Tendência à sobreapreciação cíclica do câmbio

Tendência à sobreapreciação cíclica do câmbio

Projeto da FAPESP

Esta pesquisa visa responder duas questões centrais para a estabilidade financeira e o desenvolvimento econômico:

  1. Existe nos países latino-americanos uma tendência à sobreapreciação cíclica e crônica da taxa de câmbio?

  2. Em caso afirmativo, a taxa de câmbio passa a ser uma variável determinante da taxa de investimento? E da mudança estrutural, necessária ao desenvolvimento econômico?

 

Assim, além de analisar se há tendência à sobreapreciação em um grupo de países da região, também analisaremos se esse comportamento influi sobre a decisão de investimento e as mudanças estruturais, aqui entendidas como as alterações setoriais na composição do emprego e do valor adicionado, que são relevantes para determinar a produtividade e o processo de desenvolvimento econômico de um país. As duas questões que serão estudadas neste projeto de pesquisa estão no centro do Novo Desenvolvimentismo - um sistema teórico que um grupo de economistas, principalmente brasileiros, vêm desenvolvendo desde o início dos anos 2000, tendo como componentes básicos uma nova macroeconomia do desenvolvimento e uma economia política dos países de renda média. Vamos, portanto, discutir e tentar demonstrar que as ideias desenvolvidas no âmbito da teoria novo desenvolvimentista podem ser comprovadas empiricamente em países latino-americanos. O novo desenvolvimentismo afirma que os países de renda média geralmente enfrentam uma tendência à sobreapreciação cíclica e crônica da taxa de câmbio que mantém a moeda nacional do país apreciada no longo prazo. Esta tendência seria particularmente verdadeira nos países latino americanos. Duas causas diretas causariam a tendência à apreciação cíclica da taxa de câmbio: uma doença holandesa não devidamente neutralizada e uma taxa de juros alta (com diferencial positivo em relação à taxa de juros internacional) que atrai capitais externos e, assim, viabiliza duas políticas econômicas habituais nos países em desenvolvimento, mas que não parecem ter sido bem sucedidas do ponto de vista da estabilidade e do crescimento econômico, quais sejam, a política de crescimento com endividamento externo ou com poupança externa e a adoção de uma âncora cambial para combater a inflação. O ciclo de apreciação da taxa de câmbio começa e termina com uma crise financeira, em princípio uma crise de balanço de pagamentos, que causa violenta depreciação cambial e é seguida por um processo de apreciação da moeda, atingindo um piso para a taxa de câmbio no qual permanece por um período considerável, até que o endividamento externo do país leve os credores externos a perderem a confiança e nova crise de balanço de pagamentos encerre o ciclo, gerando nova depreciação súbita. O principal objetivo desta pesquisa é verificar se realmente estes ciclos existem, desde 1950, em quatro economias latino-americanas: além do Brasil, na Argentina, no México e na Colômbia. Na medida em que sofrem o problema da doença holandesa e esta não é neutralizada, e praticam políticas de taxas de juros elevadas, principalmente nas décadas recentes, esses países necessariamente terão suas moedas sobrevalorizadas ao longo destes ciclos. Adicionalmente, como esses países latinos cresceram menos desde a década de 1980, também investiram menos, com exceção da Colômbia, e têm regredido em seu processo de industrialização, direcionando o investimento, a produção e emprego a setores que geram bens e serviços com menor valor adicionado, analisaremos se a tendência à sobreapreciação da taxa de câmbio é um fator que contribui para a determinação desse padrão de investimento e crescimento reduzido e regressão na estrutura produtiva observado nos países latino americanos. A análise em torno desses dois objetivos de pesquisa - a tendência à sobreapreciação da moeda e seu impacto sobre o investimento e a estrutura produtiva - é muito relevante pois pode auxiliar na definição de estratégias de desenvolvimento adequadas para os países de nosso continente.

 

Equipe de pesquisadores

  • Luiz Carlos Bresser Gonçalves Pereira
    Pesquisador Responsável
    Doutor em Ciências Econômicas pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP
  • Nelson Marconi
    Pesquisador Associado
    Doutorado em Economia de Empresas pela Fundação Getulio Vargas
  • Pesquisadora Associada
    Doutora em Economia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro
  • Gustavo Andrey de Almeida Lopes Fernandes
    Pesquisador Associado
    Doutor em Economia pela Universidade de São Paulo
  • Pesquisador Associado
    Ph.D em Economia pela New School for Social Research
  • Pesquisador Associado
    Ph.D. em Economia pela University of Massachusetts-Amherst
  • Pesquisador Associado
    Ph.D. em Ciências Sociais pela École des Hautes Etudes in Sciences Sociale
  • Pesquisador Associado
    Ph.D. em Economia pela New School for Social Research
  • Assistente de Pesquisa
    Doutorando em Administração Pública e Governo na Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (EAESP-FGV)
  • Assistente de Pesquisa
    Graduanda em Administração Pública pela Fundação Getulio Vargas (EAESP-FGV) e em Economia pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP).
  • Assistente de Pesquisa
    Doutorando em Administração Pública e Governo na Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (EAESP-FGV)
  • Assistente de Pesquisa
    Mestre em Macroeconomia Internacional e Politicas Financeiras pela Université Paris 13- Sorbonne Paris Cité