parelheiros

30.06.2022
Resultados do primeiro ciclo do projeto Cinturão+Verde são apresentados na Escola de Agroecologia de Parelheiros

Com a presença de dezenas de agricultores, o FGVces realizou um evento na Escola de Agroecologia de Parelheiros, em São Paulo, para apresentar os resultados do primeiro ciclo do projeto Cinturão+Verde, cujos objetivos são promover a adaptação às mudanças do clima pela agricultura familiar no Cinturão Verde de São Paulo, um dos principais polos brasileiros de produção de hortaliças.

Iniciada em abril de 2021, a iniciativa patrocinada pela Citi Foundation contemplou uma série de atividades, entre as quais a realização de análises sobre os riscos climáticos que incidem sobre a bacia do Alto Tietê e sobre os níveis de vulnerabilidade e exposição dos agricultores que atuam no território; três rodadas de oficinas com grupos de agricultores para a apresentação das análises e a construção coletiva de planos de adaptação; e uma sistematização dos aprendizados, com indicação dos desafios e oportunidades para a implementação das ações de adaptação.

Ana Coelho, coordenadora do programa 'Sustentabilidade nas Cadeias de Valor', do FGVces (do qual o projeto Cinturão+Verde faz parte), apresentou uma síntese dos principais pontos do projeto e destacou a urgência das medidas de adaptação, tendo em vista o aumento da frequência de eventos extremos (chuvas intensas, dias muitos quentes ou muito frios) na região, como mostram as evidências coletadas.

 

 

Casos inspiradores

O encontro também serviu para apresentar iniciativas que já estão promovendo a adaptação de agricultores familiares à mudança do clima e podem ser replicadas em escala. O projeto selecionou sete casos para servir de referência. São eles:

  • Mulheres do GAU (grupo de mulheres que fazem agricultura urbana agroecológica na Zona Leste de São Paulo);
  • Fundo Agroecológico (FUA, da zona sul do município de São Paulo, que busca adquirir propriedades rurais e destiná-las à produtores familiares agroecológicos como forma de conter o avanço da mancha urbana);
  • Sistema de Plantio Direto de Hortaliças (SPDH), desenvolvido pela Empresa de Pesquisa e Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), que visa reduzir o estresse climático e de manejo na produção;
  • Agrosmart (startup capixaba, que fornece um pacote de informações climáticas diárias e precisas, bem como alertas para produtores de café, facilitando a resiliência climática deles);
  • Célula de Consumidores Responsáveis, desenvolvidas pelo Laboratório de Comercialização da Agricultura Familiar (LACAF/UFSC), um projeto de extensão universitária em Santa Catarina que tem o objetivo de ampliar o acesso a mercados para agricultores familiares da região, que compartilham as decisões e os riscos da produção com os grupos consumidores;
  • Escola de Agroecologia de Parelheiros, de São Paulo, local de ensino e aprendizagem sobre agroecologia, onde foi realizado o evento;
  • Projeto de Segurança energética, hídrica e alimentar em localidades de produção de base agroecológica na região Metropolitana de Porto Alegre, desenvolvido pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), com o objetivo de consolidar sistemas de produção sustentáveis num grupo de cooperativas da região. 

Para baixar as fichas técnicas dos casos selecionados, clique aqui

Os representantes das experiências selecionadas receberam um certificado do projeto, apresentaram ao público as iniciativas lideradas por suas organizações e ainda comentaram os desafios que enxergam em relação à adoção de medidas de adaptação.

Anita Valente da Costa, do FUA, por exemplo, destacou a importância de conter o avanço da urbanização sobre terras agricultáveis e garantir, especialmente às mulheres, o acesso à terra, enquanto Dona Helena, do coletivo Mulheres do GAU ressaltou a importância da nova geração e da luta coletiva para a valorização dos agricultores e das práticas agroecológicas. "Temos que lutar ou ao menos tentar fazer um mundo diferente", falou.

Repensar as maneiras de comercialização dos alimentos é outro ponto central nesta pauta, pontuou Estevan Muñoz, da UFSC, bem como o desenvolvimento e a disseminação ampla de novos conhecimentos e técnicas, apontaram Marcelo Zanella, da Epagri, Andressa Piccin, da Agrosmart, e Paulo Nascimento, da UFRGS.

Os agricultores e demais participantes tiveram ainda a oportunidade de fazer uma visita guiada pelas vitrines demonstrativas de técnicas sustentáveis da Escola de Agroecologia de Parelheiros, outro caso selecionado, e conhecer todo repertório variado de técnicas e recursos da agroecologia que podem ser replicados. A atividade foi conduzida por Tathiana Popak.

 

Grupos de agricultores  

Os 10 grupos de agricultores que participaram diretamente do projeto foram:  

  • CAMAT - Cooperativa Agrícola Mista do Alto Tietê, de Salesópolis; 

  • COOPAVAT - Cooperativa dos Produtores Agrícolas do Cinturão Verde do Alto Tietê, de Mogi das Cruzes, Assentamento Chácara dos Baianos; 

  • COOPROJUR - Cooperativa dos Produtores Rurais de Jundiapeba e Região, de Mogi das Cruzes, Assentamento Chácara dos Baianos; 

  • COOPASAT - Cooperativa dos Produtores Agrícolas Solidários do Alto Tietê, de Mogi das Cruzes, Assentamento Chácara dos Baianos; 

  • AAZL - Associação de Agricultores da Zona Leste, de São Paulo, Zona Leste (São Mateus); 

  • COOPROAT - Cooperativa dos Produtores Rurais do Alto Tietê, de Biritiba-Mirim; 

  • Grupo Parelheiros 1, de São Paulo, Zona Sul (Parelheiros), articulado pelo Fundo Agroecológico; 

  • Grupo Parelheiros 2, de São Paulo, Zona Sul (Parelheiros), articulado pelo Projeto Ligue os Pontos e Prefeitura Municipal de São Paulo; 

  • Grupo Suzano, de Suzano, articulado pela CATI, Sindicato Rural e Prefeitura Municipal de Suzano; 

  • Associação de Produtores e Trabalhadores Rurais do Casqueiro, de Biritiba-Mirim. 

A equipe de pesquisadores do FGVces analisou tanto a dinâmica da agricultura nos territórios selecionado quanto as tendências climáticas que neles incidem e, a partir disso, estruturou três momentos de interação com os agricultores. O percurso formativo culminou com a construção coletiva de um plano de ação para medidas adaptativas às mudanças climáticas para cada grupo.    

Durante o evento, eles também receberam certificados de participação e puderam comentar o impacto do projeto. “Cada vez mais a gente enxerga a importância das cooperativas e associações, pois o problema do clima está se agravando e exige ações conjuntas, coordenadas, como as propostas pelo projeto”, afirmou Fernando Sussumu Kamiya, da COOPROAT.  

Representando a CAMAT, Antônio Camargo Neto, mais conhecido como Ticão, falou sobre as mudanças já iniciadas na dinâmica da agricultura de seu grupo. “Nós estamos há 30 anos atuando na silvicultura, lidando com eucaliptos para fornecer celulose. Mas agora estamos implantando a diversificação de culturas com foco nas mulheres e em seus filhos para manter as pessoas na terra. O fornecimento de dados e estatísticas pela Fundação Getulio Vargas foi muito importante para esse processo”, afirmou.   

Roda de conversa sobre os desafios

O evento encerrou com uma roda de conversa com a participação de Eliane Cordeiro, agricultora de Biritiba-Mirim e integrante da Cooperativa dos Produtores Rurais do Alto Tietê (COOPROAT), David Rodrigues, diretor da CATI Regional de Mogi das Cruzes, e Paulo Nascimento, professor da UFRGS.

Mediado por Samuel de Mello Pinto, pesquisador do FGVces, o debate abordou meios para reduzir as vulnerabilidades dos agricultores, especialmente as perdas de produção, em função dos eventos climáticos extremos. A necessidade de oferecer mais apoio técnico foi ressaltada, bem como a importância da criação de políticas públicas e da diversificação das fontes de renda. 

Em breve, os resultados do primeiro ciclo do projeto estarão disponíveis para consulta por meio de uma publicação institucional. 

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