Formado em Administração Pública na FGV EAESP sai apto para atuar em 10 áreas além da governamental

Profissional pode trabalhar em Estatais, Agências Reguladoras e outros ramos

O administrador público tem uma área de atuação abrangente. Ela vai muito além do âmbito de governo. Esse profissional sai habilitado para exercer seu ofício em diferentes campos, embora o termo "público" na titulação induza a pensar que o exercício da atividade se restrinja a cargos ou órgãos governamentais. 

Para entender melhor o assunto, vale diferenciar o que é público do que é governamental. Tem uma parte do que é público que não é estatal. Público é tudo que tem impacto na sociedade. Se dentro de uma empresa há um setor com uma atuação relacionada à população, isso é um trabalho público. Seguindo essa linha de pensamento, o profissional de Administração Pública (AP) pode tanto atuar no governo como no terceiro setor ou até mesmo em empresas privadas. 

Além de trabalhar para o governo, o formado em AP pode atuar em dez outras áreas.

10 áreas de atuação do profissional de Administração Pública

  1. Estatais
  2. Agências Reguladoras
  3. Terceiro Setor
  4. Relações Governamentais
  5. Pesquisa e Academia
  6. Empreendedorismo Social
  7. Responsabilidade Social Empresarial 
  8. Relações Internacionais 
  9. Concessões e Parcerias Público Privadas 
  10. Consultoria

 

Estatais

São áreas de atividade na qual o Estado atua na economia, tanto em âmbito local como nacional. Em nível estadual, podemos citar a Sabesp ou o Metrô. Já em nível federal, um bom exemplo é o BNDES. O objetivo das estatais é atuar na produção de bens e serviços ou fomentar o desenvolvimento do País por meio de políticas públicas. 

 

Agências Reguladoras

As agências reguladoras foram criadas para o controle e a fiscalização dos serviços públicos concedidos, mas elas atuam de forma descentralizada, com autonomia técnica, administrativa e financeira. O ingresso nas agências reguladoras é sempre por concurso público ou cargo em comissão. São exemplos de agências reguladoras a  Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

 

Terceiro Setor

Ele é o conjunto de organismos ou instituições sem fins lucrativos que perseguem finalidades de interesse social ou humanitário. Entram aqui o trabalho das ONGs e fundações – destino de boa parte dos egressos do curso de Administração Pública. Nessas instituições, o formado em AP pode atuar em todas as fases do desenvolvimento de um projeto: elaboração, captação de recursos, gestão, construção de indicadores e análise dos resultados, além do relacionamento com o público beneficiário. Como é um setor muito diverso, congrega tanto ONGs com foco em advocacy (quando atuam para atender uma causa, como a Conectas, que trabalha em defesa dos Direitos Humanos) como ONGs implementadoras. Elas também podem ser locais, como Teto ou Transparência Brasil, ou globais, como Greenpeace ou Médicos sem Fronteiras. 

Um tipo de organismo do Terceiro Setor que tem atraído muito os  profissionais de AP são as fundações de políticas públicas, como aquelas que atuam nos segmentos de educação e meio-ambiente. 

 

Relações Governamentais

Cada vez mais, as empresas e os bancos estão criando áreas de relações governamentais com vistas a estabelecer um relacionamento com o governo para licitação, licenciamento para desenvolvimento de novos produtos, propostas de legislação etc. O formado em AP tem a expertise para gerir essa interface. Vamos a um exemplo: se a empresa atua num segmento novo e precisa que seja elaborada uma legislação que atenda esse nicho, é preciso compreender que nível de governo regula o tema específico e saber como chegar a esse ente público. Isso é um trabalho para o administrador público. 

 

Pesquisa e Academia

Quem se forma em AP tem a possibilidade de trabalhar com estudos científicos e/ou se aprofundar em uma área de interesse profissional. Alguém que pretende trabalhar em educação, por exemplo, pode fazer um mestrado em educação pública e atuar em alguma fundação especializada no tema. Na FGV, os alunos que se interessam pela academia já podem degustar um pouco da experiência de pesquisa na própria graduação. A escola oferece uma trilha de formação que dá possibilidade de iniciação científica ou participação em projetos de pesquisa desenvolvidos pela pós-graduação.

 

Empreendedorismo Social

Ele é conhecido também como setor 2.5 porque compreende empresas com fins lucrativos (como as do segundo setor) mas com finalidade social (como as do terceiro setor). Os principais projetos no Brasil são nas áreas da saúde, educação, microcrédito, meio ambiente, inclusão e gestão de finanças pessoais. Um exemplo bem conhecido é o Dr. Consulta, a clínica médica com preços populares. O número de negócios que se enquadram no setor tem aumentado com a ampliação dos fundos de investimentos que financiam ações de impacto. 

 

Responsabilidade Social Empresarial

Ela vai do uso racional e consciente dos recursos naturais ao compromisso com a equidade de gênero. A sustentabilidade é responsabilidade de todos os elos da cadeia produtiva e, atualmente, o impacto social das empresas é mensurado até por prêmios e certificações. E você sabe a quem cabe fazer a gestão desses projetos sociais nas empresas? Sim, é o profissional de administração pública que tem capacidade técnica e repertório para atuar desde o mapeamento de temas até a concepção de projetos e envolvimento dos colaboradores. É como se ele fosse o gerente da "ONG que existe dentro da empresa".

 

Relações Internacionais

No contexto internacional, o formado em Administração Pública pode atuar na representação dos interesses do Brasil em blocos políticos e comerciais. Além disso, há a possibilidade de o AP atuar na implementação ou na análise dos resultados de projetos sociais de organizações internacionais que foram ou serão desenvolvidos no Brasil ou em outros países em desenvolvimento. Esses projetos acontecem no escopo de agências internacionais, como por exemplo o ACNUR (a agência de refugiados da ONU) ou o Unicef (o Fundo para Infância da ONU).

 

Concessões e Parcerias Público Privadas

O setor de infraestrutura no Brasil precisa de muito investimento. Como o aporte público não é suficiente, crescem as parcerias público-privadas, as conhecidas PPPs. Recentemente, por exemplo, tivemos a aprovação do Novo Marco Legal do Saneamento Básico, que deve ampliar o número de concessões para que se atinja a universalização dos serviços de água e esgoto até 2033. Nesse campo, o profissional de AP pode trabalhar não só nas agências reguladoras como também nas empresas privadas que serão as concessionárias desses serviços. Além do saneamento, os setores metroferroviário e de energia também atuam bastante por meio de PPPs.

 

Consultoria

Atuar como consultor é uma forma do profissional de AP auxiliar governo e organizações a melhorar a produção de valor público. A demanda por essa atuação é tão grande que, atualmente, as maiores consultorias já têm uma área específica para atender governo. Imagina que, além dos entes federais e estaduais, o Brasil tem 5.570 municípios e todos eles precisam fazer reformas tributárias e administrativas para, por exemplo, conseguir sair de uma crise fiscal. É o administrador público o profissional que atua nesse planejamento. Já no setor privado, o AP pode atuar como consultor para fazer análise de risco ou mapeamento de cenário regulatório etc.

Quando o profissional recebe o diploma de administrador público, trabalhar no governo é um dos caminhos, mas está longe de ser o único.

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