É preciso integrar o planejamento do transporte público com a oferta habitacional, defende pesquisadora
Coordenadora do eixo de Habitação do FGV Cidades, Claudia Acosta participou de webinar promovido pela CEPAL
A oferta de habitação em locais onde é garantido o acesso ao transporte público é premissa para que haja um desenvolvimento urbano mais sustentável e inclusivo. Essa foi uma das reflexões trazidas pela pesquisadora do FGV Cidades, coordenadora do eixo de Habitação, Claudia Acosta no webinar promovido pela Comissão Econômica para América Latina e Caribe (CEPAL) na última semana. Com transmissão pelo YouTube, o evento teve como objetivo explorar a importância dos operadores urbanos públicos e sua contribuição para os desafios das cidades.
Também participaram da sessão de apresentações, que reuniu experiências latino-americanas de operadores urbanos públicos, o gerente da Empresa de Renovação e Desenvolvimento Urbano de Bogotá (RENOBÓ), Carlos Felipe Reyes, e a diretora executiva da Empresa Metropolitana de Habitação e Desenvolvimento Urbano de Guatemala, Eva Campos.
Durante sua apresentação, Acosta, que também tem atuado como consultora da CEPAL, fez uma avaliação de que as cidades latino-americanas estão longe de alcançar a implementação da ideia de integração entre mobilidade e desenvolvimento urbano.
“Toda vez que temos um debate sobre ordenamento territorial, desenvolvimento urbano ou planejamento em nossas cidades, precisamos nos perguntar se a mobilidade está sendo o guia que nos ajuda a decidir onde localizamos, por exemplo, as áreas mais densas, onde e como localizamos os usos mistos. Embora isso pareça óbvio, em muitos lugares ainda não é assim, inclusive normativamente”, destacou Claudia.
Segundo a pesquisadora, entre as peças que compõem um complexo quebra-cabeça, quando o tema é o desenvolvimento de projetos imobiliários integrados à oferta de transporte, estão o arcabouço normativo, a estrutura da empresa de transporte, e a relação com os parceiros privados e concessionários de serviços de transporte. Claudia trouxe, então, como exemplo a experiência das empresas Metrô e CPTM (trens) na cidade de São Paulo com projetos imobiliários em terrenos remanescentes a estações de metrô e tem, e os diversos entraves jurídicos e urbanísticos, dentre os quais destacou a dificuldade de ofertar moradia social em terrenos públicos.
“Nós encontramos neste projeto que estamos trabalhando, nessas conversas, que não é tão fácil vincular as lógicas de planejamento urbano, do operador [empresa] de transporte e o interesse de um eventual concessionário, que seria quem colocaria dinheiro na mesa para que o projeto pudesse avançar. O privado normalmente quer o melhor e maior aproveitamento possível dentro da normativa urbanística, e isso não necessariamente conversa com as visões do público”, explicou.
O debate realizado se enquadra dentro da publicação da CEPAL “Los operadores urbanos públicos: lecciones para el desarrollo de ciudades más inclusivas, justas y sostenibles” ("Operadores públicos urbanos: Reflexões para o desenvolvimento de cidades mais inclusivas, justas e sustentáveis"), também apresentado no seminário. Confira o debate completo:
