A estrutura sociobioeconômica pode ser entendida como sistemas que utilizam, protegem e aprimoram de forma sustentável produtos e processos de origem biológica provenientes de ecossistemas e culturas, a fim de promover o desenvolvimento sustentável, a resiliência, a inclusão, a conservação da biodiversidade e o empoderamento das comunidades. As cadeias globais de valor (CGVs) representam uma via promissora para a integração de diversos atores, incluindo pequenos agricultores, comunidades indígenas e cooperativas locais, no cenário do mercado global, mas o impacto disso sobre as culturas e os valores tradicionais ainda não está claro. A análise de estudos de caso na Amazônia brasileira destaca o potencial das cooperativas locais vinculadas às CGVs como agentes de gestão sociobioeconômica. Essas cooperativas podem promover práticas sustentáveis, esforços de conservação, gestão responsável de recursos naturais, troca de conhecimento e envolvimento comunitário. Elas podem aproveitar o conhecimento tradicional, as práticas indígenas e as inovações locais para desenvolver soluções sustentáveis. No entanto, a integração às CGVs apresenta desafios significativos para essas cooperativas, devido às assimetrias de poder, que criam condições de negociação desiguais, acesso limitado a informações de mercado, restrições financeiras e escassez de mão de obra qualificada. Superar esses obstáculos exige uma abordagem de governança coordenada, com empresas líderes, atores públicos (como o G20, os Estados e os municípios) e a sociedade civil trabalhando em conjunto para desenvolver intervenções que capacitem as cooperativas locais a participar de negociações significativas com as empresas líderes nas Cadeias Globais de Valor (CGVs). Para tanto, as intervenções nas CGVs devem buscar promover o crescimento inclusivo, mitigar as desigualdades regionais, fomentar a inovação aberta e estimular o investimento do setor privado para a sustentabilidade sociobioeconômica de longo prazo. Dois cenários de políticas públicas são desenvolvidos: o primeiro discute o impacto dos mecanismos de apoio financeiro, enquanto o segundo aborda a necessidade de incorporar esses mecanismos a um arcabouço legal favorável, iniciativas de capacitação, facilitação do acesso ao mercado e estruturas de governança inclusivas. Ao apoiar a intervenção e os princípios abrangentes das políticas públicas, o G20 pode contribuir para sua Iniciativa de Bioeconomia e para as metas da presidência brasileira, que incluem crescimento, desenvolvimento sustentável, comércio e investimento, inovação e segurança alimentar.
Publicação disponível apenas em inglês.
