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Cidades que cultivam: evidências e práticas para o fortalecimento da agrobiodiversidade urbana no Brasil

Promoção da agroecologia e da conservação da agrobiodiversidade em espaços urbanos e periurbanos por meio da geração de evidências que visibilizem e incorporem na tomada de decisão os múltiplos valores econômicos, ambientais e sociais da agricultura urbana e periurbana. 

Cidades que cultivam: evidências e práticas para o fortalecimento da agrobiodiversidade urbana no Brasil

Preservar a diversidade genética de plantas, animais e microrganismos que sustentam nossos sistemas produtivos é condição essencial para a segurança alimentar e a resiliência dos ecossistemas. Essa riqueza biológica está diretamente ligada a um componente sociocultural: ela é fruto dos saberes e práticas de manejo desenvolvidas pelas sociedades ao longo do tempo, especialmente por povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares. Essa diversidade genética, de espécies, de ecossistemas e sociocultural é o que chamamos de agrobiodiversidade.

Ainda assim, o modelo agroalimentar dominante seguiu um caminho de homogeneização, substituindo os cultivos diversificados baseados nos saberes desses povos por sistemas padronizados, pautados na monocultura e no uso intensivo de insumos externos - um processo que gera degradação ambiental, aprofunda desigualdades, desconsidera conhecimentos tradicionais e ameaça a continuidade da provisão de alimentos para a população. Por trás desse cenário está uma percepção equivocada: a de que os retornos financeiros de práticas insustentáveis superam os múltiplos benefícios gerados por sistemas agroecológicos e biodiversos.

É nesse ponto que a agricultura urbana e periurbana (AUP) de base ecológica se destaca como parte da solução. Atuando como um laboratório vivo, a AUP preserva espécies, saberes e tradições culturais, ao mesmo tempo em que gera benefícios concretos para as cidades e sua população - da segurança alimentar e do acesso a insumos medicinais à geração de renda, passando pela redução de ilhas de calor e de enchentes, pelo resgate de identidades culturais e pela melhora da saúde mental de quem a pratica, entre muitos outros. Tornar visível essa sinergia de benefícios, com dados e evidências robustas, é fundamental para que a AUP seja reconhecida e fortalecida como estratégia pública diante de ameaças como a especulação imobiliária e a falta de incentivos. É a partir desse racional que nasce o projeto Cidades que cultivam: evidências e práticas para o fortalecimento da agrobiodiversidade urbana no Brasil.

O projeto faz parte da iniciativa TEEBAgriFood no Brasil, e é conduzido pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas (FGVces) e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), com apoio institucional do Governo Federal.

Seu objetivo consiste em promover a agroecologia e a conservação da agrobiodiversidade em espaços urbanos e periurbanos, por meio da geração de evidências que visibilizem e incorporem na tomada de decisão os múltiplos valores econômicos, ambientais e sociais da agricultura urbana e periurbana (AUP).

Para isso, o projeto irá:

  • Gerar evidências de benefícios econômicos, sociais e ambientais obtidos com a agricultura urbana e periurbana de base ecológica para as cidades, e subsidiar decisões para seu escalonamento;

  • Gerar recomendações para a elaboração e aprimoramento da implementação de políticas de fomento e estímulo à agroecologia, conservação da agrobiodiversidade, agricultura urbana e periurbana e sistemas alimentares urbanos.

O ciclo de trabalho atual é conduzido de abril de 2026 a junho de 2027.

Frentes de atuação

O projeto se organiza em três frentes de atuação complementares:

1. Comitê Diretivo multi-atores e multi-nível

Objetivo: constituir uma instância participativa que reúne diferentes atores e níveis de governança para validar pesquisas, refinar recomendações políticas e fortalecer a convergência e a colaboração na agenda de agricultura urbana e periurbana.

Principais atividades:  composição e mobilização de integrantes do Comitê, com atenção à diversidade geográfica, de gênero e de segmentos de atuação, para realização de três reuniões virtuais previstas entre junho e outubro de 2026.

Contribuição: garante legitimidade, pluralidade e alinhamento entre diferentes vozes e escalas de governança na condução do projeto, fortalecendo a colaboração em torno da agenda de AUP.

2. Avaliação participativa do Programa Nacional de Agricultura Urbana e Periurbana

Objetivo: conduzir, no âmbito do Comitê Diretivo, um processo participativo de avaliação do primeiro ciclo de implementação do Programa Nacional de Agricultura Urbana e Periurbana (PNAUP) e construir recomendações para o seu segundo ciclo, à luz da conservação da agrobiodiversidade.

Principais atividades: análise participativa da implementação do primeiro ciclo do PNAUP; elaboração conjunta de recomendações para o ciclo seguinte da política.

Entrega prevista: Relatório técnico com recomendações para subsidiar o segundo ciclo de implementação do PNAUP.

Contribuição: subsidia o aprimoramento de uma política pública nacional estratégica, incorporando a perspectiva da agrobiodiversidade e da experiência acumulada em sua primeira fase. 

3. Estudos de caso em municípios brasileiros

Objetivo: realizar estudos de caso em três municípios brasileiros, envolvendo a valoração econômica e/ou não monetária dos serviços ecossistêmicos e dos benefícios socioeconômicos e culturais proporcionados pelo escalonamento da agricultura urbana e periurbana biodiversa para a população local. Os municípios contemplados neste ciclo do projeto são Belo Horizonte (MG), Curitiba (PR) e Recife (PE).

Principais atividades: seleção dos municípios com base em critérios como maturidade na agenda de AUP, ambição para sua ampliação, engajamento em iniciativas governamentais, disponibilidade de dados e estrutura, e diversidade geográfica; condução dos estudos de valoração com base em dados secundários, complementados por coleta qualitativa em campo; elaboração de recomendações políticas para os municípios atendidos fortalecerem suas agendas de AUP.

Entregas previstas: Policy briefs com resultados dos estudos e recomendações para o fortalecimento da agenda de AUP nos municípios atendidos.

Contribuição: produz evidências concretas e localizadas sobre o valor da AUP biodiversa, fortalecendo o argumento para seu escalonamento e servindo de referência para outras cidades brasileiras. 

Realização

Apoio institucional