“É preciso fortalecer os programas de apoio ao aluguel, a moradia como serviço”, defende pesquisadora do FGV Cidades

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Pesquisadora do FGV Cidades, Cláudia Acosta participou do Programa Alesp em Pauta debatendo os desafios da habitação no Brasil

Pesquisadora do FGV Cidades, Cláudia Acosta participou do Programa Alesp em Pauta debatendo os desafios da habitação no Brasil

 

Como a tecnologia pode auxiliar no enfrentamento aos desafios habitacionais brasileiros? Foi a partir dessa questão central que o programa “Alesp em Pauta” trouxe para o centro dos debates a política de habitação no Brasil. O programa contou com a participação da coordenadora da linha de Habitação do FGV Cidades, Cláudia Acosta, e do Especialista em Habitação de impacto social Caio Belazzi.

Os convidados falaram sobre os principais pontos que caracterizam o problema de acesso a uma moradia em aluguel no país, que passa pelo aumento do preço da moradia, a dificuldade de acesso à casa própria especialmente entre a população de menor renda e mais jovem, até os processos de informalidade e precarização dos aluguéis e a segregação espacial.

Doutora em Administração Pública, Claudia Acosta ressaltou o problema das desigualdades de oportunidades que estão implicadas nesse cenário. Segundo ela, em muitas situações, as pessoas são obrigadas a abrir mão de componentes que configuram as condições básicas de desenvolvimento humano – como acesso a transporte, educação, creches e até mesmo segurança-, para acessar uma moradia, mesmo que precária, por conta das limitações econômicas e das barreiras dos mercados formais de aluguel.

“Nossas cidades são cidades muito segregadas - você tem uma área privilegiada que tem boa parte dessas coisas, e outras que não têm quase nada, como se fossem extremos. Em mercados que funcionam tão mal, ocorrem situações delicadas de falta de oportunidades - é como se a pessoa ficasse presa em um lugar que não oferece a ela nada além do teto, e não aquele conjunto de coisas que a gente quer para ter desenvolvimento humano”, destacou.

Como medida para melhorar esse cenário, segundo a pesquisadora, é preciso diversificar a política habitacional, superando o tradicional modelo centrado na casa própria, que posiciona os aluguéis sociais apenas como medidas emergenciais para pessoas em situação de risco.

“Temos que diversificar (a política) e fortalecer mais os programas de aluguel, ou seja, da moradia que a gente chama como serviço. O aluguel cresceu como opção e ele precisa também encontrar um espaço na política pública. O outro caminho são aquelas soluções que sempre foram pensadas como emergenciais, serem estruturadas melhor. Existem pessoas cadastradas no programa de bolsa aluguel há mais de 10 anos; isso não tem nada de emergencial”, pontuou Cláudia, defendendo o papel central das tecnologias nesse processo e mais coordenação entre os níveis municipal e estadual. 

Para Caio Belazzi, a tecnologia pode atuar como facilitadora, tanto na organização do acervo de imóveis disponíveis, quanto na própria gestão da política pública, em programas como o bolsa aluguel. “Imaginem vocês que gerir e saber como esse recurso vem sendo aplicado pelo beneficiário é fundamental para permitir que a política pública alcance o seu objetivo. [...] E a tecnologia também pode ser utilizada para levantar o risco dessas operações de locação de modo a permitir que o próprio poder público ou até atores da iniciativa privada e da sociedade civil constituam fundos que permitam operacionalizar esse aluguel para pessoas mais necessitadas e eliminar o risco dessa transação”, explicou.

O programa, disponível na íntegra no canal da Alesp no Youtube, é apresentado por Priscila Silvério e tem o objetivo de discutir assuntos de utilidade pública e do Parlamento Paulista.