Voltar

Efeitos do auxílio emergencial sobre a renda

Julho, 2020

Autor(es)

Lauro Gonzalez
Bruno Barreira

Excessivas são a pobreza e a desigualdade, não o auxílio

A pandemia do novo coronavírus arrastou a economia global para o terreno da recessão. Para mitigar os efeitos da crise, a sociedade cobra respostas rápidas por parte do Estado. Nesse contexto, diversos países adotaram programas de renda básica emergencial (RBE) visando combater os impactos financeiros negativos para a população mais afetada, especialmente a de baixa renda, incluindo desempregados, pequenos comerciantes, trabalhadores informais e outras pessoas em situação de vulnerabilidade. 

No momento em que este estudo é elaborado, a RBE - ou o auxílio emergencial (AE) de R$ 600 ou R$ 1200 - já foi paga a cerca de 64 milhões de brasileiros, de um total de 104 milhões de solicitações. Vale dizer que as estimativas iniciais do governo previam por volta de 30 milhões de pessoas elegíveis ao auxílio, ou seja, a profundidade da crise tem sido muito maior do que a inicialmente imaginada. Uma das principais razões para essa diferença se liga às transformações pelas quais o mercado de trabalho tem passado, com a emergência da chamada economia do bico e aumento da informalidade. 

O levantamento aqui apresentado se baseia nos dados da PNAD-COVID-19, realizada em junho de 2020 e recém divulgada pelo IBGE. Os objetivos são: i) Estimar os efeitos negativos da pandemia sobre a renda domiciliar; ii) Estimar os efeitos do AE sobre a renda domiciliar, avaliando a possibilidade dos efeitos negativos da pandemia terem sido compensados pelo AE.