O livro nasce de um acervo de aproximadamente 10 mil fragmentos narrativos coletados pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV EAESP (FGVces) no âmbito do Projeto Rio Doce (2019–2022). Esse projeto foi conduzido por uma parceria de quatro escolas da Fundação Getulio Vargas, a partir de uma demanda das instituições de justiça (Ministério Público Federal e Ministérios Públicos Estaduais de Minas Gerais e Espírito Santo), com o objetivo de realizar o diagnóstico, a avaliação dos impactos e a valoração dos danos socioeconômicos sofridos pelas comunidades atingidas.
O trabalho do FGVces foi central nesse processo: entre 2019 e 2022, a equipe de cerca de 25 pessoas pesquisadoras distribuídas pelos territórios atingidos realizou 219 interações em 44 municípios de Minas Gerais e Espírito Santo, envolvendo 1.871 pessoas em oficinas, rodas de conversa e entrevistas (presenciais e online no contexto da pandemia do Covid-19). O objetivo dessas interações era entender os danos sofridos por essas populações a partir de suas próprias perspectivas. As histórias, memórias e testemunhos coletados constituem um acervo de rara densidade humana e social, que preserva a experiência de populações muitas vezes invisibilizadas nos contextos de disputas judiciais entre governos, empresas causadoras do desastre e instituições de justiça. Parte desse material subsidiou uma série de relatórios técnicos oriundos do projeto, entregues ao Ministério Público Federal. Todos os 10.000 fragmentos narrativos coletados encontram-se em um banco de dados do FGVces, o qual está sendo revisado e será também publicizado para uso público ainda neste ano. Trata-se de um testemunho único sobre os modos de vida, prejuízos, resistências e expectativas de futuro das pessoas atingidas.
A obra reúne uma seleção desse vasto acervo, transformando fragmentos de memória oral em uma sequência de capítulos que abordam, de maneira clara e acessível: o contexto do rompimento (capítulo 1), riscos da mineração e sua não publicização às populações que o sofriam (capítulo 2), os primeiros dias e reações após o rompimento (capítulo 3), as transformações nas paisagens (capítulo 4), as perdas de bens materiais (capítulo 5), a contaminação (capítulo 6), doenças e riscos à saúde (capítulo 7), os prejuízos aos modos de vida (capítulo 8), o desastre como um processo ainda em curso (capítulo 9) e perspectivas sobre o futuro (capítulo 10). O prefácio foi escrito coletivamente por seis pessoas atingidas de diferentes territórios. O material também compila uma série de fotos dos territórios atingidos em trabalho para o Projeto Rio Doce realizado pelo fotógrafo Lalo de Almeida.
A publicação do livro é, ao mesmo tempo, um registro histórico e um gesto de reconhecimento do protagonismo dessas pessoas, suas formas de viver e de reconstruir, condição para compreender a dimensão humana do desastre e, sobretudo, para que a reparação seja pensada a partir da perspectiva de quem sofreu os danos.
A versão impressa pode ser adquirida no site da editora Hucitec. Clique aqui.
Equipe de pesquisa:
Adriana de Paula Cavalcante Fraga
Ana Carolina Araújo Fernandes
Ana Clara Candido Costa
André Carvalho
Bruno Neris Basto
Carolina Ribeiro Araújo
Carolina Ximenes de Macedo
Carina Sernaglia Gomes
Cintia Messias Dall’Agnol
Daniel Rondinelli Roquetti
Doraci Cabanilha de Souza
Fernanda Pinheiro da Silva
Graziela Donário de Azevedo
Haydée da Cunha Frota
Isabella Cruvinel Santiago
Jaqueline de Oliveira e Silva
José Agnello Alves Dias de Andrade
José Del Ben Neto
Léa Lameirinhas Malina
Leticia Ferraro Artuso
Luísa Valentini
Luís Pedro Silva Moreira
Marcela Elena Varconte
Marcos Dal Fabbro
Maria Letícia de Alvarenga Carvalho
Maria Patrícia da Silva
Mariana Luiza Fiocco Machini
Mario Monzoni Neto
Marina Borges dos Santos
Miria Rodrigues Alvarenga da Silva
Natalia Lutti Hummel Wicher
Rafael Mantarro de Carvalho
Roseli Bueno de Andrade
Taís Helena da Silva Teodoro
