Eu já fazia, mas o mestrado deu nome, método e repertório
Elaine Costa de Souza construiu sua carreira em um dos setores mais tradicionais e regulados do mercado. Administradora, especialista em comércio exterior e logística internacional, ela começou a trabalhar com seguros ainda no início da trajetória profissional e, desde então, passou por grandes seguradoras e corretoras.
Em 2016, entrou em uma corretora de seguros de transporte e carga, onde encontrou um ambiente bastante tradicional. Foi nesse contexto que começou a propor mudanças nos processos e na forma de fazer negócios. Primeiro, vieram uma pós-graduação e um MBA em Negócios Internacionais e Comércio Exterior pela FGV. Depois, o desejo de ir além levou Elaine ao Mestrado Profissional em Gestão para Competitividade, na linha de Inovação Corporativa.
A experiência no MBA já havia mostrado a ela que o conhecimento adquirido em sala poderia gerar resultados concretos. Em seu trabalho de conclusão, decidiu usar a própria empresa como objeto de estudo para um projeto de internacionalização. A ideia, que poderia ter ficado apenas no papel, tornou-se realidade: hoje, a empresa está estabelecida em Lisboa.
O que é inovação para você?
Depois do MBA, Elaine sentiu que ainda precisava ampliar sua visão. Afinal, como promover inovação dentro de uma empresa consolidada, em um setor altamente regulado e que não necessariamente está associado à tecnologia? Foi essa pergunta que a levou ao mestrado.
"Eu queria entender como uma empresa já estabelecida podia melhorar em processos, em experiência com cliente." A própria definição de inovação de Elaine também se transformou ao longo do curso. No processo seletivo, quando perguntada sobre o que era inovação, sua resposta foi direta: "ah, é tecnologia". A formação acadêmica ampliou essa perspectiva.
A jornada foi intensa, especialmente para alguém que nunca havia tido contato aprofundado com artigos científicos. Mas também representou uma mudança de repertório. Elaine passou a reconhecer como inovação iniciativas que já colocava em prática no cotidiano e a compreender melhor como estruturá-las. "Eu senti que já fazia inovação sem nomear e o mestrado foi um amadurecimento. Organizar as ideias e colocar elas nas prateleiras devidas."
Impacto real para a empresa
O conhecimento adquirido no mestrado começou a aparecer em decisões concretas dentro da corretora. Elaine participou da aquisição de novos sistemas e ajudou a inserir redes sociais na estratégia da empresa. Mais recentemente, a empresa passou a utilizar inteligência artificial para apoiar atividades operacionais.
Em um mercado tradicional, a transformação aconteceu de forma gradual. Elaine conta que precisou apresentar exemplos, mostrar possibilidades e convencer os demais aos poucos. "Eu fui pelas beiradas, para não assustar ninguém, fui comentando cases que conhecia, convencendo aos poucos. As coisas foram acontecendo."
O mestrado também se conectou diretamente à sua pesquisa. Na dissertação, Elaine estudou as transformações do mercado segurador diante de novas regulações e do crescimento das insurtechs. O trabalho ajudou a aprofundar uma preocupação que já fazia parte de sua rotina profissional: compreender como as novas empresas e produtos estão pressionando um mercado tradicional a se transformar.
Para ela, esse é um movimento que exige disposição para aprender continuamente e observar o que acontece fora da própria empresa. "O mestrado me deu repertório. Hoje sei que existem diversos métodos, frameworks para olhar determinadas situações e vivenciar elas no dia a dia de acordo com uma perspectiva diferente."
Um título que também abre portas
Os impactos do mestrado, no entanto, não ficaram restritos aos processos da empresa. Elaine percebeu mudanças na própria trajetória profissional e nas oportunidades que passaram a surgir. "Eu gosto de falar que, através do mestrado, eu sentei em mesas que eu nunca imaginei que pudesse sentar. Eu frequento lugares que eu nunca imaginei estar, com pessoas que nunca imaginei."
A experiência também teve um significado pessoal. Elaine é a primeira pessoa de sua família e a primeira profissional de sua empresa a concluir um mestrado. "A educação que você adquire através do estudo te posiciona de forma melhor com as outras pessoas."
A escolha pela FGV, segundo ela, também esteve relacionada ao desejo antigo de estudar em uma instituição reconhecida e à possibilidade de conviver com professores e profissionais de diferentes áreas.
Para Elaine, inovação deixou de ser apenas tecnologia ou ruptura. Tornou-se uma prática cotidiana de transformação. "Para mim, hoje, inovação é a capacidade de transformar como pessoa, como objeto, como processo a cada dia." E essa talvez seja uma das principais marcas de sua trajetória: em vez de esperar por uma grande transformação, Elaine aprendeu a construir mudanças possíveis, uma de cada vez.
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