
EDITORIAL - Conhecer e conservar
Aquilo que não consigo construir não consigo entender. A frase, atribuída a Richard Feynman, físico nascido no início do século XX, ajustou-se como uma luva a um grande feito do século XXI, o da reprodução sintética da vida. Tanto que foi usada como “marca-d’água”, criptografada no genoma de uma bactéria, construído em laboratório – de modo a diferenciá-lo do original que lhe serviu de base.
Mas, apesar de todos os avanços científicos, destruímos aquilo que nem sequer conseguimos conhecer. Não é uma novidade. Há tempos, fora dos laboratórios, um sem-número de espécies é extinto antes mesmo que seja descoberto. Sem número mesmo, pois mal se sabe quantas e quais formas de vida coexistem com a nossa. À extinção, fenômeno natural da evolução das espécies, o ser humano impôs um ritmo avassalador, cujas consequências são desconhecidas. Nunca vivemos situação similar. Não há um histórico que possa ser mapeado e reproduzido.
Mesmo assim, a defesa da biodiversidade, uma das primeiras bandeiras empunhadas pelo movimento ambientalista, anda meio obscurecida. De tão presente que se faz em tudo, constitutiva de toda matéria e todo o serviço que a vida nos presta, aparece difusa. E suas perdas, tantas vezes invisíveis e impalpáveis.
Uma série de iniciativas, no entanto, atua para dar a ela corpo, voz e foco. PÁGINA22 mapeou algumas delas e, a partir desta edição, trará uma cobertura mais intensa sobre o tema. Durante este Ano Internacional da Biodiversidade, reconhecido pela Organização das Nações Unidas, reportagens, artigos e entrevistas sobre o tema serão identificados nas próximas edições com o selo impresso nesta página. Acompanhe!
Boa leitura!




















