Compliance4Health | Módulo3 - Aula3

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MÓDULO 3. CULTURA ORGANIZACIONAL

 

O Módulo 3. Cultura Organizacional e Corrupção é um recurso didático para docentes de escolas de medicina, em particular. O conteúdo educacional abaixo trata do conceito de cultura organizacional e seu impacto na luta contra a corrupção no setor da saúde. O material didático aqui disponibilizado fornece um esboço sobre esse tema para três aulas de 1h30 cada, mas pode ser usado para aulas mais curtas ou mais longas. De igual modo, algumas partes do material didático podem ser utilizadas pelo docente para incrementar o conteúdo já existente de uma aula ou ainda pode ser utilizado como conteúdo programático para uma nova disciplina a ser desenvolvida pelo docente, inspirada nesse material. O material didático aqui disponibilizado é adequando tanto para estudantes de graduação como de pós-graduação.

 

Aula 3. Cultura Organizacional, Compliance e Anticorrupção

 

Esta aula busca conectar o tema da cultura organizacional, tratados nas aulas anteriores deste Módulo 3 com os temas de compliance em geral e, corrupção em particular, abordados nos Módulos 1 e 2. Nesta Aula 3 Cultura Organizacional, Compliance e Anticorrupção são discutidas as relações entre cultura organizacional e a presença de atividades corruptas ou de atividade de não-compliance por parte de membros das organizações, o caráter das ações anticorrupção presentes na área da saúde em suas diferentes formas e as estratégias de fomento para programas de ética organizacional e compliance que levam em conta o fator cultural.

 

Índice

 

 

Introdução

 

Os aspectos de cultura organizacional e práticas de corrupção serão aqui abordados, para melhor compreensão do que decorre das definições teóricas e práticas sobre cultura organizacional, compliance e anticorrupção, especialmente num contexto de organizações de saúde. Relembrando a já mencionada visão de Schein, cultura organizacional é o modelo dos:

pressupostos básicos que um determinado grupo inventou, descobriu ou desenvolveu, ao lidar com problemas de adaptação externa e integração interna que funcionaram bem o suficiente para serem considerados válidos e ensinados a novos membros como forma correta de perceber, pensar e sentir em relação a estes problemas”.

 

Muitas reflexões contemporâneas são importantes, a começar com os acontecimentos de mercado e que traduzem um estado atual em relação às práticas corruptas que provavelmente muitos testemunham ou já testemunharam. Estes casos de corrupção acontecem em diferentes esferas, tanto na saúde pública como privada, em nível individual ou coletivo, que pode ir desde uma prática corrupta ou de não-conformidade num consultório médico até um sistema massivo de corrupção que envolve grandes grupos hospitalares, redes de médicos, órgãos governamentais e outras áreas correlatas. Casos como dar dois recibos para uma mesma consulta para se beneficiar do reembolso do convênio, cobrar partos mesmo no sistema público, aquisição indevida de materiais cirúrgicos, propinas e tantos outros.

  • Como julgar essas diferentes práticas?
  • Quão corruptas elas são?
  • Por que persistem mesmo diante de tantas medidas de regulamentação e punição que preveem casos assim?
  • Quais as suas origens e motivos que permitem com que essas práticas sejam continuadas?

 

Há muitas formas de se analisar essas situações, que passam por uma questão de comportamento humano, regulamentação, práticas organizacionais, e por fim, e sempre presente, cultura organizacional.

 

Corrupção num Contexto Organizacional

 

A cultura organizacional é uma estrutura de princípios, valores e pressupostos básicos que atuam de forma sistêmica dentro de um contexto organizacional, permeando ações e pensamentos. É razoável supor que uma cultura, sendo suficientemente forte e homogênea, é responsável por estimular comportamentos coletivos, que desviem de uma conduta moral individual, mas que são legitimados e fomentados dentro do contexto organizacional específico. É como uma lente, uma forma de ver o mundo, capaz de distorcer o significado de ações e influenciar práticas que em outras circunstâncias não seriam legitimadas.

Dan Ariely (2012) conclui, num de seus estudos sobre comportamentos corruptos, ou seja, que diretamente infringem um código de conduta moral, que o ato de fazer algo corrupto acontecia com mais frequência quando havia a percepção de que outros membros do grupo também estavam tendo o mesmo comportamento e que os ganhos advindos da ação superavam as possíveis consequências negativas ou o risco enfrentado. Isso significa dizer que os pequenos atos de corrupção acontecem porque a pessoa que os está cometendo não associa essa ação com a sua própria percepção de si - ou seja, enquanto um determinado comportamento não faz com que uma pessoa se perceba diferente, o comportamento poderá continuar acontecendo, legitimado por uma análise racional de custos e benefícios advindos.

Estes conceitos e entendimentos, quando extrapolados para um contexto coletivo, dão a dimensão da gravidade de que esses desvios de conduta podem assumir dentro de uma organização. Ou seja, cada ação desviante de uma norma moral é potencializada por uma ação da mesma natureza de outra pessoa. Assim, a partir de um fenômeno de construção de cultura organizacional, com o tempo, cada pessoa influencia a outra até que a norma do ambiente seja de ações corruptas, culminando na naturalização deste comportamento naquele grupo ou organização.

Porém, esses comportamentos corruptos representam um fenômeno histórico, o que possibilitou que diferentes formatos de iniciativas tenham se organizado ao longo das últimas décadas para propor estratégias de como endereçar a corrupção num contexto organizacional, incluindo especificamente organizações atuantes na área da saúde. Dentro dessas iniciativas, é possível destacar duas principais frentes:

  • Organizações de Formação e/ou Regulamentação
  • Programas de Compliance

 

 

Organizações de Formação e/ou Regulamentação

 

São instituições com e sem fins lucrativos que atuam de forma a educar ou regulamentar a partir de normas morais de conduta ética e sistemas de punição, centralizando conhecimento e expectativas de comportamento. Um exemplo dessa primeira estratégia de ações anticorrupção via uma organização atuante no setor da saúde é a do Instituto Ética Saúde, uma organização sem fins lucrativos que congrega empresas e instituições com a proposta e o compromisso de criar e seguir, voluntariamente, regras para a prevenção de suborno e corrupção no setor saúde. A partir desta visão, o instituto, assim como alguns outros correlatos, propõem acordos, eventos e programas educacionais, no intuito de fomentar o debate e a evolução de estratégias anticorrupção no mercado.

Há, também, uma gama ainda maior de instituições que atuam com temas de corrupção mas voltados para um contexto organizacional mais amplo, independente do mercado, como é o caso do Instituto Não Aceito Corrupção, o qual concentra seus esforços em quatro frentes específicas, sendo elas:

  • Pesquisa
  • Políticas Públicas
  • Educação, e
  • Mobilização da Sociedade

 

No mesmo sentido, vale citar o FGVethics que trabalha no desenvolvimento de estratégias, políticas e ferramentas de gestão empresarial e de gestão pública, tanto na arena local quanto internacional. O objetivo do centro de estudos FGVethics é objetivo a valorização da ética, da transparência, da integridade, da luta contra a corrupção, da proteção ao meio ambiente do trabalho e à diversidade, tendo por foco:

  • A Disseminação de Conhecimento
  • A Pesquisa e Produção de Conhecimento Aplicado
  • O Apoio e Desenvolvimento de Medidas Legislativas e/ou Autorregulatórias
  • A Mobilização da Sociedade Civil

 

Muitas vezes, essas iniciativas, além de segmentação por mercado em que atuam, podendo ser da área da saúde ou não, também vão ser segmentadas de acordo com o perfil da organização, tendo programas que são voltados para empresas privadas e outros para empresas públicas, de caráter mais ou menos diretivo.

Um outro exemplo que constitui uma boa referência neste tipo de prática é Programa de Integridade da  Controladoria-Geral da União (CGU), o qual contém diretrizes para empresas privadas e a iniciativa a Empresa Pró-Ética que busca fomentar a adoção voluntária de medidas de integridade pelas empresas, por meio do reconhecimento público daquelas empresas comprometidas em implementar medidas voltadas para a prevenção, detecção e remediação de atos de corrupção e fraude.

 

Programas de Compliance

 

Nos programas de compliance políticas e ações de engajamento são criadas, de forma a orientar a ação de colaboradores e terceiras partes envolvidas em seus comportamentos que perpassam por uma questão moral e até mesmo jurídico-legal. Aqui cabe um maior detalhamento dos exemplos de estratégias desta segunda vertente, programas de compliance,  ou seja, explorar o entendimento sobre os programas de compliance e as estratégias que as organizações conseguem adotar, individualmente dentro de seu próprio contexto, para buscar modelar um comportamento de transparência, ética e integridade, de forma com que haja uma cultura de compliance e anticorrupção presente e tangível, passível de ser fomentada e passada por gerações de membros e entre diversos subgrupos presentes na organização.

A partir disso, se pode desenvolver um modelo diferente e com potencial de ser mais efetivo, com orientações como as que seguem:

  • empoderar as pessoas para tomarem boas decisões ao invés de centralizar e tentar controlar algo tão abrangente;
  • ser parceiro do negócio e atuar de forma interdisciplinar, a partir de mecanismos e iniciativas já existentes e correlatas como programas de diversidade e inclusão;
  • trazer ações de compliance para o nível do concreto, com rituais, reforço positivo e reconhecimento de ações que exemplificam uma postura anticorrupção;
  • ter o apoio da alta administração como pessoas com alto potencial de influenciar comportamentos e cultura, dando exemplos.

 

Essas ações, quando olhadas a partir de uma perspectiva mais abrangente e de longo prazo, estão alinhadas com a construção de uma cultura de integridade – ou seja, a forma de se criar um programa de compliance efetivo passa pela construção de uma cultura que o sustente e legitime na prática e no longo-prazo, a partir do momento em que os valores que se relacionam com os comportamentos necessários para uma prática profissional anticorrupção fazem parte das bases da cultura organizacional. Ligia Maura Costa (2019) também traz argumentos que direcionam soluções nesta mesma linha. Segundo ela, a corrupção no Brasil não é um problema cultural como se pode por vezes ouvir, algo legitimado pelo “jeitinho brasileiro”, mas o resultado de um cálculo econômico em que os benefícios superam os custos percebidos, conforme apontado também nos estudos mencionados anteriormente de Dan Ariely. Assim, de forma a direcionar a ação, a pesquisadora propõe justamente a construção de um programa de cultura de compliance.

Dentro desta proposição, alguns elementos chaves são destacados e que valem ser compartilhados para a presente aula, sendo eles:

  • Comprometimento da alta administração;
  • Padrões e controles;
  • Código de conduta e de responsabilidade social;
  • Treinamento regular em compliance;
  • Canal de denúncias anônimas;
  • Políticas de incentivos e penalidades;
  • Auditoria; e por fim,
  •  Monitoramento.

 


Fonte: Costa, L.M. (2019). Um mal que nos pertence. GVExecutivo 18(3), 14.

 

Assim, ao se trabalhar temas de compliance e anticorrupção a partir de uma perspectiva de cultura, a liderança da organização deve ser capaz de criar estratégias de longo-prazo e estruturantes – ou seja, que realmente busquem moldar comportamentos e criar normas sobre o que é o comportamento esperado, de forma que uma postura ética seja o padrão por gerações de funcionários.

 

Referências

 

Ariely, D. (2012). The honest truth about dishonesty: how we lie to everyone - especially ourselves. New York: HarperCollins.

Costa, L.M. (2019-1). Um mal que nos pertence. GVExecutivo 18(3), 12-15.

Costa, L. M. (2019). Compliance or non compliance? GV-executivo, vol. 18, n. 1.

Controladoria-Geral da União (CGU) (2016). Programa de Integridade: diretrizes para empresas privadas

FGVethics

Instituto Ética Saúde

Instituto Não Aceito Corrupção

Schein, E. (2009). Cultura organizacional e liderança. São Paulo: Atlas, 2009.

 

Objetivos de Aprendizagem

 

  • Entender a relação entre cultura organizacional e as atividades corruptas
  • Perceber o caráter das ações anticorrupção na saúde em suas diferentes formas
  • Compreender estratégias de fomento dos programas de ética e de compliance robustos e efetivos
  • Definir o papel das estratégias da cultura organizacional na construção de uma cultura anticorrupção e dos programas de compliance

 

Exercícios

 

Esta parte traz exercícios para serem feitos antes da aula ou durante a aula.  Os exercícios foram idealizados, preferencialmente, para turmas de 10-50 alunos, para que seja possível a divisão da sala em grupos menores de discussão (4-5 alunos). É possível fazer uso dos exercícios em turmas de 100 alunos, por exemplo. Mas é mais difícil poder explorar todos os resultados que forem trazidos pelos grupos. Em razão da duração da aula, nem todos os grupos poderão apresentar suas conclusões. O docente após ter ouvido as conclusões de pelo menos dois ou três grupos deve facilitar uma breve discussão com toda a sala, se o tempo permitir.  A adequação dos exercícios à disciplina cabe livremente ao docente, que conhece a turma e o contexto educacional e social.

 

Atividade Prévia 1

 

Para que os alunos compreendam os desafios práticos e reais que o setor da saúde enfrenta sobre os temas de corrupção, compliance e cultura organizacional preparamos um Questionário, com 28 questões, que  o docente pode pedir aos alunos que seja respondido antes do início do curso. O questionário está disponível no seguinte link: http://bit.ly/PesquisaComplianceSaude.

As informações prestadas pelos alunos são anônimas e confidenciais.

Caso o docente queira aplicar o questionário e ter acesso às respostas dos alunos, para melhor compreender o universo dos alunos, pedimos que nos envie um e-mail no ethics@fgv.br, que encaminharemos um link especial e compartilharemos os resultados referentes a esses alunos. Seria interessante, também, aplicar o questionário customizado antes do início das aulas e fazer a aplicação quando do término das aulas. O resultado do questionário pode servir como indicadores de aprendizado para o docente e a instituição.

 

Atividade Prévia 2

 

Escute o podcasts  Cultura de Integridade. Reflita sobre a nota crítica em relação aos programas de compliance: por vezes, os departamentos de compliance se colocam com uma postura descontextualizada dos objetivos do negócio, com modelos excessivamente punitivos e centralizados de forma a buscar o controle da tomada de decisão.

  • Você conhece algum departamento ou setor de compliance que seja excessivamente punitivo? Pense neste exemplo, se você conhecer, para discutir em aula.

 

Exercício 1 – Raízes da Corrupção

 

O objetivo deste exercício é que o docente consiga trazer o debate da corrupção para o nível concreto do dia a dia dos alunos, abrindo um diálogo com eles baseado em histórias reais e vividas por eles.  Divida os alunos em grupos menores (4-5 alunos) e peça que os alunos digam nos seus respectivos grupos algum comportamento que tenham testemunhado ou realizado e que consideram corrupto. Cada aluno deve compartilhar com o seu respectivo grupo algum ato de corrupção que já presenciou em algum grupo ou organização que faça parte, seja a própria faculdade, associações acadêmicas ou locais onde já estagiaram/trabalharam etc. Preferencialmente, pense em comportamentos que, embora corruptos, sejam aceitos dentro do contexto em que foram observados.

 

Diretrizes para os Docentes

 

Divida os alunos em grupos de 4-5 alunos. Nesses grupos, os alunos deve debater e discutir os casos que forem relatados. O objetivo não é fazer com que os alunos saibam assumir e identificar os próprios atos corruptos, em menor ou maior escala, pois se parte do pressuposto de que essa construção já foi feita no Módulo 1 Corrupção e Anticorrupção (v. Módulo 1), mas refletir sobre o contexto coletivo de construções sociais e simbólicas que permitiu que esses comportamentos parecessem normais. Ou seja, a partir de uma ação normalizada, desnaturalizar a ação, para então debater cultura organizacional e corrupção. Cada grupo deve nomear um porta-voz para relatar as observações do grupo para a classe, ao final da discussão do grupo. O docente deve identificar grupos com pontos de vista antagônicos e incentivar um debate entre eles.

Posteriormente, o docente deve conduzir uma discussão com toda a sala sobre as seguintes perguntas:

  • Quais são as características comuns a todas as organizações presentes nestes relatos?
  • No geral, as lideranças dessas organizações faziam parte do comportamento corrupto descrito?
  • Quais esforços em se criar uma cultura anticorrupção vocês percebem nessas organizações?
  • Eles são efetivos?
  • Por quê?

 

Peça a cada um dos alunos que entregue um breve registro das respostas discutidas acima, ao final do exercício.

Na modalidade presencial, este exercício pode também ser mais dinâmico com a utilização de um bloco de notas adesivas, que depois são reunidas no quadro para discussão. A mesma dinâmica pode ser realizada por meio de ferramentas digitais, como o Mentimeter, o Kahoot! e outros. Caso a discussão do tema seja muito delicada, dependendo de circunstâncias particulares, que faça com que os estudantes não se sintam à vontade para discutir abertamente sobre o tema, é possível considerar o uso de ferramentas online, como o Poll Everywhere, para obter as respostas dos estudantes, anonimamente, e, na sequência, discuti-las com a classe. Na modalidade de aula online, além do aplicativos acima, se pode aproveitar os sistemas de poll das plataformas de ensino à distância (ex. Zoom).

 

Exercício 2 – Cultura de Compliance

 

O docente deve assistir com os alunos o vídeo sobre a matéria abaixo:

 

Na sequência, o docente deve pedir aos alunos que leiam  a  matéria tratada no vídeo. Após a leitura, compartilhe com os alunos o seguinte cenário hipotético:

Após estes médicos obstetras serem condenados pelas suas graves condutas de comportamento corrupto, algumas medidas foram tomadas pelas organizações de saúde do município, buscando a construção de estratégias efetivas no combate a comportamentos semelhantes. Essas medidas podem ser resumidas em 3 principais frentes:

  • contratação de especialistas na área para o desenvolvimento de um módulo de formação anticorrupção para profissionais de saúde a ser dado para todos os residentes em obstetrícia;
  • criação de um conselho de ética e anticorrupção no hospital com o objetivo de desenvolver um guia de conduta e punições para desvios de comportamento;
  • criação de um programa de cultura anticorrupção, a ser desenhado e implementado por um grupo de médicos voluntários e membros da alta liderança do hospital.

 

A partir deste cenário, os alunos devem ser divididos em três grandes grupos, sendo que cada um dos grupos deve representar uma das frentes de solução mencionadas acima. Uma vez em grupos, os alunos devem preparar uma apresentação que responda aos seguintes pontos:

  • O que vocês fariam?
  • Quais formatos e recursos utilizariam?
  • Quais os pontos mais importantes da sua estratégia de ação?
  • Qual estratégia você utilizaria para garantir que a mudança de comportamento proposta se torne sistêmica e se sustente no longo prazo dentro de todas essas instituições e grupos?

 

Diretrizes para os Docentes

 

Divida os alunos em 3 grandes grupos, sendo que cada um dos grupos deve representar uma das frentes de solução acima. Neste exercício deve ser feita uma provocação que ajude os alunos a perceber os diferentes papéis que podem assumir em suas futuras carreiras profissionais e dar perspectiva em relação ao protagonismo e agência passíveis de serem assumidos quando se fala de uma cultura de integridade e anticorrupção. Cada grupo deve nomear dois porta-vozes para relatar as observações do grupo para a classe, ao final da discussão do grupo.

Este exercício tem um alto grau de complexidade, e para que os alunos tenham capacidade de fazê-lo de forma que atinja as expectativas, se mantendo em linha com os objetivos de aprendizagem propostos na aula, é recomendado, como leitura prévia, o breve artigo “Compliance or non compliance?”, bem como assistam ao vídeo do Ted Talk de Dan Ariely. Assim, recomenda-se que o docente deixe claro para os alunos que as respostas deles devem ser baseadas em experiências pessoais, debate em grupo, conhecimentos previamente desenvolvidos em módulos e aulas anteriores, bem como referência indicada de leitura e vídeo, trazendo uma base teórica e científica aos planos propostos.

 

Estrutura de Aula

 

Introdução (10 minutos)

Boas-vindas e a partir dos conteúdos presentes na seção de introdução, expor as relações entre cultura organizacional e corrupção e trazer os principais questionamentos e provocações sobre o tema, e se necessário, retomada dos principais conceitos teóricos e perspectivas sobre cultura organizacional.

 

Condução do Exercício 1 (30 minutos)

Logo após a Introdução, o docente realiza o Exercício 1, explorando os temas propostos para este exercício.

 

Condução do Exercício 2 (40 minutos)

Seguido ao Exercício 1, o docente já deve dar início ao Exercício 2 incentivando e facilitando o debate das questões do Exercício 2.

 

Conclusão (10 minutos)

Término da aula colocando em evidência os objetivos de aprendizagem resultantes dos casos discutidos em sala.

 

Leitura Obrigatória

 

Paraizo, C. B., & Bégin, L. (2020). Ética organizacional em ambientes de saúde. Ciência & Saúde Coletiva, 25(1), 251-259.

 

Leitura Complementar

 

Fundação Getulio Vargas (FGV). (2016). Compliance, gestão e cultura corporativa. Cadernos FGV Projetos, 11 (28), 62-73.

Aliance for Integrity (2016). Combatendo as 10 desculpas mais comuns para um comportamento corrupto.

 

Legislação

 

Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção. Convenção da ONU contra a Corrupção.

Lei Anticorrupção dos Estados Unidos da América. Foreign Corrupt Practices Act – FCPA.

Decreto 8.420/2015 sobre responsabilização administrativa de pessoas jurídicas pela prática de atos contra a administração pública, nacional ou estrangeira. 

Lei nº 12.846/2013 (Lei Anticorrupção) sobre responsabilização administrativa e civil de pessoas jurídicas pela prática de atos contra a administração pública, nacional ou estrangeira.

OCDE. (2011). Convenção sobre o combate da corrupção de funcionários públicos estrangeiros em transações comerciais internacionais.

UK Bribery Act 2010.

 

Avaliação de Aprendizagem

 

Avaliação Individual

 

Os alunos deverão preparar um relatório de trabalho individual, contendo entre 500 a 700 palavras (incluindo capa, referências, anexos, resumo executivo etc.) no formato Times New Roman, tamanho 12, 1,5 linha de espaço discorrendo (i) sobre as principais diferenças entre organizações que atuam em compliance de forma descentralizada e de forma centralizada e, (ii) sobre o potencial de cada modelo em fomentar comportamentos éticos por meio da criação e manutenção de uma cultura de integridade?

 

Avaliação em Grupo

 

Os alunos devem ser divididos em grupos de 4-5 alunos e devem gravar um áudio / podcasts, de no máximo 15 minutos. Cada grupo deve pensar numa organização ou sociedade que lhes pareça que tenha uma cultura organizacional ética e com elementos claros de combate a comportamentos corruptos em prol da política de compliance.  Esta organização ou sociedade é um farol de integridade que deve ser imitada ou copiada, como um mito a ser seguido. Peça aos alunos que se concentrem no que a organização ou sociedade fez e continua fazendo para transformar seus princípios e valores éticos em práticas diárias internalizadas na cultura da organização ou sociedade:

  • Qual farol de integridade escolhido?
  • Como os valores e princípios éticos são incorporados nas práticas do dia a dia da organização/sociedade?
  • Como a organização/sociedade responde às ​​falhas de integridade e compliance?

 

Outras Ferramentas de Aprendizagem

 

Para ajudar o docente a tratar do tema deste módulo educacional 1, esta parte inclui slides de PowerPoint, sugestões de filmes, séries, documentários e podcasts e outras ferramentas de ensino que poderão ser ou não utilizadas pelo docente, de acordo com suas necessidades.

 

PowerPoint

 

Clique aqui para o PPT.

 

Aplicativos

 

Para algumas atividade desta Aula 3, os alunos precisam dispor de dispositivos eletrônicos (computador, laptop, celulares ou tablets) com acesso à internet.

Realize uma ou duas rodadas de Kahoot! (ou outro aplicativo similar, como o  Mentimeter, ou Pear Deck por exemplo), que é uma plataforma baseada em jogos para educação. O docente poderá elaborar questões que contemplem o conteúdo conceitual da disciplina.

Sobre o Kahoot!e como utilizar:

 

Netflix

 

Derren Brown: The Push

O ilusionista Derren Brown cria experimentos sociais para demonstrar como a manipulação pode levar uma pessoa normal a praticar atos chocantes.

 

Filmes

 

O Experimento de Aprisionamento de Stanford (2015). Em 1971, vinte e quatro estudantes do sexo masculino são selecionados para assumir papéis designados aleatoriamente de prisioneiros ou guardas numa simulação de uma prisão situada no porão do prédio da faculdade de psicologia da Universidade de Stanford. O objetivo do experimento era provar a teoria do professor de psicologia Philip Zimbardo de que os traços de personalidade dos prisioneiros e dos guardas são a causa principal do comportamentos abusivos entre eles.

O Senhor das Armas (2005). O filme conta a estória de um traficante de armas chamado Yuri Orlov que ficou milionário com o fim da Guerra Fria e o colapso da União Soviética e que faz negócios nos mais diversos lugares do mundo. Um agente da Interpol incorruptível o persegue pelo mundo.

 

Documentário

 

A Mentira de Armstrong (2013). O documentário trata  da volta de Lance Armstrong às competições de ciclismo, considerado um dos melhores ciclistas do mundo, ao conquistar por sete vezes consecutivas o título do Tour de France, além de ter vencido um câncer. O documentário narra a assim a praticamente improvável volta às competições de Armstrong e a queda de uma lenda do esporte.

(Des)Honestidade: A Verdade Sobre As Mentiras (2015). O documentário se inspira nos experimentos do professor Dan Ariely e analisa as várias formas de desonestidade presentes na nossa sociedade. Embora seja muito fácil apontar os erros do governo, das pessoas que desviam dinheiro público, entre outros casos, o filme retrata os pequenos delitos que muitos de nós cometemos em algum momento de nossa vida.

 

Podcast

 

LECCast #24 Cultura de Integridade # 024. O podcasts trata de cultura da integridade.

 

Ted Talk

 

Are You a Giver or a Taker? Com legendas em português,  nesse Ted Talk, o psicólogo organizacional Adam Grant analisa três tipos de pessoas: doadores, recebedores e correspondentes. E assim ele propõe estratégias para promover uma cultura de generosidade nas organizações.

Can Babies Tell Right From Wrong? | The New York Times. Com legendas em português, este Ted Talk mostra um experimento com bebês no Centro de Cognição Infantil da Universidade de Yale e tenta demonstrar que seres humanos desde a tenra idade já entende o que é certo e o que é errado.

Our buggy moral Code . Com legendas em português, neste Ted Talk, Dan Ariely estuda as falhas no código moral: as razões ocultas para trapacear ou até mesmo roubar. Ariely cunhou o termo “fudge factor”, o qual descreve o limite em que uma pessoa pode ser corrupta e ainda assim se sentindo bem consigo mesma.

Why Good Leaders Make you Feel Safe? Com legendas em português,  nesse Ted Talk, Simon Sinek sugere que é alguém que faz seus funcionários se sentirem seguros, que atrai os funcionários para um círculo de confiança.

Três Formas de acabar com uma cultura de corrupção. Com legendas em português,  nesse Ted Talk, Wanjira Mathai compartilha três estratégias para acabar com a cultura de corrupção ao ensinar crianças e jovens liderança e integridade.

 

Websites

 

 

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