Experiência de aprendizagem sobre adaptação climática e resiliência de territórios reúne representantes do setor empresarial

A Jornada Empresarial das Iniciativas Empresariais (iEs) tem como propósito conectar pessoas e promover diálogos e experiências que estimulem a aprendizagem coletiva sobre temas estratégicos do ciclo. 

No Ciclo 2025 das iEs, em sua 12ª edição, a Jornada trouxe a adaptação climática e a resiliência de territórios e cadeias de valor como linhas condutoras das visitas, conversas e reflexões que se desenrolaram ao longo dos dois dias de atividades. 

O encontro reuniu 36 participantes das empresas AEGEA, Petrobras, Sanepar, Banco do Brasil, CTG, Braskem, Gerdau, Grupo Boticário, Copasa, Itaú, Bradesco, TIM, CPFL e ArcelorMittal. 

Os principais objetivos da Jornada foram: 

  • Proporcionar uma experiência de campo para conectar teoria e prática em um ambiente fora do cotidiano; 
  • Estimular reflexões sobre adaptação climática, resiliência e o papel das empresas para além de seus muros; 
  • Fortalecer relações entre os participantes e ampliar as trocas sobre dilemas e soluções para a sustentabilidade; 
  • Explorar o tema central “adaptação transformativa” e como avançar de medidas pontuais para soluções estruturantes. 
  • Em um ambiente urbano, entre o asfalto e as árvores, o grupo atravessou extremos e suas nuances: do excesso à escassez de água, entre responsabilidades públicas e privadas, de riscos a oportunidades, de vulnerabilidades à dignidade, de ausências a presenças. 

 

A jornada percorrida revelou fragilidades, mas também apontou caminhos para uma atuação mais integrada, regenerativa e adaptada às mudanças do clima e aos desafios impostos pela própria ação humana. 

Dia 1 - 20 de agosto de 2025 

No primeiro dia da Jornada, o grupo foi recebido pela Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (SEMIL), no Parque Ecológico do Tietê. Marina Balestero, diretora de planejamento ambiental e Ana Lucia Santana Seabra, diretora de parques urbanos apresentaram o Plano Estadual de Adaptação e Resiliência Climática (PEARC) e o papel do Parque Estadual como uma medida de adaptação baseada em ecossistema. 

O encontro promoveu debates relevantes à agenda da adaptação climática e da resiliência de territórios e cadeias de valor, como: desafios e estratégias para a questão hídrica no Estado; benefícios gerados para o território e para as populações do entorno; resultados esperados no controle de enchentes e redução de vulnerabilidades; caminhos para parcerias entre o Estado e empresas buscando por investimentos privados que gerem benefícios públicos em adaptação. 

À tarde, as pessoas participantes visitaram o Jardim Pantanal para uma caminhada guiada pelo território com Luiz Nickel, articulador social do Instituto Alana. A atividade aproximou o grupo das realidades locais e abriu espaço para um diálogo sobre vulnerabilidades, riscos climáticos e soluções construídas a partir do próprio território. 

Em visita ao Instituto Alana, a gerente de natureza Leila Vendrametto e a urbanista social Laís Avelino explicaram o panorama histórico de ocupação do território com o apoio de mapas e maquetes que contextualizaram as transformações do bairro. Também foram apresentadas medidas de proteção comunitária e a atuação do Instituto Alana na costura de soluções coletivas, por meio de processos participativos que resultaram no Plano de Bairro do Instituto e em iniciativas conectadas ao Plano de Adaptação que está em desenvolvimento 

Por fim, houve um momento coletivo de reflexão sobre a adoção de medidas para a gestão de risco, especialmente em um território em que famílias vivem em área de várzea, extremamente vulnerável às inundações e ao mesmo tempo, ambientalmente relevante. Os relatos dos comunitários evidenciaram a importância do planejamento integrado e da necessidade de articulação entre organizações locais, poder público, empresas e sociedade civil. 

Dia 2 - 21 de agosto de 2025 

A programação do segundo dia teve início na planta do Aquapolo Ambiental. Em apresentação conduzida por Márcio da Silva José, CEO do Aquapolo, seguida de visita técnica, as pessoas participantes aprofundaram-se no processo de reciclagem de água para fins industriais como resposta estratégica à escassez hídrica e como oportunidade de fortalecer a resiliência das empresas por meio da articulação de suas cadeias de valor.  

Foram detalhados o desenho do modelo de negócio e as soluções de financiamento que viabilizaram a implantação do projeto, decorrentes da cooperação entre diferentes atores. A visita percorreu as etapas de tratamento e as tecnologias empregadas no sistema de reciclagem, com destaque para ganhos de eficiência, confiabilidade operacional e potencial de escalabilidade para outros territórios e setores. 

Encerrando a Jornada, a equipe do FGVces conduziu, no Espaço Aflora em Pinheiros, uma dinâmica para consolidação e de percepções e aprendizados. Em discussão coletiva, os participantes conectaram as experiências em campo aos conceitos do Ciclo, identificando questões práticas para avançar na implementação da agenda, passando da adoção de medidas pontuais para soluções estruturantes, que se conectam ao conceito de adaptação transformativa. 

O exercício convidou cada participante a refletir sobre aprendizados para além do cotidiano corporativo e sobre como incorporá-los em suas agendas e decisões. As pessoas ressaltaram a importância da integração entre razão e sensibilidade, além de uma visão sistêmica como competência essencial para lideranças em sustentabilidade, capazes de escutar o território, mobilizar parcerias, promover o advocacy e orientar investimentos que gerem benefícios privados e públicos para resultados de longo prazo. 

A Jornada Empresarial de 2025 se consolidou como uma experiência que reforça a importância de olhar para além dos limites das empresas, conectando estratégias corporativas a realidades territoriais, práticas colaborativas e soluções que contribuem de forma concreta para a agenda de adaptação e para a resiliência de territórios e cadeias de valor. 

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