Professora da FGV EAESP divulga alerta sobre novo coronavírus

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Professora da FGV EAESP divulga alerta sobre novo coronavírus

07.02.2020
bacteria representando o corona vírus

Doença respiratória tem 8 casos suspeitos e nenhum confirmado no Brasil, segundo dados da plataforma IVIS do Ministério da Saúde, mas o país segue em alerta por causa da epidemia mundial

O novo coronavírus descoberto em dezembro de 2019 na China, levou 637 pessoas a morte naquele país, onde há 31.211 casos confirmados, segundo dados  do balanço do governo Chinês divulgado na mídia local e publicado no G1 desta sexta-feira. A professora da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV EAESP), Ana Maria Malik fala sobre o assunto.

Volta e meia a população é confrontada com uma nova epidemia, com um novo vírus, que aparece em algum lugar, onde ocorrem muitos casos e as informações e desinformações se multiplicam. Não faz tanto tempo, tivemos epidemias do vírus H1N1, SARS…

Janeiro de 2020 foi o mês em que o novo coronavirus (nCoV-2019) começou a ganhar as manchetes dos noticiários online, impresso, radiofônico, televisivo e, como sempre, há muitos assuntos em torno da doença viral.

Apesar do número de casos de pessoas que contraíram coronavirus ser grande e a enfermidade ter disseminação rápida, a mortalidade por este vírus tem sido relativamente baixa, muito mais concentrada numa população mais frágil (a dos idosos). 

Ainda não há vacina para prevenir a doença, mas estão em andamento as investigações sobre os meios de transmissão do novo coronavírus e as formas de combatê-lo. 

 

Formas de contágio do coronavirus

Até o momento, sabe-se que o “nCoV-2019” é da família de vírus causadores de infecções respiratórias. Os casos já registrados da doença mostram que o contágio acontece pelo ar e por contato pessoal (via espirro e tosse) com secreções contaminadas. 

A disseminação da doença ocorre quando uma pessoa saudável entra em contato com outra portadora do vírus. Esta última o transmite no toque, no aperto de mão, por exemplo. A doença é contraída também pelo contato com objetos ou superfícies contaminadas, seguido de contato com a boca, nariz ou olhos, segundo dados do Ministério da Saúde.

 

Como se prevenir do coronavirus?

As medidas de prevenção são simples. Basta lavar as mãos frequentemente, evitar contato desnecessário com pessoas, não compartilhar objetos de uso pessoal (como talheres, pratos, copos ou garrafas), cobrir a boca com as mãos ao tossir e espirrar, lembrando de higienizá-las na sequência. Essas atitudes têm se mostrado eficazes, de acordo com o Ministério da Saúde.

 

Pedido de repatriação 

Algumas atitudes de impacto ou de grande visibilidade têm sido tomadas. 

Nos primeiros dias de fevereiro, brasileiros que se encontram na China pediram para ser repatriados. Situação semelhante ocorreu com franceses e com estadunidenses. O governo do Canadá, mesmo com grande população de chineses que lá habita, se mobilizou com idêntica intensidade. 

 

Coronavirus em perspectiva

Um jornal de grande circulação português postou em manchete a quantidade de mortes por pneumonia, muito maior que a desta doença, para colocar o coronavirus 2019 em perspectiva. 

 

Medidas emergenciais adotadas na China, local com mais casos da doença 

O governo chinês assombrou o mundo com a decisão de construir em 10 dias um hospital de 1000 leitos. Isto chamou a atenção pois este prazo é praticamente inédito. No entanto, é necessário pensar no que significam estes 1000 leitos. 

Em primeiro lugar, estamos falando da população da China. Em segundo lugar, há que pensar qual a intensidade tecnológica de que estes leitos disporão: possivelmente, servirão para realizar o diagnóstico e manter os doentes estáveis, enquanto a doença não passa. 

Em terceiro lugar, é louvável a capacidade que o governo daquele país teve de mobilizar uma grande quantidade de trabalhadores e de desenhar um processo de produção muito ágil para a construção do hospital utilizando materiais pré-moldados. 

Fica, no entanto, o alerta de que talvez esses hospitais deixem de ser necessários num período de tempo curto, ou que eles sejam direcionados para novas finalidades no futuro.

 

Não há motivo para pânico

Ter medo é importante para desenvolver cautela. O número de casos do novo coronavirus pelo mundo continuará aumentando e provavelmente haverá doentes no Brasil. 

O pânico parece, neste momento, porém, ser descabido. Olhar com desconfiança para quem chegou da China, buscar remédios e máscaras para se cuidar não tem um efeito duradouro. Isto acaba trazendo mais um pouco da chamada medicalização da sociedade, em que produtos substituem hábitos e trazem segurança.  Informação sempre é um dos melhores remédios e, se bem utilizada, não traz efeitos colateriais.  

(Texto de Ana Maria Malik editado)

 

Ana Maria Malik

Ana Maria Malik é doutora em Medicina. Ela leciona na Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV EAESP), onde também coordena o Centro de Estudos em Planejamento e Gestão da Saúde da  (FGVsaude) e dirige o Programa de Estudos Avançados em Administração Hospitalar e de Sistemas de Saúde (Proahsa).