Avaliação de Formação em Manejo Florestal Comunitário

Avaliação de Formação em Manejo Florestal Comunitário

Análise de políticas públicas, de dinâmicas e conflitos territoriais envolvendo diversos públicos para captar a sociobiodiversidade amazônica

A equipe de pesquisadores do Centro de Estudos em Administração Pública e Governo (FGV EAESP/CEAPG) coordenada pelos professores Zilma Borges e Fernando Burgos, realizou entre novembro/2016 a março/2017 o projeto “Avaliação de Formação em Manejo Florestal Comunitário” em contexto amazônico.

Implementado pela Fundação Roberto Marinho em parceria com o Serviço Florestal Brasileiro (SFB), a Good Energies Foundation e Aliança pelo Clima e Uso da Terra (CLUA) e Universidades do Pará, a avaliação incluiu análise de políticas públicas, de dinâmicas e conflitos territoriais e envolveu diversos públicos para captar a sociobiodiversidade amazônica.

A Floresta Amazônica é conhecida internacionalmente por sua sociobiodiversidade como um território sensível, cuja gestão dos recursos naturais deve compatibilizar interesses sociais, econômicos e ambientais diversos. Deste modo, o manejo florestal é tido como uma importante ferramenta de conservação dos bens naturais, a fim de propiciar meios de desenvolvimento para as populações desse território marcado caracterizado pela abundância de recursos naturais e conflituoso em termos políticos e econômicos.

Considerando o manejo comunitário como essencialmente composto por práticas coletivas, de natureza relacional e a ser aplicado em contextos diversos, o trabalho foi pautado por uma abordagem de avaliação que buscou compreender as condições objetivas e subjetivas do processo de aprendizagem.

Para isto, os trabalhos foram desenvolvidos a partir de uma estrutura metodológica que integrou diversas fontes e formas de escuta participativa para captar a complexidade pretendida e oferecer entregas concretas. Algumas dimensões decorrentes da visão de avaliação que orientaram o trabalho foram a variedade de informações, ambiente de confiança e diálogo, e capacidade para realizar ajustes e autorregulação, conforme explicitadas a seguir:

  • Variedade de informações - obtenção de aspectos cognitivos, relacionais e materiais que permitam o cruzamento de informações, considerando os diversos fatores internos à situação educacional e todas as condições que influenciaram o desenvolvimento da aprendizagem;
  • Ambiente de confiança e diálogo - preparação de entrevistas, observações e conversas em grupo que propiciem uma escuta capaz de obter informações mais consistentes e legítimas das situações com as quais os participantes irão lidar na aplicação do que foi aprendido;
  • Capacidade para realizar ajustes e autorregulação - uma terceira dimensão de orientação dos trabalhos é a análise da capacidade da formação em proporcionar uma consciência crítica da realidade e reflexão. Para isto, serão levantados ajustes realizados pelos alunos  no decorrer da formação e criação dos projetos aplicativos, incluindo soluções do seu próprio repertório ou da comunidade, para encontrar caminhos adequados a soluções coerentes com o contexto.

 

Para direcionar a proposta para a demanda apresentada, a avaliação atendeu a dois propósitos centrais: (1) Identificar e explicar a qualidade do piloto, no que se refere ao atendimento das necessidades da extensão rural em manejo florestal comunitário familiar, relacionadas à formação desenvolvida. (2) Subsidiar com informações necessárias para replicabilidade, (2.1) recomendando ações e medidas a serem mantidas e incluídas para que o piloto possa influenciar políticas públicas no tema de extensão rural e fortalecimento das capacidades locais, em manejo florestal, Atividades Produtivas Sustentáveis, Sistemas Agroflorestais e Restauração Florestal.

Esta avaliação foi estruturada a partir de três eixos que verificarão as seguintes aprendizagens:

1. Avaliação do acesso, formato e conteúdo do piloto de formação aplicados nos PDS Virola Jatobá e Esperança:

  1. Efetividade dos critérios da seleção dos participantes e análise da adequação das etapas da formação aos diferentes perfis;
  2. Atendimento às necessidades e prioridades de formação de extensionistas rurais, agricultores e gestores para o manejo florestal nesses locais;
  3. Envolvimento e engajamento de instituições estratégicas para o desenvolvimento do manejo florestal comunitário na região;
  4. Grau de adequação do apoio dado pela FRM às necessidades das universidades parceiras e dos participantes da formação;
  5. Grau de adequação dos mecanismos de acompanhamento dos participantes a um nível desejado de engajamento, aprendizagem e implantação dos projetos de trabalho;
  6. Sugestões de aprimoramento do conteúdo, critérios de participação e dinâmicas da formação.

 

2. Análise do potencial de contribuição do projeto piloto para o manejo florestal nos PDS Virola Jatobá e Esperança:

  1. Potencial de contribuição do aprendizado adquirido pelo(a) sicursistas ao fortalecimento do manejo florestal nesses locais;
  2. Grau de importância da contribuição da formação para a qualificação da extensão rural;
  3. Resultados positivos da formação apontados pelos stakeholders; e
  4. Públicos, indivíduos e instituições que receberam impactos positivos a partir da formação.

 

3. Análise do potencial de replicabilidade do piloto e influência de políticas públicas:

  1. Potencial do projeto piloto em influenciar políticas públicas de formação de extensão rural em manejo florestal;
  2. Sugestão de mudanças para que o piloto possa aumentar seu grau de influência em políticas públicas de formação de extensão rural em manejo florestal;
  3. Sugestão de medidas de fomento a formação e desenvolvimento de capacidades locais necessárias ao atendimento das demandas locais, regionais e estaduais de manejo florestal comunitário e familiar.

 

Os três eixos compuseram um conjunto de análises em diferentes níveis - micro, meso e macro. O primeiro centrou-se no processo de formação e participação dos stakeholders dentro do projeto piloto, enquanto o segundo depreendeu a partir da formação, as possíveis mudanças no manejo florestal nesses locais. Por último, buscou-se extrapolar para um contexto mais amplo, considerando quais eram as possíveis contribuições para políticas públicas estaduais e federais de extensão rural em manejo florestal.

Os eixos de análise acima foram estruturados a fim de compreender os processos e as percepções de todos os stakeholders envolvidos no piloto de formação aplicados nos PDS Virola Jatobá e Esperança, localizados em Anapu, Pará. Foram utilizadas as seguintes técnicas:

  1. Levantamento de dados secundários: levantamento de dados secundários sobre as características ambientais, socioeconômicas e políticas do município de Anapu para compreensão das características peculiares da localidade onde a Avaliação será realizada.
  2. Análise documental: todo o material produzido para subsidiar a formação, a ser disponibilizado pela FRM, será analisado conforme os seguintes aspectos: linguagem utilizada, conteúdo priorizado e clareza nas informações. Além disso, serão analisados os documentos concernentes às políticas públicas federais e estaduais de manejo florestal e de extensão rural.
  3. Observação e reconhecimento dos locais de implementação do piloto: a equipe de pesquisadores visitou os PDS Virola Jatobá e Esperança em dia anterior ao último módulo da formação para aproximação e reconhecimento do campo.
  4. Entrevistas em profundidade: baseadas em roteiro previamente proposto pelo CEAPG e validado pela Fundação Roberto Marinho, foram realizadas entrevistas em profundidade com os principais atores e atrizes envolvidos no piloto. São eles(as): 08 professore(a)s, 04 consultore(a)s, 02 representantes da CLUA, 02 do SFB, 03 da Altaflora e 02 da FRM, cursistas de diferentes perfis - 03 comunitário, 03 estudantes e 01 gestora da Casa Familiar Rural de Anapu, que totalizaram 28 pessoas entrevistadas in loco ou por telefone. Todas elas foram realizadas por uma dupla de pesquisadores. Além disto, através do método bola de neve, foram identificados outros stakeholders cujas entrevistas foram cruciais para a avaliação, principalmente aqueles identificados ao longo da pesquisa de campo.
  5. Grupo Focal: foi realizado um grupo focal com o(a)s cursistas participantes e outro com stakeholders locais a ser organizado de acordo à disponibilidade de agenda e localidade. O primeiro grupo focal teve o objetivo de colocar em confronto os diversos pontos de vista dos participantes e o segundo o levantamento coletivo da lógica de manejo comunitário no território e a reconstrução das ações no processo de formação. O objetivo não só de captar as opiniões em confronto, mas também fazer com que participantes e stakeholders consiguissem reconstruir suas ações e propor aperfeiçoamentos ao Programa.
  6. É importante apontar que o anonimato dos entrevistados foi preservado e que as falas não foram descritas literalmente nos relatórios apresentados à Fundação Roberto Marinho.

 

Os resultados permitiram subsidiar tomada de decisões, fortalecendo potenciais para influenciar políticas e implementar programas de preservação e uso múltiplo de florestas. A metodologia, com viés participativo e de abordagem múltipla, foi reconhecida pelos contratantes como de natureza inovadora e resultou no artigo “Learning from useful evaluations with particularly challenging contexts”, aprovada para apresentação na Conferência da “American Evaluation Association” em Washington em 2017 pelo CEAPG e contratantes.

Apoio

  • Fundação Roberto Marinho

 

Coordenação

  • Profº Fernando Burgos Pimentel dos Santos
  • Profª Zilma Borges de Souza

 

Equipe

  • Profº Fernando Burgos Pimentel dos Santos
  • Profª Zilma Borges de Souza
  • Kate Dayana Rodrigues de Abreu
  • Fábio Grigoletto (CDAPG)
  • Fernanda Lima e Silva
  • Natasha Borali
  • Isabela Assumpção Rozzino
  • Maria Cecília Gomes Pereira
  • Fabiana Paschoal Sanches de Moura (FGVceapg, Coordenação administrativa)

 

Período de execução do projeto

  • De novembro de 2016 a abril de 2017.

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