Como resolver dilemas?

Por Nelson Lerner Barth, é professor de Métodos Quantitativos.

É óbvio que a Economia importa. Se a máquina econômica parar, é óbvio que se morre de fome, doenças, etc.

Passada esta constatação óbvia, somos obrigados a perceber que estamos em um dilema. Se ficar todo mundo em casa “para sempre”, morreremos. Se liberarmos todos já, morreremos (e não somente os idosos muito doentes). 

Se a epidemia se alastrar e o sistema de saúde parar de vez, a máquina econômica parará  totalmente. 

Se todo mundo ficar em casa e a máquina econômica parar,  seremos forçados a sair de casa sem nenhuma regra ou disciplina.

Dilemas não têm soluções fáceis. Caso contrário, não seriam dilemas. Seriam dúvidas.

Dilemas devem ser tratados por quem entende do assunto. Bons economistas, bons infectologistas, bons sociólogos, etc. Não basta exibir um diploma para ser um bom líder nessas áreas.

O assunto não é para palpiteiros. Sorry. Não é para empresários que acordam com a “solução” e viralizam vídeos. Não é para nerds computacionais que acordam com uma nova projeção sobre o que vai acontecer e disparam vídeos.

O assunto é para gente séria, intelectualmente honesta e competente que, em grupo, devem bolar as políticas públicas de agora em diante. Políticas públicas, pela própria definição, não deveriam seguir calendários eleitorais.

Recuso-me a escutar agora opiniões não qualificadas. Leio sim estudos sérios e que, assim, possuem muitas páginas. Dá trabalho para ler.

Ciência é coisa séria e trabalhosa. Não se resume a filminhos para serem viralizados e para serem consumidos sem esforço mental do leitor.

Proponho discutir mais ideias, como se faz em grupos sérios de estudos. Grupos de estudos não discutem as coisas no nível de analistas de futebol nem de forma baseada exclusivamente em sensações pessoais.  O “eu acho”, sem analisar profundamente os números, a realidade verdadeira e os estudos complexos, honestos e sérios, de nada vale.

Perdão Sr. Presidente, mas achismos revelam apenas um desdém pela ciência séria (ciência = infectologia, matemática, sociologia, economia e tudo o mais de forma integrada).

Precisamos mudar nosso jeito de obter conclusões. Dá trabalho, mas é a única forma.

De nada serve fazermos um plebiscito sobre o mais novo filminho que viralizou nas redes.

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 A opinião aqui expressa é do autor e não de qualquer instituição.

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