Pesquisa lança luz sobre o gaslighting misógino no ambiente corporativo
Artigo de Beatriz Maria Barbosa Braga, professora da FGV EAESP, e Antonio Giurni Camargo, mestre em Gestão de Pessoas pela FGV EAESP, publicado na revista GV Executivo, investiga o fenômeno do gaslighting misógino nas relações de trabalho e suas consequências para profissionais e organizações.
O estudo parte da constatação de que o assédio moral permanece como um desafio relevante no ambiente corporativo, com efeitos diretos sobre a saúde mental, o desempenho profissional e a dinâmica organizacional. Entre as diferentes formas de assédio, o gaslighting misógino se destaca pela sutileza do processo, no qual mulheres passam a desacreditar de suas próprias capacidades, enquanto o agressor frequentemente se coloca como vítima da situação.
Tradicionalmente associado a relações pessoais, o conceito de gaslighting é analisado no contexto organizacional a partir de entrevistas em profundidade com mulheres com carreiras consolidadas. A pesquisa identifica que, no ambiente de trabalho, o fenômeno não depende necessariamente do comprometimento da sanidade mental, mas atua por meio da manipulação psicológica contínua, da desqualificação profissional e do uso de estereótipos de gênero para limitar o desenvolvimento das vítimas.
Os resultados permitiram reconstruir as etapas do processo de gaslighting misógino, desde o ambiente de trabalho até os impactos na carreira das mulheres e os potenciais prejuízos para as empresas, como queda de produtividade, aumento do absenteísmo e dificuldade de retenção de talentos. O artigo contribui para a adaptação de conceitos jurídicos e acadêmicos à realidade corporativa e oferece subsídios para a identificação e o enfrentamento desse tipo de assédio nas organizações.
