VOTO A VOTO | Lula contra a matemática no 2º turno
Jairo Pimentel, George Avelino e Guilherme Russo utilizam modelos estatísticos para analisar as chances de vitória no segundo turno presidencial de 2026, considerando resultados históricos e a proximidade ideológica entre candidaturas.
Como os resultados do primeiro turno ajudam a estimar as chances de vitória no segundo? Essa é a questão analisada por Jairo Pimentel, George Avelino e Guilherme Russo, pesquisadores vinculados ao Cepesp, na nova coluna da série Voto a Voto, parceria entre o centro e a Folha de S.Paulo.
No artigo “Lula contra a matemática no 2º turno”, os autores retomam uma análise realizada em 2022, baseada em 287 disputas eleitorais brasileiras. Naquele levantamento, 75,5% dos candidatos que lideravam o primeiro turno também venceram o segundo.
Em 2026, Flávio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula (PT). Segundo os pesquisadores, caso os eleitores dos dois finalistas mantenham suas escolhas, Lula precisaria conquistar cerca de 62% dos votos dos candidatos eliminados para ultrapassar o adversário.
Para analisar esse cenário, os autores utilizam o modelo RPA (Russo, Pimentel e Avelino), que considera a votação do primeiro colocado e a diferença em relação ao segundo. Aplicado a 2026, o modelo projeta 51,1% dos votos válidos para Flávio Bolsonaro e 48,9% para Lula, com 70,5% de probabilidade de confirmação da liderança do primeiro turno.
Os pesquisadores também apresentam uma versão do modelo que incorpora um índice de proximidade ideológica entre os candidatos eliminados e os dois finalistas, ponderado pela votação recebida por cada candidatura. Nesse modelo híbrido, a probabilidade de vitória de Flávio Bolsonaro chega a aproximadamente 81%, com projeção de 52,2% dos votos válidos.
Assim, as estimativas atribuem a Lula probabilidades de vitória entre 19% e 29,5%, dependendo do modelo utilizado.
Os autores ressaltam, contudo, que os modelos se baseiam em regularidades históricas e não determinam os resultados eleitorais. Debates, acontecimentos de campanha e mudanças nas escolhas dos eleitores podem alterar o cenário entre os dois turnos.
