A Amazônia brasileira carrega um histórico marcado por ciclos de degradação ambiental impulsionados por modelos econômicos excludentes e predatórios. Romper com esse padrão exige uma abordagem que coloque a equidade e a sustentabilidade no centro do desenvolvimento, reconhecendo a diversidade de povos que habitam a região há séculos. O desafio está em superar a lógica dominante baseada na exportação de commodities agrícolas, responsável por intensos desequilíbrios sociais, ambientais e territoriais, e abrir espaço para alternativas sustentáveis que conciliem conservação, justiça social e dinamismo econômico. Nesse sentido, a construção de um modelo de desenvolvimento sustentável para a Amazônia representa não apenas uma necessidade urgente, mas também uma oportunidade estratégica para que o Brasil lidere a transição ecológica global de forma justa e inclusiva. No âmbito do projeto “Inovação para a Criação de Valores Sustentáveis: Compreendendo as Cadeias Globais de Valor na Amazônia” investigamos diversos entraves que inviabilizam a liberação de todo o potencial de alguns produtos da sociobiodiversidade, como a cadeia de valor do pirarucu e de oleaginosas. Nossos resultados indicam que o florescimento dessas cadeias produtivas é dependente de uma reformulação da conjuntura política e econômica do país, em nível federal e seus entes subnacionais, no sentido de assegurar que assimetrias históricas sejam revistas e corrigidas. Este Policy Brief apresenta evidências, reflexões e recomendações sobre as desigualdades históricas nos investimentos públicos entre o agronegócio e a sociobioeconomia, e propõe um modelo de governança colaborativa e financiamento climático capaz de alavancar cadeias produtivas da sociobiodiversidade, com forte protagonismo dos povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares.
