• Administração Pública

Além do eixo SP-Rio-Brasília: profissionais de AP têm trabalho no país todo

20.04.2021

Para qual destino o profissional de AP compra o bilhete de passagem assim que recebe o diploma de formatura? Se quiser atuar no Brasil, há pelo menos 5.570 opções, que é o número de municípios do país.

Ao contrário de muitos cursos, cujos egressos se concentram no eixo São Paulo-Rio-Brasília, trabalhar como Administrador Público é ter a chance de atuar na resolução de problemas complexos em qualquer canto do país.

Para lidar com as queimadas da Amazônia, por exemplo, é preciso estar em Belém, Manaus e Santarém.

Até por isso, ainda durante o curso, as imersões "rompem a bolha" e levam os alunos para experimentar o que é trabalhar bem longe da capital paulista. (link para o texto sobre imersões)

Veja os depoimentos de Sofia Mettenheim e Natalia Esper. As duas deixaram São Paulo para viver e causar impacto social no Nordeste.

"É importante entender que o Brasil é complexo, com problemas muito diferentes"
                                                                         Sofia Mettenheim, formada em 2016

"Quando entrei em AP, não tinha expectativa de trabalhar em governo. Mas, ao longo do curso, conforme ia conhecendo as instituições e participando de discussões sobre política pública, vi que era isso que eu queria.

Ainda durante o curso, atuei como bolsista em um programa chamado Jovem Monitor Cultural. Minha atuação era na Secretaria de Cultura, na área de editais de fomento à cultura na periferia de SP. Foi uma experiência muito rica. Pude andar pela cidade, conhecer os movimentos culturais. Entendi o que era a vida real dentro da gestão pública.

Assim que me formei, tive a oportunidade de atuar como trainee na prefeitura de Niterói. Fiquei quase dois anos lá e, por fim, prestei mestrado na UFBA (Universidade Federal da Bahia) por conta do grupo de pesquisa em políticas culturais, uma área que me interessa muito.

Por meio da Vetor Brasil – que a gente brinca que é "tinder do serviço público", porque aloca pessoas em serviço público a partir do interesse do profissional – cheguei à prefeitura de Salvador, onde atuo como Gerente de Inovação.

Sou responsável pela coordenação do Vem pro Centro, programa de integração das ações públicas de requalificação do centro histórico de Salvador.

Não vou mentir. É muito difícil você chegar a um lugar em que as pessoas não te conhecem, principalmente no governo e em cargos de confiança. Mas sair do eixo Rio-São Paulo te dá uma perspectiva diferente. É importante entender que o Brasil é complexo, com problemas muito diferentes. E que a nossa formação de AP nos capacita a atuar nessa diversidade e complexidade."

"Quando você sai de sua cidade, está mais aberto a viver coisas novas, a aprender"
                                                                                       Natalia Esper, formada em 2017

"No fim da graduação, fiz o processo seletivo para trainee da Vetor Brasil. A ONG seleciona pessoas com interesse em atuar no setor público e, depois, as indicam para vagas que surgem nos governos.

No processo, você faz uma lista de preferências e restrições, e eu disse que topava sair de São Paulo. Quando você sai de sua cidade, está mais aberto a viver coisas novas, a aprender. Tem um elemento cognitivo.

Fui indicada para atuar na política de implementação de escolas de tempo integral na secretaria estadual de educação da Paraíba. Foram dois anos de muito trabalho e de uma vivência muito rica, de acesso frequente ao secretário, por exemplo. Até por ser uma estrutura menor, a chance de uma pessoa comum acessar o secretário é muito maior fora de SP.

Durante todo o tempo, a Vetor te acompanha com um programa de coaching e mentoria, com avaliação e feedback de três em três meses, o que é muito inovador em governo.

Além disso, nos tornamos uma rede de profissionais. E o fato de não se sentir sozinho ajuda muito a ficar fora de sua cidade. Se você está num dia mal, liga para uma amiga que está no Acre e daí está melhor no dia seguinte. É uma rede de apoio.

Nesse tempo, recebi dois convites para voltar a São Paulo. As pessoas tinham certeza de que eu iria preferir. Como se estar na Paraíba fosse um passo para conseguir chegar a SP. Mas eu não quis.

Até saí de João Pessoa, mas para me mudar para Fortaleza. Agora, atuo no Laboratório de Inovação do Governo do Estado do Ceará. Sou gestora de redes. É um lugar de privilégio, porque não é comum áreas de inovação em governo. Mas tem sido um espaço crescente. E mostra que laboratório de inovação não é exclusividade de startups ou empresas privadas.

Morar no Nordeste tem sido bom. Aqui descobri outras culturas, outras formas de viver, de se relacionar, de trabalhar. São outras visões. Brinco que o "bichinho Nordeste" me picou. Nas minhas duas experiências, sinto que o meu impacto e o meu poder de atuação são muito grandes. Tanto na Paraíba como no Ceará integro governos progressistas. Não há apenas gestores e gestões reacionárias."

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