Conversas que transformam com Mariana Ungaretti
Conversas que Transformam é uma série de entrevistas conduzida pelas alumnas Rosa Souza Lima (CGAE 2012 / CMAE 2016) e Stephanie Crispino (CGAE 2013), que reúne histórias, reflexões e trajetórias inspiradoras da comunidade FGV EAESP.
Nesta edição, a alumna Mariana Ungaretti (CGAE 2012) compartilha um pouco da sua trajetória, que passa pelo marketing, pelo universo das startups e pela construção da área de Marketing da Vitalk, healthtech de saúde mental posteriormente adquirida pelo Gympass.
Mas a conversa vai além da trajetória profissional. Falamos sobre o que ainda precisa ser percebido em um mundo cada vez mais orientado por dados e inteligência artificial, e sobre a importância da escuta ativa para compreender pessoas, marcas e os sentidos que circulam entre elas. Uma conversa sobre sensibilidade, posicionamento e aquilo que nem sempre cabe em uma métrica.
Quem é Mariana Ungaretti?
A gente queria começar entendendo mais sobre quem você é a partir de uma história curta da sua vida que você acredita que ajuda a explicar por que você está hoje onde está.
Sou fruto de uma infância vivida em uma casa de vila, com pais que equilibravam uma vida de arquitetos autônomos com presença e dedicação à educação dos filhos. Uma menina que estudou a vida inteira na mesma escola e que carrega consigo o mesmo grupo de amigas até hoje. Uma mini atleta, que fez 12 anos de natação, mas optou por experimentar outros esportes e se deu o direito de ser ruim neles. Uma pessoa que amava matemática, mas também as matérias humanas e que caiu no mundo corporativo de paraquedas.
Gosto de pensar no contexto da minha criação, porque acredito que ele diga muito sobre como vemos o mundo. Com 27 anos, comecei a questionar minha carreira no varejo alimentar, descobri o mundo das empresas de impacto social e migrei para o universo das startups. Acredito que essa busca pelo humano, pelo verdadeiro e pela autonomia esteja totalmente relacionada à forma como fui criada e aos valores que busco nos ambientes por onde passo.
Eu me lembro, desde que compartilhamos as salas de aula da AE2, que você sempre quis ir para o marketing! Conta pra gente: qual foi o projeto que você mais gostou de desenvolver ao longo da sua trajetória e por quê?
Saudades dos tempos de AE2! Com certeza, o projeto do qual mais me orgulho até hoje foi ter desenvolvido a área de Marketing da Vitalk, healthtech com foco em saúde mental, e ter contribuído para o crescimento da empresa, que, após 2,5 anos de trabalho intenso, foi adquirida pelo Gympass/Wellhub.
Trabalhar com saúde mental foi uma experiência enriquecedora e muito prazerosa. Ao mesmo tempo em que mergulhava nesse mundo, me capacitava como gestora, aprendendo conceitos como ambiente psicologicamente seguro e comunicação não violenta.
Poder levar a mais pessoas o aplicativo gratuito com conversas de apoio psicológico via bot, chegando a mais de 200 mil downloads, durante o período da pandemia da covid-19, e também vender o benefício da Vitalk com atendimento psicológico para empresas, atraindo 1.400 leads por trimestre, foram conquistas das quais fiz parte e que me dão muito orgulho.
Em um cenário em que empresas são cada vez mais orientadas por dados, métricas e inteligência artificial, o que você acredita que ainda precisa ser percebido antes de poder ser medido? E como os profissionais podem desenvolver essa capacidade de enxergar o que os números ainda não mostram?
Para mim, grande parte da construção do posicionamento de uma marca está relacionada à essência de quem a constrói e de quem a consome. Isso é algo que não pode ser medido por dados, nem construído via IA: é preciso usar a sensibilidade humana para entender o que forma um posicionamento de verdade, abrangendo pontos como por que aquela empresa existe, como seu público se comunica e quais valores o público enxerga naquela marca e produto.
Uma das características que considero essenciais para ser um bom profissional de marketing é a escuta ativa. A construção de posicionamento vai muito além de uma fórmula ou receita de bolo: é preciso enxergar o que não está sendo dito e casar dois mundos que muitas vezes ainda não convergem, o da empresa e o do seu público-alvo.
O que a FGV representa para você?
Eu tenho um carinho muito grande pela FGV. Ela foi minha casa por 4 anos, onde pude me aprofundar nos estudos, trabalhar - inclusive em um projeto para a Natura, quando eu ainda era bem jovem, pela Empresa Júnior -, auxiliar professores e alunos sendo monitora de psicologia e me conectar com pessoas super inteligentes e capazes - sem falar nas festas e cervejadas, é claro.
E o mais legal é ver que esse ecossistema da FGV ainda existe para ex-alunos. Como alumni, tenho participado de encontros organizados pelo Alumni e também pelo Comitê FGVnianas na Liderança. Tem sido incrível conhecer e trocar experiências com GVnianos de diferentes gerações!
Nossas contribuições:
Rosa Souza Lima
Uma das ideias que mais ficou comigo da conversa com Mariana foi a importância de perceber aquilo que os dados ainda não conseguem mostrar. Como alguém que pesquisa discurso e seu uso como um recurso estratégico, me interessa especialmente essa ideia de que construir posicionamento exige escutar não apenas o que é dito, mas também os sentidos, valores e relações que circulam por trás das falas. Em um contexto cada vez mais orientado por dados e inteligência artificial, talvez uma das competências mais estratégicas continue sendo justamente essa: desenvolver a sensibilidade para compreender o que está sendo construído nas entrelinhas, onde os discursos se encontram, se tensionam e ganham significado.
Stephanie Velozo Crispino
Cada vez mais tenho refletido sobre a importância de “enxergar o que não está sendo dito”, como a Mariana traz de provocação ao pensar o real posicionamento das organizações. Existem muitos aspectos que, mesmo dentro de um sistema que constrói metas, indicadores e processos, escapam a esse tipo de inteligência. A cultura organizacional, que é algo que se estabelece para além do nosso controle, dita como esse posicionamento será percebido e exercitado diariamente, bem como a coerência que pode haver, ou não, entre o que se diz e o que se pratica. Como podemos criar espaço para a sensibilidade, para a “busca pelo humano, pelo verdadeiro e pela autonomia” também dentro das organizações?
Deu vontade de conversar e trocar histórias?
Então entra em contato com a gente nos e-mails aqui embaixo, porque estaremos por aqui todos os meses criando pontes para nos conectarmos como rede! E-mails para se voluntariar para uma entrevista: rosa.souzalima@gmail.com e svcrispino@gmail.com
