Eleições

VOTO A VOTO | A estratégia do PL e as regras do jogo eleitoral

Compartilhe o artigo nas redes sociais

Texto de Lucas

Lucas Gelape analisa como as mudanças nas regras eleitorais e a estratégia de fortalecimento do PL ajudam a explicar a redução da fragmentação partidária nas eleições de 2026.

Como as regras eleitorais e as estratégias dos partidos influenciam a composição do Legislativo brasileiro? Essa é a questão discutida por Lucas Gelape, professor de Ciência Política da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pesquisador vinculado ao Cepesp, na nova coluna da série Voto a Voto, publicada na Folha de S.Paulo.

No artigo “A estratégia do PL e as regras do jogo eleitoral”, o pesquisador utiliza dados do CepespData e o Número Efetivo de Partidos (NEP), indicador que considera o peso de cada legenda na distribuição das cadeiras legislativas.

Os dados mostram que a fragmentação partidária diminuiu nas duas últimas eleições. Em 2026, o NEP chegou a 8,83 na Câmara dos Deputados e a 6,55 nas assembleias legislativas. Entre 2022 e 2026, a fragmentação caiu em 22 das 27 Casas Legislativas estaduais.

Gelape relaciona essa redução às mudanças nas regras eleitorais de 2017, especialmente ao fim das coligações proporcionais, à cláusula de desempenho e à criação do Fundo Eleitoral. Essas medidas alteraram os incentivos para a competição entre os partidos e contribuíram para a concentração de cadeiras em menos legendas.

Além das mudanças institucionais, o pesquisador destaca a estratégia de construção partidária do PL. Desde a filiação de Jair Bolsonaro, em 2021, o partido passou a concentrar parte importante dos políticos ligados ao bolsonarismo e a fortalecer sua presença junto ao eleitorado.

Segundo a análise, a associação entre o PL e Bolsonaro tornou-se uma referência para muitos eleitores na escolha de candidatos ao Legislativo. Em 2026, o partido cresceu cerca de 4 pontos percentuais na Câmara dos Deputados e, em média, 8 pontos percentuais nas assembleias legislativas.

O artigo também destaca que a redução da fragmentação não ocorreu de maneira uniforme entre os diferentes campos políticos. Na Câmara, esse movimento se concentrou entre partidos de centro e de direita, enquanto a fragmentação da esquerda permaneceu relativamente estável.

A coluna integra a série Voto a Voto, parceria entre o Cepesp e a Folha de S.Paulo.

Leia o artigo completo na Folha de S.Paulo.