FGVEarth realiza pesquisa inédita sobre desastres climáticos e políticas públicas municipais

Evento para apresentar a pesquisa encerrou os três dias de lançamento do novo centro.

O terceiro e último dia do lançamento do FGVEarth foi marcado pela apresentação da pesquisa CliMune – Climate Municipalities Evidence, iniciativa que busca fortalecer a capacidade dos municípios brasileiros para responder aos crescentes desafios impostos pelos desastres climáticos. Em um momento decisivo para a formulação de políticas públicas voltadas à adaptação e resiliência, o estudo se propõe a preencher lacunas estruturais e institucionais que comprometem a ação climática local.

A apresentação do estudo foi realizada pelo pesquisador do FGVEarth, Mario Aquino, que ressaltou a intensificação dos eventos climáticos extremos no Brasil, como enchentes, secas e deslizamentos, que afetam diretamente a vida de milhões de pessoas.

“Apesar disso, a maioria dos 5.570 municípios brasileiros permanece estruturalmente despreparada para lidar com esses riscos. Apenas 7% dos municípios adotaram alguma política climática formal, e poucos possuem capacidade institucional para integrar evidências científicas ao planejamento governamental”, explicou Aquino.

Para o pesquisador, essa situação é ainda mais crítica entre os pequenos municípios, que representam mais de 87% do total. Com recursos financeiros e humanos limitados, e responsabilidades fragmentadas entre os diferentes níveis de governo, essas localidades enfrentam dificuldades para implementar respostas eficazes e coordenadas diante dos desastres naturais.

Em busca de solucionar essas lacunas, a pesquisa CliMune adota um desenho metodológico multimétodo, combinando abordagens qualitativas e quantitativas. No total, foram selecionados 20 municípios em 10 estados brasileiros, com foco em diversidade geográfica e institucional. A análise comparativa entre municípios afetados e não afetados por desastres climáticos permite identificar padrões e barreiras à adoção de políticas baseadas em evidências.

Além de entrevistas semiestruturadas com gestores públicos e formuladores de políticas, o estudo, que é financiado pela British Academy e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), inclui surveys e experimentos para investigar preferências e obstáculos ao uso de dados na tomada de decisão.

Entre os principais resultados esperados da pesquisa, destacam-se o desenvolvimento de ferramentas práticas de política pública, como recomendações acionáveis, materiais de capacitação e soluções escaláveis voltadas especialmente aos pequenos municípios. A iniciativa também busca fortalecer a cultura de uso de evidências na governança climática municipal, oferecendo estratégias concretas para institucionalizar o uso de dados e pesquisas na formulação de políticas.

Além disso, a pesquisa pretende contribuir para a transferência de conhecimento global, por meio da sistematização de boas práticas aplicáveis a países em desenvolvimento que enfrentam vulnerabilidades climáticas e limitações institucionais semelhantes.

Após a apresentação da pesquisa, o evento promoveu duas mesas de debate. A primeira abordou um panorama geral dos eventos climáticos extremos, com destaque para a apresentação do pesquisador Ibrahim Abu Abdulai, sobre como o país Gana está lidando com o enfrentamento das mudanças climáticas.

A segunda mesa discutiu os desafios para o uso de evidências na formulação de políticas climáticas, reunindo especialistas em ciência de dados e meio ambiente, para dialogar sobre os desafios do Brasil em administrar os dados sobre desastres naturais e clima.

De acordo com o coordenador do FGVEarth, José Antônio Puppim, o encerramento do FGV Earth reforçou o compromisso da Fundação Getulio Vargas em promover soluções baseadas em evidências para enfrentar a crise climática, especialmente no nível local, onde os impactos são mais imediatos e as capacidades mais limitadas.

Saiba mais em: https://eaesp.fgv.br/centros/fgvearth

Matéria escrita por: José Victor Sales de Carvalho

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