Como avaliar o potencial de Parques Tecnológicos enquanto agentes de desenvolvimento regional?
Estudo desenvolvido por pesquisadores do FGV Cidades desenhou modelo lógico sistêmico para avaliação dos PqTecs
Segundo estudo desenvolvido por pesquisadores do FGV Cidades, a avaliação de Parques Tecnológicos (PqTec) como política pública baseada em ecossistemas urbanos de inovação demanda uma abordagem sistêmica, capaz de identificar os seus múltiplos tipos de impacto. O trabalho, de autoria de Patricia Mello e Maurício Serra, foi apresentado no congresso “FGKD24 - Distritos do Conhecimento de Quarta Geração 2024”, realizado em Campinas.
A proposta do estudo era desenvolver um modelo lógico sistêmico para avaliar a performance de Parques Tecnológicos (PqTec) como política pública urbana destinada à promoção do desenvolvimento regional e global.
“Este artigo parte da hipótese de que os desafios a serem enfrentados pela política de parques tecnológicos são inúmeros, interconectados e complexos, portanto, a avaliação eficaz dos PqTecs depende do mapeamento e significação desses desafios diante dos retornos públicos esperados desses ecossistemas de inovação. Não é suficiente um modelo linear, direto e rígido replicado de maneira não-crítica e independente do contexto”, afirma Patricia Mello.
Foram analisados 65 casos internacionais, com o auxílio do software de análise de conteúdo Atlas Ti, identificando os tipos de impacto urbano, condições, atores e interações necessárias para alcançá-los, bem como os incentivos necessários para enfrentamento dos desafios complexos.
“Utilizando o Atlas Ti, exploramos as categorias emergentes e as relacionamos aos diferentes tipos de desenvolvimento identificados, formando a base para um modelo lógico que poderia orientar futuras avaliações dos impactos dos PqTec em suas regiões”, explicou Patricia.
Modelos lógicos na avaliação dos PqTecs
Gestores dependem de ferramentas que os auxiliem na tomada de decisão, bem como na avaliação de políticas e projetos. É nesse contexto que entram os modelos lógicos. O método auxilia na sistematização de processos complexos, considerando elementos como insumos necessários, atores envolvidos, produtos e resultados monitoráveis.
Com essa abordagem, é possível fazer uma representação dos múltiplos elementos que atuam no processo de implementação das políticas públicas mapeando demandas, ações, problemas e possíveis resultados.
Segundo os pesquisadores, no caso dos PqTecs, a avaliação por meio de modelos lógicos enfrenta desafios que resistem às soluções tradicionais, por conta da natureza híbrida dos objetivos desses ecossistemas de inovação.
“Os modelos lógicos tradicionais, focados em relações causais lineares e claras, muitas vezes falham em captar a complexidade desses ambientes. Portanto, é necessário adaptar os modelos de avaliação para refletir a interação dinâmica e as incertezas dos produtos gerados nos PqTecs”, ressaltam.
Análise sistêmica

A análise de conteúdo revelou sete tipos de desenvolvimento gerados pelos parques tecnológicos ao redor do mundo - econômico, inovativo, cultural, acadêmico, urbano, social e de governança -, que devem ser considerados de forma sistêmica na avaliação dessa política de inovação, segundo os pesquisadores. O desenvolvimento urbano aparece como central, segundo eles, integrando os demais tipos de desenvolvimento, por meio de uma “rede de interações” que se efetivam no território.
“Avaliar os Parques Tecnológicos (PqTec) exige uma compreensão profunda dos múltiplos desenvolvimentos que eles fomentam. Em nosso estudo, identificamos sete tipos de desenvolvimento que, embora distintos, são interdependentes e necessitam ser avaliados dentro de uma perspectiva mais sistêmica”, defendem.
No modelo lógico sistêmico, proposto pelos autores, são consideradas as condições necessárias, ações e incentivos, problemas e resultados esperados, articulando os sete tipos de desenvolvimento que apareceram no levantamento.
Assim, segundo os autores, é possível abordar toda a “complexidade dos PqTecs como ecossistemas de inovação”, abrindo caminhos para políticas públicas e intervenções que permitam maximizar os benefícios gerados para as cidades e regiões onde os PqTecs estão inseridos.
"Como parques tecnológicos são estruturas imobiliárias, previamente planejadas para acomodar em um mesmo espaço físico atores públicos privados e científicos, espera-se que além de impactos como sofisticação produtiva, empreendedorismo inovador e estratégicos acoplamentos nas redes globais de produção, sejam igualmente perseguido o desenvolvimento urbano sustentável ambiental, social e em governança", ressaltaram os pesquisadores no artigo.
Por Clarissa Viana/ FGV Cidades
Foto: Larissa Nóbrega
MELLO, Patricia; SERRA, Maurício. Os efeitos locais e globais da política de parques tecnológicos: uma proposta de modelo lógico de avaliação. Distritos do Conhecimento de Quarta Geração, vol. 7, n. 1, maio 2024, p. 376-393. Disponível em: https://www.proceedings.blucher.com.br/article-details/os-efeitos-locais-e-globais-da-poltica-de-parques-tecnolgicos-uma-proposta-de-modelo-lgico-de-avaliao-39291.
