Pressões dos limites planetários e a ecologia política das cadeias de valor globais: contrastando a governança da sustentabilidade na carne bovina e cosméticos da Amazônia
Propósito
Este artigo tem como objetivo desenvolver uma perspectiva político-ecológica sobre as cadeias de valor globais para explicar como as pressões dos limites planetários são interpretadas, contestadas e governadas, reformulando a governança da sustentabilidade e gerando respostas divergentes entre setores que operam dentro do mesmo contexto ecológico.
Desenho/metodologia/abordagem
Com base em uma perspectiva de ecologia política, o estudo realiza uma análise comparativa qualitativa de duas GVCs na Amazônia Brasileira, carne bovina e cosméticos à base de biodiversidade. A análise é baseada em entrevistas semiestruturadas, trabalho de campo, oficinas e triangulada com fontes secundárias para traçar como as pressões ecológicas interagem com os arranjos de governança, as estratégias das empresas e as dinâmicas comerciais.
Resultados
Os achados mostram que as pressões dos limites planetários não operam como restrições uniformes, mas são interpretadas através de lógicas de governança específicas de cada setor. No GVC da carne bovina, as pressões ambientais são enquadradas como riscos regulatórios e reputacionais, levando a uma governança orientada pela conformidade, caracterizada por mecanismos públicos, privados e híbridos fragmentados, lacunas de monitoramento e resultados excludentes para os produtores upstream. Em contraste, a GVC de cosméticos reflete uma lógica orientada para a bioeconomia, na qual a biodiversidade é tratada como uma fonte de valor, promovendo a governança relacional, o engajamento comunitário e a co-produção de benefícios socioambientais. No entanto, este modelo gera inclusão seletiva dependente das estratégias das empresas e do reconhecimento de mercado.
Originalidade/valor
O artigo avança a pesquisa crítica em negócios internacionais ao demonstrar que a governança da sustentabilidade sob restrições planetárias diverge em vez de convergir entre os setores. Contribui com uma perspectiva de ecologia política para a análise das GVCs, destacando como diferentes avaliações da natureza produzem arquiteturas de governança distintas e desiguais.
Artigo publicado em inglês.
