VOTO A VOTO | Declaração de patrimônio de candidatos mostra desigualdade do país
Marco Antonio Faganello analisa mais de 360 mil bens declarados à Justiça Eleitoral e mostra diferenças de patrimônio entre candidatos a deputado.
O que as declarações de patrimônio dos candidatos revelam sobre a representação política no Brasil? Essa é uma das questões abordadas por Marco Antonio Faganello, doutor em Ciência Política e pós-doutorando do Cepesp, na nova coluna da série Voto a Voto, parceria entre o Cepesp e a Folha de S.Paulo.
No artigo Declaração de patrimônio de candidatos mostra desigualdade do país, o pesquisador analisa dados de mais de 360 mil bens declarados à Justiça Eleitoral, classificados com o uso de inteligência artificial por pesquisadores do Cepesp.
Os resultados mostram diferenças relacionadas a gênero e raça. Em 2026, as candidatas mulheres declararam patrimônio mediano de R$ 250 mil, ante R$ 470 mil entre os homens. Entre os candidatos brancos, o patrimônio declarado é cerca de três vezes o dos candidatos autodeclarados pretos.
A análise também acompanha a evolução desses valores desde 2010 e sua concentração entre os candidatos mais ricos. Em 2026, os 10% com maior patrimônio concentram 72,3% do total declarado entre os candidatos a deputado estadual e 67,6% entre os candidatos a deputado federal.
Ao comparar patrimônio e resultados eleitorais entre 2010 e 2022, Faganello identifica ainda uma associação entre maior patrimônio e maior sucesso nas urnas. O autor ressalta, porém, que os dados não permitem afirmar que a riqueza, isoladamente, seja a causa desse desempenho.
A partir dos resultados, o artigo discute as desigualdades socioeconômicas presentes na representação política e a distância entre representantes e representados.
