Revista Página22 :: ed. 47 (novembro/2010)

Novembro, 2010

EDITORIAL - Um bom lugar

Utopia é um nome para designar o irreal e o impossível. Habituamo-nos a vê-la em contraste com o mundo, quando, de fato, são as nossas utopias que tornam o mundo tolerável .

O trecho é de um livro do urbanista Lewis Mumford, escrito em 1922. Por que ilustra aqui um debate sobre inovação? Porque o autor recorre a Utopia , do pensador inglês Thomas More, para lembrar que a palavra, em grego, pode se originar tanto de outopia (o “não lugar”) como de eutopia (o bom lugar). Depende de como queremos enxergar este lugar chamado mundo e nos posicionar dentro dele.

Ao sofrer transformações físicas tão profundas, o mundo pede inovações que o deixem mais do que tolerável: possível. Com base em uma revisão crítica da atuação humana na Terra, a inovação ganha espaço para se manifestar, em forma de produtos, tecnologias, processos, sistemas, modelos, comportamentos, visões.

A visão tem um olho no lugar que ainda não existe, onde voa livremente para buscar inspirações. E o outro em terra firme, na construção e reconstrução de realidades locais. O AfroReggae é exemplo de um movimento utópico fortemente ancorado em uma realidade local – as favelas cariocas ( mais em reportagem à pág. 18 ). Ele ensina que a utopia não é a negação da realidade, e, sim, aquilo que a faz acontecer.

Nesta edição, buscamos entender o que as inovações significam, por que se tornaram necessárias como nunca, de que forma se manifestam, que objetivos buscam. Um deles é chegar ao bom lugar.

Boa leitura!

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